CULTURA

Equipe de Sideral chega a Paris e conta as horas para o festival que pode levar cinema potiguar ao topo de Cannes

A equipe do filme Sideral, dirigido por Carlos Segundo, está em Paris desde o dia 30 de junho e permanece em quarentena obrigatória, em razão da pandemia, por 10 dias. O curta-metragem foi indicado a disputar o troféu Palma de Ouro, no prestigiado festival de Cannes, na França.

É a primeira vez que um filme produzido no Rio Grande do Norte recebe a indicação.

Nesse período de quarentena, Carlos, Pedro Fiúza, Mariana Hardi e Mateus Cardoso só podem sair de casa entre 10h e 12h para comprar comida. O grupo fica até o dia 11 em Paris, quando segue para Cannes, distante 900 quilômetros da capital francesa. Na cidade do festival os potiguares permanecem até 18 de julho. O festival começa terça-feira (6), mas a premiação está marcada para dia 17. O retorno para o Brasil está confirmado para o dia 20.

– Não conseguimos fazer muito além de trabalho no apartamento em que estamos ficando, pois em quarentena de 10 dias só podemos sair das 10 as 12h pra comprar comida, então temos feito toda a parte de produção do filme em Cannes de casa aqui”, conta Pedro Fiúza, um dos produtores do filme.

Matheus Cardoso alterna no filme as funções de ator e de assistente de produção. E destaca que os momentos na França têm sido de celebração pelo cinema:

– Está sendo uma enorme aventura e uma enorme honra. Essa parte da gente estar quarentenado trabalhando juntos está sendo uma forma curiosa de celebrar esse momento. Cinema é um trabalho coletivo, uma arte coletiva. E a gente veio em equipe para vivenciar isso. Pelo menos esse período inicial de quarentena está reforçando ainda mais esse aspecto”, avalia.

Pedro, Mariana e Mateus são fundadores da Casa de Praia produções e integram a equipe do filme.

O grupo já fez contato com equipes de outros filmes que também vão participar do festival, mas o encontro pessoal não foi possível em razão dos protocolos de segurança sanitárias exigidos na França.

Sobre a expectativa com a chegada da premiação, o Fiuza diz que a equipe trocou a ansiedade por felicidade:

A gente está super feliz porque está tendo bastante repercussão e muita gente falando do filme. Eu acho que como tem a exibição e a premiação, a coisa da exibição não é nem expectativa, é mais felicidade porque a gente já está dentro, já conseguiu essa conquista que é a seleção na competição oficial – o lugar de maior prestígio do festival”, conta, antes de completar:

– Quanto à premiação, estamos otimistas, por todo esse retorno que está tendo. Mas claro, não dá pra saber. Estamos tentando medir de um ponto de vista profissional, pensando na configuração de todas a variáveis do festival. Então expectativa acho que vira planejamento, e aí a gente vai ver o resultado em relação ao que a gente planejou. Porque o fim de Sideral não será no dia da premiação, ali será o começo da trajetória do filme e a continuidade do nosso trabalho de anos”, reflete

Sideral não é o primeiro filme da Casa de Praia produções enviado a Cannes, lembra Mateus. Mas chegou a hora:

– Estou ansioso também, quero conhecer, nunca tinha ido para a França, mas já sonhava com isso. Não é o primeiro filme da produtora que a gente manda para Cannes. A gente quer crescer, quer espalhar o cinema. Esse ano deu certo”, comemora.

 

 

 

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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