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‘É um grande vexame’, diz Gilmar Mendes sobre procuradores flagrados na Vaza Jato

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O ministro Gilmar Mendes afirmou nesta terça-feira (27) que é preciso reconhecer que o Supremo Tribunal Federal é cúmplice “dessa gente ordinária” e que a Corte participou de um grande vexame. A denúncia do ministro foi em resposta aos diálogos revelados pelo portal UOL, em parceria com o The Intercept Brasil, que mostravam os procuradores da força-tarefa ironizando a morte da ex-esposa, irmão e neto do ex-presidente Lula.

Segundo informações de Marcio Falcão, do site de notícias jurídicas Jota, Gilmar Mendes admitiu que o STF foi conivente com a conduta abusiva dos procuradores da força-tarefa da Lava Jato, cujas ilegalidades vêm sendo denunciadas por mensagens obtidas pelo site The Intercept Brasil desde junho.

“É um grande vexame e participamos disso. Somos cúmplices dessa gente, homologamos delação. É altamente constrangedor. A República de Curitiba nada tem de republicana, era uma ditadura completa. Assumiram papel de imperadores absolutos. Gente com uma mente muito obscura. Que gente ordinária, se achavam soberanos”, afirmou o ministro.

‘Que Deus poupe suas almas de tanto ódio, rancor e soberba’

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou mensagem  em que manifesta “extrema indignação” com os diálogos revelados pelo UOL/The Intercept dos procuradores da Lava Jato a respeito das mortes de Marisa Letícia, de seu neto Arthur e de seu irmão Vavá.

“Há muito tempo venho dizendo que fui condenado por causa do governo que fiz e não por ter cometido um crime sequer. Tenho claro que Moro, Deltan e os procuradores agiram com objetivo político, pois me condenaram sem culpa e sem prova, sabendo que eu era inocente. Mas não imaginava que o ódio que nutriam contra mim chegasse a esse ponto, diz a mensagem do ex-presidente.

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O sentimento de ódio presente nos diálogos levou os advogados de defesa de Lula da Silva a apresentar hoje petição ao Supremo Tribunal Federal (STF), em que reforçam o pedido de habeas corpus para a libertação do ex-presidente, preso há mais de 500 dias na sede da Polícia Federal em Curitiba, em um processo marcado por ilegalidades. As informações são da coluna da jornalista Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo.

E atuar em pleno exercício de ódio contra, afirma a defesa, não se coaduna com a postura de isenção e imparcialidade que deveria marcar sua atuação. “Referidas mensagens mostram, em verdade, que a atuação dos procuradores da República em questão sempre foi norteada por ódio e desapreço pessoal pelo paciente e pelos seus familiares”, afirmou o advogado Cristiano Zanin.

Leia íntegra da nota de Lula

Foi com extrema indignação, com repulsa mesmo, que tomei conhecimento dos diálogos em que procuradores da Lava Jato referem-se de forma debochada e até desumana às perdas de entes queridos que sofri nos anos recentes: minha esposa Marisa, meu irmão Vavá e meu netinho Arthur.

Confesso que foi um dos mais tristes momentos que passei nessa prisão em que me colocaram injustamente. Foi como se tivesse vivido outra vez aqueles momentos de dor, só que misturados a um sentimento de vergonha pelo comportamento baixo a que algumas pessoas podem chegar.

Há muito tempo venho dizendo que fui condenado por causa do governo que fiz e não por ter cometido um crime sequer. Tenho claro que Moro, Deltan e os procuradores agiram com objetivo político, pois me condenaram sem culpa e sem prova, sabendo que eu era inocente.

Mas não imaginava que o ódio que nutriam contra mim, contra o meu partido e meus companheiros, chegasse a esse ponto: tratar seres humanos com tanto desprezo, como se não tivessem direito, no mínimo, ao respeito na hora da morte. Será que eles se consideram tão superiores que podem se colocar acima da humanidade, como se colocam acima da lei?

Peço a Deus que ilumine essa gente, que poupe suas almas de tanto ódio, rancor e soberba. Quanto aos crimes que cometeram contra minha família e contra o povo brasileiro, tenho fé que, deles, um dia a Justiça cuidará.

Luiz Inácio Lula da Silva

*Com informações de Rede Brasil Atual e Jota

**Edição: agência Saiba Mais

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Pedro Torres
Pesquisador e jornalista com foco em direitos humanos, política e tecnologia baseado em Natal/RN. CONTATO: pedrohtorres@outlook.com

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