OPINIÃO

É preciso sofrer (às vezes) pra saber o que é melhor pra você!

Conheci São Paulo pela TV. Mesmo me considerando uma pessoa extremamente urbana (não sou muito afeita a essa coisa de mato, bicho, mosquito), nunca tive muita vontade de conhecer a “terra da garoa”. Quando criança eu era bastante noveleira, zapeava entre a Globo e SBT, emendando um folhetim atrás do outro, do começo da tarde até o cair da noite (onde será que meus pais estavam que me deixavam fazer isso eu nunca soube haha).

Acabei comprando como minha a “guerra” SP x RJ tal qual um Vasco x Flamengo, Ivete x Cláudia Leite, Esquerda x Direita e, como boa “vermelha” que sou, optei por óbvio, pela “cidade maravilhosa”.

A terra do poetinha Vinícius, do gigante Machado de Assis e do segundo grande amor da minha vida Marcelo Camelo (porque o primeiro é Chico Buarque, paulista de nascimento e carioca de coração) deixava no chinelo a São Paulo fria, gélida, suas cores cinzas e paredes de concreto tão propagadas nos programas do “cara do baú da felicidade”.

O Rio no meu imaginário tinha “cheiro de povo”, de samba, do verde-rosa da Mangueira, do colorido de Santa Tereza, das românticas ruas de Copacabana tão bem retratadas nas novelas do meu autor global preferido Manoel

Carlos. (Ah, #abaixoaredeglobo, só vejo Netflix há muitos anos). Fui conferir algumas vezes “in loco” e o “Errejota” é sim tudo isso e um pouco mais.

Restava à São Paulo a condição de “2ª de audiência” mesmo. Com sua elite sem graça que parecia ter recém-saído das telas de “Malhação”, cujo único atributo que eu conseguia enxergar era ser a cidade do meu querido tricolor paulista, bicampeão mundial, amado clube brasileiro.

Até que um dia eu conheci o que eu pensei ser o lugar do “moço de nariz grande” comandante de um caldeirão, que num devaneio ridículo quis ser presidente do país e desistiu dias depois.

Anos atrás, em meados de 2015, fui a “Sampa” a trabalho com meu irmão. Estávamos indo a um treinamento em São José dos Campos e passei correndo, um dia e meio, pelas ruas da 25 de março e Brás, como um turista distante e insegura que só queria “usar” o capital em sua enorme gama de ofertas.

Não curti o frenesi, o ritmo alucinado, o corre-corre dos metrôs e as pessoas me atropelando no alto do meu um-metro-e-meio. Todo mundo parecia estar três velocidades acima das minhas perninhas curtas. Para uma pessoa “avoada” como eu, ter que ficar sempre alerta; me disciplinar e me posicionar à faixa da esquerda no metrô; e não “dar vacilo” com a mochila para não ser furtada era quase que um martírio.

Um belo dia, muitos anos depois, resolvi dar uma segunda chance à cidade mais agitada do país. Poxa, pensando bem ela é minha cara pô, meu ritmo acelerado. Ah! Vou acabar curtindo, sim. Foi assim que passei a maior parte das férias de julho do ano passado no charmoso bairro de Pinheiros – São Paulo capital. Me hospedei na casa de uns amigos do namorado que por coincidência já conhecia: a moça que era minha “friend” pela net desde os tempos que eu tinha um blog de unha. E o moço era um colega de web também que curtia uma empresa de “hot dog” da qual fui proprietária em Natal. Ah, internet danada!

Mas voltemos à Pinheiros. Com seus brechós de baixo-custo, seus cafés quentinhos, floriculturas a céu aberto e variedades de produtos orgânicos e naturais que não custam o preço de um rim (Pinheiros) me ganhou! Ah! Sabe o casal da casa? Me apresentaram um Instagram incrível criado por eles. Sigam ai: @adoropinhieros e foi assim, na minha “língua”, através do mundo que eu domino – o “insta” – que surgiu meu primeiro sinal de afeto. De alguma forma meu coração bateu forte e rolou uma empatia pela primeira vez. Senti me “picar” o bichinho da sensação de segurança, de lar, o mesmo que sinto quando tô lá em “nóis” (Nova Parnamirm/RN) e nas ruas de Copa (RJ). Bairristas, não se doam!

Já pronta pra alçar voos mais ousados, fomos em grupo ao “centrão” com seu comércio diverso, repleto de cores e sabores. Conhecemos a rua Augusta, e lá me encantei com artistas de rua, com o MASP e uma incrível, visceral e gratuita mostra sobre feminicídio/violência/feminismo.

Provei do melhor sanduíche de mortadela do mundo (Mercadão), mas descobri que o sanduíche de pernil “da vida” mesmo você só encontra lá no restaurante do Estadão. Conheci as mais diversas exposições cultuais, circuito Banco do Brasil, Sesc, algumas confesso não entendi foi nada.

