CULTURA

Entre Bauman, Magritte e a sociedade do amor líquido

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O ensaio Amores Líquidos, assinado pela fotojornalista Meysa Medeiros, abre a seção Mais Olhares para profissionais e freelancers da fotografia que atuam na área dos Direitos Humanos com abordagem em um dos quatro eixos trabalhados pela agência Saiba Mais: cidadania, democracia, transparência e cultura. A seção Mais Olhares terá a curadoria do editor de imagens da agência Vlademir Alexandre e contará com dois ensaios por mês.

Meysa Medeiros é fotojornalista freelancer e atualmente divide o tempo entre a conclusão do curso de fotografia na Universidade Potiguar, trabalhos autorais e fotografia comercial. A inspiração para o ensaio Amores Líquidos vem da obra do sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman, do artista plástico belga Renê Magritte e das contradições da sociedade atual.

– Na minha releitura, a utilização dos tecidos na ocultação dos rostos presentes na obra de Magritte representa a liquidez das relações, ou seja, a falta de compromisso desses laços afetivos inexistentes na vivência contemporânea. Bauman, em suas falas, argumentava que uma sociedade que passou a viver em redes sociais ­como a nossa­, e não mais em comunidade, se organiza por duas atividades: conectar e desconectar, propagando a ideia de desapego e falta de empatia com o outro.

Amores Líquidos foi produzido em 2016 como narrativa fotográfica dentro de uma disciplina curricular. Para explicar o processo de criação, Meysa geralmente utilizava temáticas que envolvem o cotidiano as ruas, festas populares e pessoas, de forma documental. Dessa vez, no entanto, a fotógrafa preferiu sair da zona de conforto e partir para um trabalho mais artístico.

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– A ideia era fazer uma salada de sentimentos e sensações que estava vivenciando no momento. Tanto de coisas boas como ruins, descobertas e amarguras tudo ao mesmo tempo. Lembro que estava bem empolgada com o estudo das artes e curiosa sobre alguns pintores, tais como Gustav Klimt e o próprio René Magritte.

Questionada sobre a mensagem que espera passar com Amores Líquidos, a fotojornalista se agarra às fragilidades do mundo subjetivo. Para ela, a atual fase política e econômica do país influencia o comportamento geral da sociedade:

– Mundos subjetivos individuais­ fragilizam os sentimentos de pertencimento e empatia, favorecendo uma visão pragmática das relações, cujos valores passam a ser definidos pela utilidade, e não pela ligação que se estabelece com o outro.

Os interessados em saber mais sobre o trabalho autoral de Meysa Medeiros podem acessar as redes sociais da fotojornalista pelos seguintes endereços:

Instagram Autoral: @meysamedeiros / Instagram Comercial: @meysa_medeirosf

Ou entrar em contato diretamente com Meysa pelo e-mail: meysamedeiros@yahoo.com.br

 

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