CULTURA

Edital Petrobras Cultural para teatro exclui projetos das regiões Norte e Nordeste

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A Petrobras publicou o resultado do edital do programa Petrobras cultural sem a participação, entre os selecionados, de nenhum projeto das regiões Norte e Nordeste . Um total de 938 projetos foram inscritos referente a arte cênica do público infantil. Desses, oito foram selecionados, todos concentrados no eixo-Sudeste-Sul-Centro-Oeste e irão circular por 15 estados do país

Foram selecionados projetos de Goiás, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo.

De acordo com o membro da Rede Potiguar de Teatro Arlindo Bezerra, havia um processo de descentralização cultural em editais anteriores, por meio de políticas públicas, que determinava a obrigatoriedade da seleção de todas as regiões, o que não aconteceu nessa edição.

“É um programa muito antigo, vem sendo desmontado no governo atual, junto das políticas públicas de cultura. Anteriormente, o programa tinha caráter descentralizador, possibilitava a participação de regiões como Norte e Nordeste. Dessa vez, foi diferente, essas regiões foram completamente ignoradas”, afirmou o produtor cultural.

Outro ponto destacado pelo artista está relacionado ao funcionamento do programa com a lei de incentivo cultural. Durante a inscrição do projeto, todos tiveram que se cadastrar, também, na lei. O resultado é o aumento do custo público, tendo em vista que a comissão, responsável por analisar e emitir o parecer dos projetos, é remunerada pelo número de projetos que avalia.

O produtor ressaltou que a forma correta, como era antes, seria o cadastramento na lei somente após a divulgação do resultado. Assim, somente os selecionados se cadastrariam na Lei de incentivo cultural.

A não participação das regiões Norte e Nordeste, na avaliação de Arlindo Bezerra, evidência uma exclusão social. Além dos problemas regionais, o produtor acredita, também, existir uma exclusão étnica, racial, cultural e gênero. Devido à ausência de políticas que determinem a participação e seleção obrigatória desse público, o país regride e volta a década de 1990:

“Isso já foi muito forte na década de 1990, eixo Rio-São Paulo sempre estiveram em evidencia por possuir grandes empresas. Quando se tem um programa via edital, espera-se que exista uma responsabilidade social.  Há uma regressão no sentido da conquista dessa descentralização, já estávamos conseguindo. Isso é evidente em outros editais. Existia uma obrigatoriedade da existência de cotas. Estamos falando de um retrocesso”, esclareceu.

Os projetos selecionados passarão por mais de 10 estados no país, sendo elas: Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins. Nesse ponto, os estados excluídos da seleção aparecem como receptores da apresentação.

No entanto, Arlindo Bezerra acredita que isso trata-se de um pensamento colonizador. No qual, as regiões podem receber os projetos selecionados, mas não podem ser convocados para fazer parte.

“É um pensamento muito colonizador. É como se essas regiões tivessem capacidade, somente, de receber esses projetos. Mas, quando temos projetos muitos bons dentro desses locais, eles ficam de fora”, pontuou.

Projetos selecionados no Petrobras Cultural

Os projetos selecionados possuem uma característica em comum, todos são direcionado para o púbico infantil. Os oito projetos convocados são: A Arca de Noé; A Rainha – Experiências Extraordinárias para a Primeira Infância; Bichos Dançantes; Circulação Casa – Teatro para Bebês; Miniteatro Ecológico – Giramundo 50 anos; Sensatio – Bebê Encena; Siricutico: Corpo e Brincadeira; e Teatro Para Todos.

Para conferir mais informações de cada projeto, acesse o site da Petrobras.

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Allan Almeida
Jornalista potiguar em formação pela UFRN.

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