Ah, e não posso esquecer dos bares. Eles nunca fecham! A noite paulista é a mais animada do mundo! O centro de São Paulo à noite não é apenas perigoso, é vivo ! Fui parar até no velório de um jornalista famoso, não me pergunte o nome que eu mesma só lembro da loucura que foi aquele dia. (Sério me perguntem “in box”, foi um dos momentos da vida que dariam um episódio da vida como ela é – aquela que passava aos domingos no fantástico). Foi massa. Mas eu ainda assim era uma turista com meu roteirinho na mão.

Dessa vez eu achei que viria a São Paulo para ver uma amiga querida de infância, talvez até encontrar com o primo dela que também era meu amigo de longas datas. O primo não veio e ela estava na vida dela, com suas atribuições do “Job” e dos “freela” que não cessam com o chegar do fim de semana.

Há mais de 10 anos por lá, trocou o “rolé” pelo “rolê” faz tempo. Não tinha como minha amiga parar tudo e viver nossa viagem/sonho juvenil, não por hora. Ficou para a próxima. Mas me apresentou amigos incríveis, me levou para a night do Paulista, do after work, o submundo underground naqueles inferninhos que eu só conhecia e imaginava por livros de crônicas.

Tomei uns belos e lindos bons drinks, viramos a noite com a galera da “pensão” onde ela mora em um debate caloroso sobre questões de igualdade de gênero, ela me deixou livre e eu voei! Nem morri, ó! Apesar do medo de todos estou vivinha. Ok, com uma voz ferrada de alergia, uma espinha do tamanho daquelas da adolescência, até “Pedialite” (remédio de bebê, as mães conhecem) tive que tomar com desidratação mas estou aqui em Natal, na “segurança” de Ponta Negra contando essa história que como todas que começo nunca tem um fim (lidem com isso).

É, foi minha primeira viagem sozinha, sozinha. Na verdade médio, né ? Nunca estou realmente só. Tenho primeiro um Deus imenso no coração que me acompanha onde vou e minha fé que em dias “de bad” até trupica, mas não cai. Tenho um “galego” que volta e meia me liga e me faz sorrir. Um celular na mão, nessa internet que tantos criticam mas que aproxima quem tá longe e foi de longe (como sempre) que minhas amigas/amigos e um bocadinho de seguidores no meu perfil do Instagram também cuidaram de mim. (“Like Always”).

Como disse eu estou viva. Resisti à “mão boba” de uma moça que quis alisar minha polchete no centro à noite; as grosserias das vendedoras da rodoviária, me aventurei num passeio sem programação até o Guarujá onde encontrei conforto no seio da minha família (sim, a gente nega mas precisa dela).

Arrumei minha mala no meio do nada (e ninguém me roubou um friso sequer), até uma situação bem complicada de perigo eu enfrentei na hora de ir embora, mas não quero falar. O que importa é que no sábado indo para o Guarujá começaram a me pedir informações sobre a cidade. Esse é o sinal, você passou a ser figurante, e integrante daquele cenário.

Ah, importante: sobrevivi aos jovens também! Olha que os amo loucamente, amo suas expressões e sou bem jovem de cabeça, confesso. Mas eles são fogo! Dão informações incompletas, não pedem desculpas, não se comprometem com nada a não ser com as suas próprias “tours”. Nunca peçam informações a eles. Mas enfim, estão protegidos pelo viço da juventude.

Voltei de São Paulo, mas ela não saiu de mim. Ela “segurou minha onda”, me devolveu à cidade do sol com todas as dores e delícias de ser potiguar, porém, mais forte, mais preparada para a dureza da vida. Amo minha cidade, mas pela primeira vez consigo me enxergar num projeto um dia morando de verdade em outro lugar, acho que já sei qual.

O texto acabou e eu não tenho lição nenhuma para deixar. Só quero dizer que é um prazer estar aqui, obrigada Rafael Duarte por nunca desistir de que eu usufruísse deste espaço, e por sempre me estimular e me encorajar a escrever. Após um ano e cinco meses como integrante do portal da agência Saiba Mais, como digital media, essa é a primeira vez que tive coragem e vontade de expor meu texto aqui.

Ele (o texto) é transparente como eu, prolixo como eu, milhares de histórias detalhadas e sempre longas que você sempre sabe como começa e nem eu nem você nunca sabemos como termina. Um abraço pela sua paciência, leitor, que chegou aqui. Prometo ser mais suscita nos próximos. (Não que eu cumpra).

Ah! Adoro musicas e frases de efeito. Essa não me sai da cabeça e acho que Criolo estava errado: Existe sim amor em EssePê ♥!

Até a próxima!

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