OPINIÃO

E aí, você tem R$ 4 pra pagar a passagem?

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Quem utiliza o transporte público de Natal sabe na pele que todos os aumentos no valor da passagem passaram longe de ser justos, tendo em vista as condições físicas dos ônibus. Baratas circulando pelos veículos, goteiras, cadeiras quebradas, frotas reduzidas, principalmente nos bairros periféricos da cidade, ausência de cobradores, horários reduzidos, demora na rotatividade da maioria das linhas, além da dupla função de motoristas são características reais do serviço de transporte fornecido em nossa capital.

A tarifa do transporte público na capital natalense passou por mais um aumento, o que era R$ 3,65 passou a R$ 4,00. A decisão foi tomada pelos integrantes do Conselho Municipal de Transporte e Mobilidade Urbana (CMTMU), no dia 16 de maio. De acordo com o consultor da SETURN, Nilson Queiroga, por erros da STTU na previsão de passageiros por mês, a necessidade de aumentar a tarifa se dá também para corrigir os erros dos órgãos públicos da prefeitura no que se refere a ausência de subsídio ao transporte público e suprir os custos reais da passagem alegando que o ideal seria chegar ao valor de R$ 4,40.

É importante lembrar que o último aumento aconteceu em maio de 2018, quando se tinha o aumento da gasolina como principal argumento para o valor subir para injustos R$3,65, além de melhorias às quais nunca nem vimos: piso baixo nos ônibus, sistema de leitura de cartão avançado e conexão wi-fi, são exemplos. Ali, estudantes universitários e secundaristas estiveram mais de uma vez na Câmara Municipal para pressionar os vereadores na votação que inviabilizaria o aumento, porém a força da máquina da prefeitura foi maior e vereadores foram comprados em troca de cargos pelo então prefeito Carlos Eduardo Alves (PDT).

Nós estudantes assistimos a fraqueza da institucionalidade quando se trata de um assunto que atinge a maior parte da população natalense. Em 2012, o movimento “Revolta do Busão” foi criado contra o aumento de 20 centavos na tarifa. Com cartazes e gritos de “não é só por 20 centavos” jovens estudantes ocuparam as principais avenidas da capital potiguar por diversos dias, chegando inclusive a embates com a Polícia Militar. A Revolta do Busão foi pontapé para a mobilização de estudantes afora no Brasil que, assim como em Natal, sofreram com o aumento da tarifa em suas cidades.

Sete anos depois nos vemos diante de mais um aumento abusivo e não é somente por alguns centavos que convocamos todos os natalenses a estarem nas ruas nesta sexta, mas sim pela necessidade de mostrar aos empresários e a pobre classe política que comanda nossa cidade que não aguentamos mais qualquer aumento sem nenhuma melhoria mínima no transporte. Não precisamos ir muito longe para citar exemplos que comprovam a possibilidade de ter um valor justo na tarifa com qualidade no serviço de mobilidade urbana. Na capital Pernambucana, Recife, a tarifa custa R$3,45 com direito a integração no metrô, disponibilidade de ônibus durante toda madrugada e algumas linhas possuem ar-condicionado e piso baixo.

Será que é aceitável que a capital potiguar seja tão precarizada ao ponto de não ter um serviço de transporte público que funcione de forma justa? Nessas horas bate até uma angústia de viver numa cidade onde o prefeito não tem disposição para organizar um debate amplo com a população e construir um modelo de licitação de transporte que permita a concorrência entre as empresas de ônibus cuja vencedora forneça o melhor serviço de acordo com as necessidades dos cidadãos natalenses. Enquanto isso, muitos natalenses preferem pedir um uber ou garantir o próprio meio de transporte. E é isso mesmo que os empresários e o prefeito almejam, a redução de usuários é pretexto para outros aumentos.

Se assim como nós estudantes você também não tem R$4 para pagar a passagem, a partir das 16h na frente do Midway participe do ato contra o aumento da passagem e não permita que Natal continue sendo curral eleitoral para as oligarquias potiguares.

 

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