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Economista afirma que 20 mil votos separam Fátima de vitória no 1º turno

Entre a última quinta-feira (20) e a segunda-feira (24), o eleitor potiguar foi bombardeado com a divulgação de quarto pesquisas eleitorais cujos resultados apresentaram convergências, discrepâncias e uma grande interrogação.

A convergência que mais salta aos olhos de qualquer observador é a ampla liderança da senadora Fátima Bezerra (PT) na corrida para o Governo do Estado. Todas as quatro pesquisas apresentam a candidata do PT em primeiro lugar, com praticamente o dobro de intenções de votos sobre o segundo colocado e cerca de três vezes os votos do terceiro. Outra regularidade está na lista de candidatos que ocupam a segunda e a terceira posição. Carlos Eduardo Alves (PDT) está na vice-liderança em todas as pesquisas e o atual governador Robinson Faria (PSD) está em terceiro lugar. Portanto, podemos concluir, para além de qualquer margem de erro estatístico, que no Rio Grande do Norte Fátima Bezerra lidera a corrida para o Governo, com ampla vantagem sobre o segundo e o terceiro colocados, seguida do ex- prefeito de Natal e logo atrás o atual governador.

Se na questão da ordem de colocação dos candidatos há uma ampla convergência, os institutos divergem de forma razoavelmente acentuada, e para além de suas respectivas margens de erro, sobre o percentual de intenções de votos de cada candidato. As maiores divergências são encontradas entre dois institutos: o Ibope e o Seta. Comparando os resultados dos dois, podemos ver que Fátima Bezerra varia de 30% a 39%, Carlos Eduardo Alves teria entre 16% e 25% e Robinson Faria pode ter de 10% a 13%. Essa amplitude de variação, sobretudo nos casos de Fátima e Carlos Eduardo, estão para muito além das respectivas margens de erro amostrais de cada pesquisa.

A grande interrogação que sobra dessas quatro pesquisas é: haverá segundo turno no Rio Grande do Norte? No contexto dessas pesquisas temos um instituto (o Ibope) afirmando que haverá segundo e outro afirmando que não haverá (o Opine). Para esses dois institutos, essas afirmações são feitas com base no fato de que o percentual de votos da senadora Fátima Bezerra está abaixo ou acima de 50%, respectivamente, para além das margens de erro dos dois institutos. Para os outros dois institutos, não há como afirmar, estatisticamente falando, se haverá ou não segundo turno.

Para tentar amenizar um pouco o nível de discrepância entre esses levantamentos elaborei um agregador das 4 pesquisas, ponderando seus respectivos resultados pelo tamanho de suas amostras.

O resultado dessa agregação é que teremos uma “pesquisa virtual” com 4.722 entrevistas (seria a maior pesquisa já realizada nessa campanha), com uma margem de erro de apenas 1,4%, menor do que a margem de erro isolada de cada uma das pesquisas realizadas. Essa pesquisa virtual captaria a realidade eleitoral do Estado entre os dias 12/09 e 21/09.

O resultado dessa agregação pode ser visto na tabela abaixo.

Com base nessa agregação podemos afirmar que, no período de referência da coleta (entre 12/09 e 21/09), a senadora Fátima Bezerra tinha aproximadamente 35% das intenções de votos, seguida por Carlos Eduardo Alves com 20%, Robinson Faria com 10% e os demais candidatos somando cerca de 4%.

O resultado acima confirma a convergência de todas as pesquisas sobre a liderança da senadora e a posição relativa dos outros dois principais candidatos. Além disso, ela reduz os extremos apresentados pelas pesquisas quando analisadas isoladamente.

Ainda assim, porém, ela não responde com a precisão estatística desejada se haverá ou não segundo turno. Segundo o meu agregador, Fátima Bezerra teria hoje 50,21% dos votos válidos do Estado. Um número que, em tese, levaria a uma vitória dela já no primeiro turno. Todavia, se levarmos a margem de erro (1,4%) do agregador em consideração, essa afirmação não pode ser realizada com total segurança estatística. Segundo a margem de erro, Fátima Bezerra teria entre 48,8% e 51,6%.

Mas uma afirmação posso fazer com razoável certeza estatística: se ocorrer segundo turno será entre a senadora Fátima Bezerra e o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves. O atual governador já é carta fora do baralho de um eventual segundo turno.

Pelos meus cálculos, Fátima Bezerra pode estar a apenas pouco mais de 20 mil votos de distância da linha que separa o primeiro, do segundo turno. Ela pode ter 27 mil votos a mais que o necessário ou ter apenas 20 mil votos a menos. A título de comparação, o Rio Grande do Norte tem cerca de 2,37 milhões de eleitores.

Haja coração.

 

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Aldemir Freire
Aldemir Freire é economista