OPINIÃO

Enquanto Jesus não volta

Às vésperas da Copa de 1994, a seleção da Colômbia encantou o mundo. O time aliava uma talentosa geração de jovens que passaria com sucesso, na sequência, pelos gramados brasileiros, a exemplo de Fred Rincon, Faustino Asprilla, Valencia e Aristizábal, com a experiência e a bagagem dos eternos ídolos René Higuita e Carlos Valderrama.

Nas eliminatórias, o escrete colombiano foi responsável por impor a maior goleada da história da Argentina, em Buenos Aires. Um dolorido (para os hermanos, off course) 5 x 0, fora o baile.

Havia quem cravasse os colombianos como favoritos para levar a primeira Copa do Mundo, nos EUA. Um deles foi Pelé, comentarista da Rede Globo na época. Para o Rei, estava escrito nas estrelas que a Julies Rimet desembarcaria em Bogotá após o Mundial daquele ano.

Mas futebol, como diria o poeta, é uma caixinha de surpresas. Veio a Copa do Mundo e a Colômbia não passou sequer da primeira fase. De três jogos, perdeu dois (Romênia e EUA) e venceu um (Suíça). A campanha daquele ano ainda ficaria marcada de forma trágica. O zagueiro Andrés Escobar, autor de um gol contra na partida contra os EUA, seria assassinado um mês depois já na Colômbia.

A “nova geração belga” cantada em verso e prosa em toda a Copa do Mundo, tem um quê daquela Colômbia da primeira metade dos anos 1990. Quando parece que vai vingar, amolece.

Mertens, Lukaku, Hazard e De Bruyne enchem os belgas de esperança e não parecem calçar o mesmo salto alto que fizeram colombianos se acharem superiores aos pobres mortais das demais Seleções. Em contrapartida, a defesa do escrete europeu já demonstrou que sente saudades de casa. Por muito pouco, o Japão não ficou com o bilhete premiado.

Do lado de cá do oceano Atlântico, a seleção vai firmando o passo. Apesar de não ter saído do Brasil tão desacreditada como em 1994, a solidez de Miranda e Thiago Silva, sob as benção de Casemiro e Paulinho, reflete a fortaleza criada por Ricardo Rocha e Aldair sob a proteção de Dunga e Mauro Silva. Com Casemiro suspenso, a expectativa é de que Fernandinho dê conta do recado.

Da meiúca para frente, com a zaga da Bélgica ensaiando o check out no aeroporto de Moscou, o Brasil tem tudo para fazer seu melhor jogo na Copa. Se o futebol de William que finalmente apareceu contra o México der o ar da graça de novo, Philipe Coutinho mantiver a média e Neymar seguir dando o troco em campo pelos esculachos que vem recebendo da mídia nacional e internacional, o caminho do Hexa ficará mais curto.

Enquanto Jesus não volta, vou de 3 a 1.

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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