OPINIÃO

Eleição municipal pode começar desmonte da “Guerra Ideológica” do Bolsonarismo

As eleições de 2018 – prisão de Lula, fake news e Lava Jato politizada à parte – foram marcadas pelo rolo compressor do “bolsonarismo” nos Estados e no Legislativo. À reboque da vitória presidencial de um deputado do baixo clero tosco, misógino, homofóbico e racista, muita gente se elegeu junto, de deputados “folclóricos” como os hoje inimigos Joice Hasselman e Alexandre Frota (e dezenas de Coroneis, Capitães, Tenentes e Sargentos) a governadores que eram ilustres desconhecidos do eleitor, como Wilson Wiztel (hoje afastado e em desgraça) no Rio e Romeu Zema, do Novo, em Minas.

Havia, portanto, a expectativa de que as eleições municipais de 2018 corroborassem essa tendência do eleitorado em investir no que se chama de um projeto maior de tom conservador e, sabemos disso, violento e autoritário. Não por acaso, mal assumiram o já citado Witzel falava que a polícia carioca iria “mirar só na cabecinha” e João Dória, em SP, assinalou que “é para atirar para matar”.

Contudo, a série de acontecimentos (pandemia, economia estagnada, desempregado, Moro em desgraça, Amazônia e Pantanal em chamas) gerou uma série de decepções com Bolsonaro (mascarada pelos pontos de aprovação única e exclusivamente por causa do Auxílio Emergencial, que tem prazo de validade) de maneira que ser o “candidato bolsonarista” não parece mais garantia de lideranças nas pesquisas nem de vitória este ano.

Vejamos uma análise rápida da situação nas quatro principais capitais do país e em Natal.

São Paulo: Apesar da liderança nas pesquisas de Celso Russomano (que há uma década e meia lidera as pesquisas, depois definha) o prefeito Bruno Covas, do PSDB, parece ser o favorito e em um segundo turno teria apoio do anti-bolsonarismo de todos os outros candidatos. De perfil técnico, sem carisma, Covas enfrentou um câncer e Covid e encarna aquele prefeito gestor, técnico, quase invisível. Já criticou o bolsonarismo diversas vezes.

Rio de Janeiro: Eduardo Paes, ex-prefeito, boêmio, típico político ensaboado da velha guarda, lidera as pesquisas à frente do prefeito Marcelo Crivella, que assumiu de vez o bolsonarismo. Mesmo na cidade onde Bolsonaro mora e, digamos, milita (ops, eu disse milita, não milicia) Crivella não vem tendo êxito em “colar” no presidente, até pela gestão terrível que faz.

Belo Horizonte: O prefeito Kalil, do PSD, elogiado pela maneira firme como enfrentou a pandemia na capital mineira, lidera com 58% devendo ser eleito com tranquilidade em primeiro turno. Mantém perfil técnico, apesar da personalidade forte e não bebe na fonte do bolsonarismo.

Porto Alegre: Manuela D’ávila do PC do B lidera as pesquisas com 10 pontos à frente do segundo colocado e parece certa no segundo turno. Foi candidata a vice-presidente na chapa de Haddad e combate frontalmente o bolsonarismo, sendo constantemente vítima de fake news.

Natal: Na capital potiguar, não parece existir embate ideológico. O prefeito Álvaro Dias, que tenta manter perfil técnico, flerta timidamente com o bolsonarismo para atrair eleitores, mas na gestão passa bem longe de qualquer agenda ideológica. Os “candidatos de Bolsonaro” em Natal são o delegado Sérgio Leocádio (PSL) e o deputado Coronel Azevedo (PSC) que tem percentuais pífios nas pesquisas. Os candidatos de Esquerda, como Jean Paul Prates (PT) e Fernando Freitas (PCdoB) também apresentam dígitos sofríveis. O eleitorado natalense aparentemente não embarcou em disputas partidárias-ideológicas e vai apostar no “menos ruim-time que está ganhando não se mexe”.

Com este cenário, as capitais brasileiras aparentemente e com as exceções que só confirmam a regra, terão prefeitos de caráter técnico, que arregaçaram as mangas para trabalhar mesmo durante a pandemia e sem envolvimento direto com a “guerra ideológica” que o bolsonarismo sonha e mantém para atiçar a militância e criar fatos políticos.

Em um mês e poucos dias este escrevinhador pode queimar a língua ou ter acertado a tendência do eleitorado que poderá se repetir em 2022.

 

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