OPINIÃO

Domingão do Fascistão

Neste fim de semana em meus perfis nas redes sociais desabafei por algumas vezes, entre a indignação, a expectativa e a ironia, que até algum tempo o domingão era sinônimo de praia, churrasco, futebol e Faustão. De janeiro de 2019 para cá, domingo passou a ser sinônimo de ataques do (des)presidente da República à democracia, às instituições, ao bom senso e aos inimigos imaginários dele.

Nas últimas semanas, em tempos de pandemia, isolamento social necessário e um vírus mortal, vimos o presidente sistematicamente eleger o Domingo como dia de apoiar protestos pedindo o fechamento do STF e do Congresso nacional.

Também é aos domingos que ele mais debocha das vítimas de Covid-19 e de seus familiares, como naquele malfadado churrasco que ele organizou, convidou, depois com a repercussão negativa disse que foi tudo invenção, mas ainda arrumou tempo para andar de jet ski no lago Paranoá e arriscar um churrasco que seus puxa sacos faziam em um iate.

Em domingos anteriores à pandemia, quando tudo parecia tranquilo no domingo, o (des)presidente resolvia “tretar”, como dizem os jovens, com alguém pelo Twitter, sua principalmente maneira de se comunicar com a raça humana. Ah, e vale lembrar que aquele post do “golden shower” foi em um domingo do carnaval, quando percebemos que o presidente da República tentava sabotar a festa do país que mais movimenta a Economia e atrai turistas e gera empregos.

Tudo isso para falar sobre ontem, domingo, 7 de junho de 2020.

Nos dias anteriores ao domingão, amigos e amigas temiam que devido ao que acontecesse nos protestos antifascismo e antiracismo marcados para ontem, o “mito” pudesse, enfim, deflagrar seu tão sonhado golpe militar, na verdade um auto-golpe, já que ele é o governante.

Nada. Em mais um plot twist no Brasil 2020, em vez de golpe militar tivemos foi o guru maior do bolsonarismo, o astrólogo Olavo de Carvalho, esbravejando em mais um vídeo boca suja que o governo era covarde, assim como os militares, e que Bolsonaro enfiasse no cu a condecoração que deu a ele.

Sim, não tivemos tuítes de Bolsonaro ontem polemizando com ninguém nem zombando das instituições. Jornalistas e fontes do Brasilia garantem que o (des)presidente estava ocupado tentando ajudar na “vaquinha” de empresários para apoiar financeiramente Olavo que reclamou que estava sem dinheiro (perdeu mais um processo milionário, desta feita para Caetano Veloso).

Em suma, descobrimos que se mantivermos Bolsonaro ocupado nas suas guerras internas e cala a boca de aliados chantagistas, não teremos mais o “Domingão do Fascistão”. Menos mal para a democracia e para a higiene mental.

E que venha o próximo domingo.

Ah, e pensar que nos tempos do Domingão do Faustão – que tanto reclamávamos – é que éramos felizes, não é minha filha?

 

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