CIDADANIA

Entidades repudiam agressões verbais de blogueiro de extrema direita que comparou professores a traficantes no RN

Várias entidades ligadas à educação no Rio Grande do Norte assinaram uma nota conjunta de repúdio às declarações do blogueiro de extrema direita, Gustavo Negreiros, que afirmou durante programa de rádio da 96FM que professores de história, geografia, filosofia e sociologia eram mais perigosos para crianças e adolescentes do que traficantes. No documento, as entidades questionam quem teria medo das disciplinas e criticam a postura do blogueiro ao afirmar que as mesmas “assustam aos que fazem apologia à passividade e submissão irrefletida das pessoas que tais sujeitos pretendem manter como gados diante do abatedouro”.

Por causa das declarações, pela segunda vez, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Rio Grande do Norte vai entrar com uma ação na justiça contra Negreiros. Durante a pandemia da covid-19, ainda no ano de 2020, o blogueiro acusou os professores de estarem recebendo seus salários sem trabalhar, apesar das já sabidas extenuantes jornadas de trabalho encaradas pelos professores provocadas pelas aulas remotas, que exigem maior tempo para elaboração do material didático com utilização de recursos tecnológicos que muitos, até então, sequer tinham contato. O processo ainda corre na Justiça e a última notícia recebida pelo Sindicato dos professores foi de que Negreiros não havia sido localizado em casa para receber a notificação de intimação do juiz.

As entidades ainda acrescentaram sobre a postura do blogueiro que: “… denota, em primeiro plano, uma grande desinformação em relação a esses componentes curriculares e, em segundo momento, um alinhamento com o pensamento destrutivo e odioso que não entende a necessidade de um processo educacional emancipador”.

Entidades que assinam a nota:

▶ ADUERN (Associação dos Docentes da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte)

▶ ADUFERSA (Associação dos Docentes da Universidade Federal Rural do Semi-Árido)

▶ ADURN-SINDICATO (Sindicato dos Docentes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte)

▶ AGB (Associação Dos Geógrafos Brasileiros – Seção Local Caicó – RN)

▶ ANDES-SN (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior- Regional Nordeste II)

▶ DCE-UERN (Diretório Central das e dos Estudantes – Anatália de Melo Alves)

▶ DFI-UERN (Departamento de Filosofia)

▶ DGE-UERN (Departamento de Geografia)

▶ DHI-UERN (Departamento de História)

▶ FAFIC-UERN (Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais)

▶ Movimento Kizomba

▶ NCE-IFRN (Núcleo Central Estruturante de Filosofia do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do RN)

▶ PROF-FILO/UERN (Mestrado Profissional em Filosofia – Núcleo UERN)

▶ SINTE-RN (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Rio Grande do Norte)

▶ UEE/RN (União Estadual de Estudantes do RN)

▶ SINASEFE (Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissionais e Tecnológica – Seção Mossoró)

▶ SINASEFE (Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissionais e Tecnológica – Seção Natal)

Veja o vídeo:

 

Demitido por ataques

Em setembro de 2019, o blogueiro Gustavo Negreiros já havia sido demitido da 96 FM depois de atacar de forma grosseira a ativista sueca Greta Thunberg. Na ocasião, ele disse que a ativista de 16 anos de idade e autista era “histérica”, “mal amada” e que precisava “de um homem e de sexo”.

A demissão, porém, não durou muito. Em março de 2020 ele já estava de volta e em comentário, ao vivo, afirmou que vereadora Marielle Franco, assassinada em 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro, era “miliciana” e que havia morrido em razão de uma “briga caseira” entre grupos ligados à milícias cariocas.

Condenado na Justiça

Recentemente, Gustavo Negreiros foi condenado a 8 meses e 26 dias de detenção, além de multa pelo crime de calúnia contra o diretor-presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa do Rio Grande do Norte (Fapern), Gilton Sampaio de Souza. Mas, como não se tratava de crime com violência ou grave ameaça e a condenação de privação de liberdade foi inferior a quatro anos, a punição foi substituída por pena restritiva de direitos, com prestação de serviços à comunidade. Com isso, o juiz Francisco Gabriel Maia Neto também assegurou o direito de Gustavo permanecer em liberdade.

Em fevereiro de 2019, Negreiros acusou Gilton de prevaricação, ao escrever que o professor e pesquisador utilizara passagens aéreas pagas pela instituição pública e participava de atos administrativos sem tomar posse no cargo de diretor-presidente da Fapern, órgão que tem a função de apoiar e difundir pesquisas tecnológicas. A publicação com informações mentirosas dizia, ainda, que bolsistas da Fundação estavam sem receber salários porque o professor ainda não havia tomado posse e assinado o convênio que liberaria as bolsas.

Em queixa-crime, Gilton Sampaio apontou que as declarações são criminosas e lhe afetavam a honra e a imagem nacionalmente. Gilton é professor efetivo da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN) desde 1994, doutor em Linguística e Língua Portuguesa e PhD em Estudos Comparados – Português/Francês.

Gilton argumentou ainda que as passagens foram adquiridas com seu próprio dinheiro, e que foi nomeado para a presidência em 5 de janeiro de 2019, não sendo possível tomar posse devido aos trâmites burocráticos necessários para a efetivação de sua cessão da UERN para a Fapern, que teve pedido realizado de imediato. Também não havia relação entre a posse do gestor e atraso de pagamento de bolsas.

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