OPINIÃO

Eleições para a Câmara de Vereadores de Natal: o eterno retorno do mesmo ?

Estamos chegando a décima eleição para a Câmara de Vereadores de Natal, desde o fim da Ditadura Militar, em 1985, desta vez em condições alteradas pela pandemia, mas trazendo a mesma questão: quem o natalense elegerá para as 29 cadeiras da Câmara Municipal de Natal ? Repetiremos a mesma tragédia de sempre, elegendo figuras medíocres para representar os mais de 810 mil natalenses?

Nas últimas eleições para a Câmara de Vereadores de Natal, em 2016, a abstenção de 19,6% que, somadas com os votos brancos e nulos, chegou a 34,7% do eleitorado, ou seja, dos 429,9 mil eleitores, 169,2 mil eleitores, nada menos do que 39,5% do eleitorado NÃO PARTICIPOU DO PROCESSO DECISÓRIO ELEITORAL. Em termos concretos, de cada 10 eleitores natalenses, quatro se EXIMIU de escolher os 29 representantes da cidade.

Não é objeto desse texto discutir as razões dessa decisão do eleitor natalense, mas precisamos nos debruçar sobre o fato do circo que hoje é a Câmara de Vereadores de Natal, com vereadores que oscilam entre o bizarro e o patético.

Misturam todos os tipos entre os eleitos. Os escandalosos, os apopléticos, os enganadores, os canalhas, os patéticos e toda ordem de figuras que, se tivéssemos o mínimo de consciência, estariam fora da Câmara.

Quando, por curiosidade, nos atrevemos a perguntar o porquê desse afastamento das eleições, ouvimos as mais variadas desculpas, que vão mostrando o quanto o alheamento permissivo das pessoas está introjetado nas suas visões de mundo.

“Prá que votar, se nada vai mudar”, como se os vereadores fossem anjos revolucionários com poderes para brandir a espada salvadora e tirar Natal do atraso econômico e social. “São todos iguais e nenhum presta!” esbraveja aquele que se sente acima da “política” e se sente orgulhoso da sua ignorância. “Voto em meu familiar”, justifica outro, dando importância zero à sua qualidade de vida. “Ômi, voto em qualquer um que me indicarem, desde que eu ganhe alguma coisa”, revela outro, com a sinceridade de um desiludido.

Aliás, o desconhecimento até do que faz um vereador, gera absurdos, como candidatos com plataformas de prefeito, prometendo mundos e fundos. Mas não é apenas isso. Quem imaginou que a pandemia mudaria a atitude das pessoas, depara-se com a mesmice dos candidatos, que mantém a mesma forma miserável de fazer campanha, que é desinformando, mentindo, escondendo o debate e assumindo, cada vez mais, que a cadeira de vereador está mais para bojo de banheiro sujo de rodoviária velha, do que a cadeira de um representante de uma comunidade.

Natal carece de vereadores com posicionamentos racionais, equilibrados, que mostrem conhecimento dos assuntos; que defendam as demandas sociais; que se preocupem, efetivamente, com a qualidade de vida das pessoas, especialmente as mais pobres, e que pretendam que essas pessoas tenham o DIREITO de ser feliz.

Aguardemos.

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