CIDADANIA

Em crise com o Governo, policiais declaram apoio às manifestações de servidores

A volta da Polícia Militar ao trabalho, depois de 23 dias de paralisação em protesto contra falta de estrutura e atraso de salários, era uma das garantias que o governo Robinson Faria tinha para aprovar o pacote de ajuste fiscal na Assembleia, contendo as manifestações de servidores públicos nos arredores do Palácio José Augusto.  Contudo, mesmo após o pagamento de salários de dezembro e um acordo que retira a PM da proposta que aumenta a contribuição previdenciária dos servidores de 11% para 14%, a relação da gestão Robinson Faria com as forças de segurança pública segue desgastada.

Isso ficou claro, durante os protestos, quando os manifestantes avançaram por duas vezes para derrubar as grades da Assembleia e ocupar as entradas do prédio e não encontraram quase nenhuma resistência da PM. Em alguns momentos, receberam até palavras de apoio de alguns policiais presentes no ato.

Sob a condição de sigilo, para evitar represálias administrativas, a Agência Saiba Mais conversou com policiais militares convocados para fazer a segurança da Assembleia, durante votação do ajuste fiscal. Eles relataram apoio às categorias que protestavam, dificuldades para reivindicar direitos em uma estrutura militarizada e uma forte rejeição ao governador e às propostas de ajuste fiscal enviadas por ele para o legislativo estadual.

“Estamos ao lado do povo, esse governo está pisando na cabeça dos servidores. Sofremos com  represálias se organizarmos um manifesto, mas mesmo assim muitos colegas nossos estão hoje à paisana ao lado dos trabalhadores. Os piores resquícios da ditadura militar, como esse de reprimir manifestação pública, sobraram para a Polícia Militar, mas não podemos ser favoráveis a um pacote que também vai nos prejudicar”, afirmou um policial que fazia a segurança de uma das laterais da assembleia.

Outro policial,  que acompanhava à distância as manifestações dos servidores, relatou que durante o ápice da crise ocasionada pelo atraso de salários, para conseguir comer,  muitos policiais precisaram de cestas básicas doadas  pela população e por forças de segurança de outros estados, e que agora não poderiam reprimir trabalhadores que estavam nas ruas protestando pelo direito de se alimentar.

“A gente tem coração, não podemos ir contra os trabalhadores que estão lutando pelo direito de se alimentar. Estamos hoje aqui cumprindo ordens, mas vamos evitar entrar em confronto com os servidores”, afirmou.

Durante o protesto realizado na quarta, 16, a Agência Saiba Mais conversou com seis policiais militares e todos relataram queixas contra o governo Robinson Faria, o pacote de medidas do ajuste fiscal e que evitariam qualquer tipo de intervenção junto aos trabalhadores que protestavam.

Estamos juntos com eles.  É frustrante e decepcionante a maneira como todos os servidores estão sendo tratados”, relatou um dos policiais entrevistados.

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Jornalista e militante de direitos humanos