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Em carta a Bolsonaro, delegados da PF citam fake news sobre facada: Não é possível resultado desejado

Por Plinio Teodoro para Revista Fórum

Em carta aberta a Jair Bolsonaro, a Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) citam as fake news defendidas pelo presidente e pelos filhos sobre o atentado cometido por Adélio Bispo dos Santos durante a campanha e diz que “não é possível produzir em uma investigação um resultado específico desejado”.

“Diante das inúmeras notícias falsas que circularam sobre o atentado, a PF prestou todos os esclarecimentos publicamente, ao menos daqueles que não prejudicassem a continuidade das investigações, para que não pairassem dúvidas sobre o inquérito policial. As linhas investigativas continuam sendo exauridas, para que ao final a sociedade tenha a certeza absoluta de que a verdade foi alcançada ou foram esgotadas todas as possibilidades de apuração. Entretanto, não é possível produzir em uma investigação um resultado específico desejado”, diz a carta.

Diante das explicações sobre a demissão de Sérgio Moro do Ministério da Justiça, Bolsonaro disse que “faltou empenho” do ministro e do então diretor da PF, Maurício Valeixo, no caso e cobrou que as investigações descubram um mandante do crime, embora não tenha recorrido da decisão da Justiça sobre a condenação de Adélio.

No texto, a ADPF diz que o inquérito recebeu total atenção da PF, e seguiu em caráter prioritário em razão de ser um crime contra a segurança nacional e a própria democracia. “A comparação em relação a outros crimes é injusta com o órgão, pois cada investigação tem as suas características e dificuldades concretas e próprias”, diz a carta, sobre as comparações com a apuração do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSol) e do motorista Anderson Gomes.

Autonomia

Na carta, a ADPF pede a Bolsonaro que “firme um compromisso público de que o novo Diretor-Geral da Polícia Federal terá total autonomia para formar sua equipe e conduzir a instituição de forma técnica e republicana, sem obrigações de repassar informações ao Governo Federal, ou instaurar ou deixar de instaurar investigações por interesse político ou intervir em qualquer outra já existente”, pedindo o envio de um projeto para escolha do diretor da instituição a partir de uma lista, como é feito com a Procuradoria-Geral da República – e que não foi respeitada por Bolsonaro.

A associação ainda ressalta que é ilegal o envio de informações e relatórios sobre investigações à Presidência, como quer e exigiu Bolsonaro de Sergio Moro.

“O ordenamento jurídico prevê que as atividades investigativas da Polícia Federal são sigilosas e somente os profissionais responsáveis em promovê-las é que devem ter acesso aos documentos. O mesmo se aplica aos relatórios de inteligência. Quando a PF, por meio de suas atividades de inteligência, toma conhecimento de fatos que interessam à tomada de decisões por parte do Governo, estas são compartilhadas pelo Sistema Brasileiro de Inteligência e seguem fluxo já estabelecido até chegar ao conhecimento institucional da Presidência da República,Nnão havendo qualquer previsão legal de comunicações pessoais, gerais e diárias ao mandatário, função esta que é da ABIN”.

Leia a carta na íntegra.

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