ENTREVISTA

“Desafio redobrado”, diz vereadora Júlia Arruda após tomar posse em Secretaria das Mulheres e Direitos Humanos do RN

Julia Arruda (PCdoB), vereadora de Natal no quarto mandato, tomou posse na tarde desta quinta-feira (8) como titular da Secretaria Estadual das Mulheres, da Juventude, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos (Semjidh), em cerimônia com a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), o vice-governador, Antenor Roberto (PCdoB) e uma série de autoridades, incluindo parlamentares municipais e estaduais, Ministério público e representantes de movimentos.

“Desafio redobrado”, declarou, ao assumir o primeiro cargo no Poder Executivo, sucedendo a ex-prefeita Eveline Guerra, que ficou um ano e meio à frente dos trabalhos. Júlia é a terceira secretária do órgão, criado em maio de 2019 com o objetivo de formular e implementar políticas públicas destinadas aos segmentos vulnerabilizados da população. A primeira foi a promotora de Justiça aposentada Arméli Brennand.

Como secretário adjunto, acompanha o ex-chefe de gabinete da vereadora, Osivam Barreto. As subsecretarias de Mulheres, Juventude e Direitos Humanos mantiveram seus gestores.
Durante o evento, realizado em formato híbrido e transmitido pelo Youtube, Júlia Arruda declarou que chega ao governo para somar e agregar na construção, do que considera ser a obra da atual gestão: “transformar a vida das pessoas”.

A governadora trocou elogios com a recém-empossada secretária e conhecendo as pautas já trabalhadas pela novata, sugeriu que leve a luta pelo combate à violência contra as mulheres para as escolas.

“A Semjidh é uma secretaria voltada a fazer articulação. É o que sempre tenho dito à equipe, intersetorialidade. Por exemplo, no campo da Educação. Júlia, vocês têm que colocar a Lei Maria da Penha nas escolas. A Secretaria de Educação com a Semjidh podem fazer isso. A escola deve ser um local para desconstruir preconceito, ódio, intolerância, desamor. A escola é um espaço pra proclamar civilização, respeito, diversidade. Isso não é nada de ideologia, é uma questão de direitos humanos”, disse Fátima Bezerra, encerrando sua fala ao citar Santo Agostinho: “A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las”.

Confira entrevista concedida pela secretária à Agência Saiba Mais:

Como se deu o convite para participar do Governo? Foi difícil deixar o mandato na Câmara?
O convite partiu da governadora Fátima Bezerra e do vice-governador Antenor Roberto. De fato, foi uma decisão que exigiu muita reflexão e amadurecimento. Temos um trabalho já consolidado e reconhecido na Câmara Municipal de Natal, ao longo de 4 mandatos, na defesa dos direitos fundamentais, especialmente nas áreas da Mulher, da Criança e do Adolescente e da Pessoa com Deficiência. Mas a vida é cheia de desafios, e hoje desembarco em uma secretaria que tem tudo a ver com o que sempre defendi em minha atuação, com o compromisso de avançar nas políticas públicas de inclusão, proteção, igualdade de autonomia.

Que legado a vereadora Júlia deixa para Natal?
Ao longo de quatro mandatos, posso dizer que contribuímos muito na construção de uma Natal socialmente mais justa. Mas temos algumas iniciativas que merecem destaque: a criação da Patrulha Maria da Penha, fruto de muita luta e mobilização social; os Jogos Paradesportivos, que de sonho virou projeto e hoje é uma realidade; o Teste do Coraçãozinho para identificar a cardiopatia em recém nascidos; a Semana do Bebê, voltada aos cuidados com a primeira infância; e o Setembro Dourado para diagnóstico precoce do câncer infantojuvenil.

Como avalia o papel da Semjidh para a sociedade?
Como bem coloca a governadora Fátima, a SEMJIDH é uma secretaria de articulação, que tem como papel primordial garantir, por meio do diálogo com outros órgãos da administração estadual direta e direta, que a gestão tenha um olhar dedicado às pautas relativas às mulheres, à juventude, à igualdade racial, aos direitos humanos, às pessoas com deficiência, à comunidade LGBTQIA+ e tantos outros segmentos que compõem o plural espectro de atuação da pasta.

Quais serão as primeiras ações à frente da pasta?
Estamos tomando pé das políticas e, enquanto a secretaria se instala fisicamente, pretendo sentar com a equipe, realizar visitas a instituições e entidades que compõem as rede de atendimento e proteção, e viabilizar parcerias a níveis Municipal e Federal. Porque sabemos que tudo passa pelo investimento em orçamento, por exemplo, e já temos algumas sinalizações importantes da bancada federal.

Há algum projeto idealizado como vereadora e que sempre quis executar se estivesse na equipe de gestão de Natal ou do estado?
Costumo dizer que o Legislativo é o poder que pede, que reivindica, e agora terei a oportunidade de estar sob um outro ponto de vista do Poder Público. Não teria um projeto específico para destacar porque todas as iniciativas que apresentamos na Câmara Municipal ao longo desses anos gostaríamos e lutamos incansavelmente para ver acontecer na prática. E agora teremos a oportunidade de interiorizar boa parte dessas iniciativas.

Como encara o desafio de trabalhar na defesa de pessoas em situação de vulnerabilidade ao mesmo tempo em que o Brasil passa pelo aprofundamento da pobreza junto com a intolerância estimulada pelo presidente da República?
Encaro como um desafio redobrado. O contexto não é favorável. Além da pandemia e de todas as suas graves consequências, enfrentamos a ameaça constante da retirada de direitos e um verdadeiro desmonte das políticas assistenciais e identitárias. Mas, ao mesmo tempo, temos no RN um governo popular sensível a essas pautas – o único do país comandado por uma mulher, diga-se de passagem. E isso não só nos orgulha, como dá motivos e incentivo para acreditar e seguir lutando e resistindo.

 

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Isabela Santos
Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais

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