OPINIÃO

Editorial: O contra-ataque da Educação  

Os insultos do ministro da Educação e do próprio presidente da República às universidades e institutos federais do país, sejam por meio de discursos ou através dos cortes anunciados no orçamento, anteciparam uma revolta popular que, até então, estava programada para acontecer somente em junho, quando as centrais sindicais prometem realizar greve geral em protesto ao projeto de Reforma da Previdência que o governo Bolsonaro enviou ao Congresso Nacional.

Na semana passada, coube aos estudantes, professores e servidores técnicos dos IFs de uma ponta a outra do Brasil iniciarem, pela Educação, o calendário de manifestações.

O protesto se somou à revolta de pesquisadores e cientistas com a dilapidação sucessiva dos orçamentos para o setor.

Se a Educação, comandada pelo segundo ministro em menos de cinco meses de gestão, está atualmente sob fogo cerrado institucional, virou também alvo do exército virtual bolsonarista que busca a todo custo criminalizar estudantes universitários se valendo, sobretudo e como sempre, de imagens e notícias falsas.

A mais nova fake news a circular em blogs de Natal (RN) é classificar como “terroristas” estudantes da UFRN. A velha tática de jogar a população contra os movimentos sociais.

As razões para a artilharia, como explicou o historiador Durval Muniz de Albuquerque Jr. no artigo “O ataque à universidade pública”, publicado domingo (12), no portal da agência Saiba Mais, não estão ligadas apenas ao modelo conservador e ultrarreacionário que Bolsonaro tenta implantar no país.

Não é possível suprimir do atual contexto que o enfraquecimento da universidade pública fortalece as faculdades particulares. Os ataques têm, portanto, um viés econômico.

Na próxima quarta-feira, 15 de maio, estudantes, professores e servidores da Educação do país prometem um contra-ataque ao transformar das ruas do país numa imensa sala de aula.

Há programação nos dois turnos. Pela manhã, a comunidade da UFRN fará um ato em defesa da universidade a partir das 9h, no estacionamento do Centro de Convivência. Às 13h30, o professor universitário e líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto Guilherme Boulos dará uma aula aberta sobre educação pública no IFRN, e às 15h um grande ato público está convocado para os cruzamentos da avenida Bernardo Vieira e Salgado Filho.

Não há categoria mais criminalizada pelo governo Bolsonaro até o momento que a dos professores, sejam do ensino fundamental, médio ou universitário.

É preciso destacar que a defesa da Educação e o boicote ao projeto de Reforma da Previdência de Bolsonaro são lutas complementares.

As duas pautas envolvem respeito, direitos, dignidade e o futuro do Brasil.

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