CIDADANIA

Dono da Riachuelo “revê” Goebbels e tenta inverter condenação contra Guararapes

Para o ministro da propaganda nazista de Hitler, o violento Joseph Goebbels, uma mentira repetida mil vezes acaba se tornando verdade. Está no princípio da Orquestração, com outras palavras:

– Fazer ressonar os boatos até se transformarem em notícias sendo estas replicadas pela “imprensa oficial’.

Neste domingo (5), em artigo publicado no jornal Tribuna do Norte, em Natal (RN), o empresário Flávio Rocha usou tática semelhante ao do ministro da propaganda nazista e mentiu aos leitores ao afirmar que a Guararapes não foi condenada na ação em que a Justiça do Trabalho confirmou a tese do Ministério Público sobre o modelo de terceirização usado pela empresa para contratar as facções de costura no interior do Rio Grande do Norte cadastradas no Pro-sertão, programa criado em 2013 para beneficiar, segundo o MP e a Justiça, a própria Guararapes.

A empresa, até então, negava vínculo empregatício terceirizado com os trabalhadores das pequenas fábricas, tese não aceita pelo juiz Alexandre Érico Alves da Silva, que reconheceu que a Guararapes tinha o controle operacional das facções de costura. Diz um trecho da sentença:

– Em resumo, o que temos pintado nesse quadro é uma imagem nítida de uma terceirização mitigada onde as facções contratadas prestam um serviço predefinido, engessadas pelas imposições da demandada Guararapes sob o argumento de necessidade de manter padrões de qualidade, sendo esta última a real beneficiária de toda cadeira produtiva com seus lucros e dividendos”, escreveu o magistrado.

No artigo “Modernidade em dose dupla”, Flávio Rocha comemora o fato da Justiça não ter reconhecido o dano moral coletivo e livrado a empresa de pagar quase R$ 38 milhões de indenização. E usando essa informação, que de fato procede, ele tenta mudar o teor da decisão judicial:

– A decisão, muito elogiada no meio jurídico, respeitou as novas regras constitucionais sobre terceirização, aprovadas no governo Temer. Ela foi bem recebida também pelos trabalhadores. As facções de costura do interior do Estado se mostraram aliviadas. Afinal, se a empresa fosse condenada, contratos seriam inviabilizados”, diz.

No artigo, Rocha compara a a decisão da Justiça do Trabalho à Medida Provisória da Liberdade Econômica, assinada há duas semanas pelo presidente Jair Bolsonaro.

Na avaliação do Ministério Público do Trabalho, a Justiça concordou com a tese da acusação. Em contato com a reportagem, o procurador do Trabalho Márcio Amazonas informou que o MPT vai recorrer da decisão sobre o dano moral coletivo e insistir na indenização milionária. A ação, em segunda instância, será julgada pelo pleno do Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região.

Na decisão que condenou a Guararapes, mas livrou a empresa de pagar a indenização por dano moral coletivo o juiz ainda destacou que a empresa se beneficiou de dinheiro público a partir de isenções fiscais sem dar retorno desse benefício à sociedade.

Mas esse trecho não mereceu comentário do empresário.

O processo segue para a 2ª instância e ainda não tem data para ser julgado.

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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