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Eleições 2016 x Consult: Carlos Eduardo perde 83 mil votos em Natal

prefeito Carlos Eduardo Alves será candidato ao Governo do Estado

Um olhar mais apurado nos números da pesquisa Consult realizada em Natal e em cinco municípios da Grande Natal revela detalhes curiosos. O ex-prefeito Carlos Eduardo Alves, por exemplo, perdeu 83 mil eleitores num comparativo com a votação expressiva que ele recebeu na capital em 2016, quando venceu a eleição no 1º turno.

Segundo a pesquisa Consult divulgada nesta terça-feira (10), 65% dos eleitores de Natal declararam voto em algum dos pré-candidatos ao Governo do Estado. Desse montante, 26% apontaram o voto no ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves, o equivalente a 40% dos votos válidos da capital (já descontados os brancos e nulos).

Em 2016, quando venceu as eleições, Alves obteve 63,42% dos votos válidos. Portanto, numa equação simples, chega-se a uma redução de 23,42% entre a eleição de 2016 e as intenções de voto para 2018. Em números absolutos, de acordo com dados da pesquisa Consult, 142.379 pessoas da capital votariam em Carlos Eduardo Alves para o Governo. Porém, 83 mil eleitores de Natal que votaram em Alves para prefeito há apenas 1 ano e 4 meses não pensam em votar nele novamente para administrar o Governo do Estado.

Alguns fatores podem explicar essa redução na confiança do eleitorado. Assim que venceu o pleito, Carlos Eduardo Alves passou a atrasar os salários dos servidores municipais e em 2017 a gestão financeira da prefeitura de Natal chegou a ser comparada à agonia econômica vivida pelo governo Robinson Faria.

Outros dois fatos marcantes ocorridos no ano passado foram na esfera criminal e devem ser levado em conta. O primeiro foi a prisão do então secretario municipal de Turismo Fred Queiroz. O auxiliar do prefeito foi preso na operação Manus, a mesma que ainda mantém na cadeia o ex-deputado federal Henrique Eduardo Alves, primo de Carlos Eduardo.

O segundo fato que segue com desdobramentos é a operação Cidade Luz, esquema de corrupção envolvendo contratos de licitação na iluminação pública de Natal na secretaria municipal de Serviços Urbanos. Segundo o Ministério Público há indícios de que contratos foram superfaturados e propinas foram pagas a agentes públicos por empresas que venceram licitações entre 2013 e 2017. Ao todo, 15 mandados de prisão foram cumpridos em julho do ano passado, entre eles haviam três ex-secretários da Semsur: Antônio Fernandes, Jerônimo Melo e o adjunto Sérgio Emerenciano.

A mesma operação afastou da presidência da Câmara Municipal o vereador Raniere Barbosa, ex-secretário da Semsur e que chegou a ser líder do prefeito na Casa, embora hoje os dois estejam rompidos politicamente.

Em entrevistas, o ex-prefeito Carlos Eduardo Alves sempre negou que tenha alguma relação com o esquema de corrupção realizado em sua gestão.

Ainda assim, a imagem de administrador fica arranhada. Afinal, em apenas um ano, Carlos Eduardo viu quatro ex-auxiliares diretos presos e um esquema de desvio de dinheiro público descoberto em sua gestão.

Não é pouca coisa.

São fatores importantes que o eleitor deve levar em conta na hora de escolher seu governante.

 

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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