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Entidades médicas cobram compromisso do governo para diminuir poluição dos veículos

Dezessete entidades médicas de todo o Brasil divulgaram, nesta terça-feira (15), uma carta pública que pede ao Governo Federal a manutenção do atual cronograma do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos (Proconve). Uma das políticas para a melhoria da qualidade do ar mais antigas do Brasil, o Proconve existe desde de 1986 e define limites de emissão de poluentes por automotores. O documento é assinado pela Associação Brasileira de Neurologia (ABN), Instituto Saúde e Sustentabilidade (ISS), entre outras.

O Proconve vem sendo implementado no Brasil há décadas, acompanhando com algum atraso as tecnologias criadas e implementadas em outras nações. A próxima fase, voltada para veículos pesados, está prevista para ser colocada em prática a partir de 2022. Esse tempo de adequação foi definido em 2018, com a participação das próprias empresas.

Ao longo do ano, porém, a indústria automotiva sinalizou algumas vezes a intenção de atuar para adiar o prazo. Uma das justificativas foi a suposta diminuição dos lucros por causa da pandemia do coronavírus. No entanto, em 2019 as vendas cresceram 8,6% na comparação com o ano anterior.

No documento, as entidades médicas destacam que a poluição do ar representa o “maior perigo global ao ser humano depois da Covid-19”. A carta cita o índice Air Quality Life (AQLI), elaborado pelo Energy Policy Institute da Universidade de Chicago, e que indica que, após o controle da pandemia, o ar tóxico voltará a ser o principal risco à saúde das atuais e futuras gerações, “ultrapassando a água insalubre e as doenças transmitidas por vetores”.

Um estudo recente da Universidade de Harvard também é usado para demonstrar os riscos que a poluição representa. A pesquisa concluiu que populações que vivem em regiões poluídas têm 15% a mais de chance de morrer por causa da covid-19. “Dentre 40 cidades no Brasil monitoradas para a qualidade do ar pela OMS, todas se encontram mais tóxicas do que indicam os níveis preconizados para a segurança em saúde”, alertam as entidades.

Endereçada aos membros do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e à indústria automobilística e seus fornecedores, a carta destaca que os prazos atuais do Proconve foram definidos em comum acordo. De acordo com o documento, as novas regras “nada mais são do que a utilização de tecnologias amplamente utilizadas em outras partes do mundo pelas mesmas montadoras que atuam no país”.

Segundo avaliação sobre os impactos da implementação da nova fase do Proconve na saúde pública, do Instituto Saúde e Sustentabilidade (ISS), a nova fase do Proconve tem potencial de evitar 148 mil mortes nos próximos trinta anos. A economia para o setor de saúde chegaria a R$ 575 milhões em internações hospitalares.

Fonte: Brasil de Fato

 

 

 

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