CULTURA

Escola de Samba de Natal resgata ancestralidade africana no carnaval

Associação Recreativa e Cultural Escola de Samba Batuque Ancestral surgiu em 2018 por força do axé das rodas de samba que acontecem semanalmente no Bar de Nazaré, nas adjacências do Beco da Lama. A escola desfilou no carnaval de Natal pela primeira vez no ano passado, no grupo de acesso, e tem como principal objetivo abordar através da cultura pautas políticas, sociais e lutar contra o racismo e a criminalização dos povos de origem africana. Em 2020, o enredo do desfile é  “Um quilombo chamado Brasil! Resistir para existir”.

A Batuque Ancestral é a escola de samba mais nova fundada em Natal. Quem financia a agremiação, que em 2020 vai em busca do tão sonhado acesso ao grupo Especial, são os próprios integrantes da associação. A Prefeitura atualmente proporciona uma ajuda de custo de R$ 10 mil, porém, o valor não tem data para chegar a escola. Por isso, uma vakinha online foi aberta para custear as fantasias, instrumentos, adereços e alegorias do desfile de 2020.

A escola de samba Batuque Ancestral desfila no Sábado de carnaval na Av. Duque de Caxias, Ribeira, a partir das 23h. A vakinha para ajudar a escola em seu desfile pode ser acessada aqui.

“Nossa proposta é contar a história do nosso povo que não é contada como ela é. Falar do índio ao negro sem que o opressor seja o herói. O Carnaval é a festa da carne, um dos motivos para lembrar ao nosso povo que a carne mais sofrida é a do índio, negro, pobre e nordestino”, relata o diretor de carnaval da escola, Rafael Oliveira.

Inclusão

A Batuque Ancestral já provou que a inclusão social não é do enredo para fora. Em 2019, foi a primeira escola de samba do Brasil a desfilar com uma ala de surdos e cadeirantes. A escola também possui intérprete de libras, função a cargo da diretora de inclusão Brígida Paiva. O objetivo é não deixar pessoas com deficiência auditiva de fora da mensagem de luta transmitida nos ensaios e desfiles.

Batuque Ancestral é uma organização que através do samba, jongo, lundum e capoeira, grita e canta ao povo oprimido que eles não estão sós, festejando, comemorando e lembrando dos ancestrais do povo negro como herança histórica. O samba enredo foi composto pelo músico e diretor da escola Carlos Brito. O trecho reproduzido abaixo mostra do que é feito o samba da Batuque:

“Livres, correr e voar sem ser castigados
Ser o que quiser, de fato e direito o nosso lugar
De punhos cerrados, não vamos parar,
Seguimos firmes, fé é quem nos guia  
Quebrou a corrente dessa agonia.”        

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Kamila Tuenia
Jornalista potiguar em formação pela UFRN, repórter e assessora de comunicação.