CIDADANIA

Escolas públicas do RN precisam de investimento federal para retorno em 2021

Com as notas do Ideb (Índice de Desenvolvimento da educação Básica) anunciadas na terça (15) e os resultados preocupantes no Rio Grande do Norte para o ensino médio que não conseguiu atingir suas metas na rede pública (nota: 3,2/ meta:4,2), nem na privada (nota: 5,6/ meta: 6,5), professores e gestores estão correndo contra o tempo.

A matemática talvez nunca tenha sido tão difícil. As escolas privadas já começaram seu retorno às aulas, mas os alunos das escolas públicas só voltam à rotina escolar em 2021, com um agravante: a falta de recursos para adaptar as escolas às novas normas sanitárias decorrentes da pandemia da Covid-19.

Há uma preocupação muito grande. É preciso investimento federal para que os estudantes possam estar em sala com as devidas precauções. Sem repasses federais pra organização das escolas vai ficar difícil, porque tivemos queda muito grande na arrecadação e algumas cidades vivem só do Fundo de Participação dos Municípios. Essa crise não é apenas sanitária, mas também econômica que acentuou a crise que já estávamos vivendo. Queremos essa organização para que escolas possam receber as pessoas da melhor forma possível, para não colocar ninguém em risco até porque os gestores podem responder administrativamente por isso”, adverte Rute Régis, professora do Departamento de Fundamentos e Políticas Educacionais do Centro de Educação UFRN e Diretora da Associação Nacional de Política e Administração da Educação (ANPAE/RN).

O risco das escolas não retornarem no ano que vem existe, mas tanto Estado quanto Município já trabalham dentro da perspectiva de não haver repasses da União, explica Rute Régis, que também faz parte do Comitê de Educação para Gestão das Ações de Combate à Pandemia da Covid-19, responsável por elaborar as diretrizes que vão subsidiar os planos de trabalho das escolas.

O Governo Federal ainda não sinalizou recursos para a educação. Todas as transferências realizadas até agora foram para a saúde. Há uma grande preocupação em como as escolas vão se organizar para 2021. As orientações se dão a partir da biossegurança, como o distanciamento entre carteiras, não se deve voltar todos de uma vez. A proposta é que haja um ensino híbrido. Mas, a escola pública precisa contratar mais professores e profissionais em geral. Muitos hoje são do grupo de risco. Na escola privada isso é mais fácil de resolver”, avalia.

Rute Régis, Professora do Dept. de Fundamentos e Políticas Educacionais do Centro de Educação UFRN e Diretora da ANPAE/RN

RN teve 4º pior desempenho do país no ensino médio, mas bate meta nos anos iniciais do ensino fundamental

O Ideb vai de 0 a 10 pontos e leva em conta a aprovação, reprovação e abandono escolar dos alunos, além do desempenho nas provas de português e matemática no Saeb (Sistema de Avaliação de Educação Básica). A avaliação é realizada a cada dois anos e o comparativo foi feito entre 2017 e 2019.

O Rio Grande do Norte teve o quarto pior desempenho no Ensino Médio do país. De maneira geral, as escolas públicas e privadas do Estado tiveram média de 3,5, enquanto a meta era de 4,5. Mas, além dos índices nacionais, cada estado e região têm suas próprias metas, de acordo com suas realidades.

A situação é mais complicada nos anos finais e ensino médio, período em que os alunos apresentaram notas mais baixas. Já no ensino fundamental o Estado potiguar conseguiu até superar as metas estabelecidas.

Falta professores nas redes públicas de ensino, tanto do Estado quanto dos municípios. Alguns atuam em um componente curricular sem ter formação específica pra isso. Às vezes é o próprio pedagogo que dá aula devido à falta do professor da disciplina. Apesar de termos tido nos últimos governos um aumento na formação de professores e ampliação de cursos de licenciatura, é preciso fazer concurso público. Os contratos provisórios são um grande problema porque precarizam ainda mais o trabalho docente. Os professores que trabalham nesse sistema não têm os mesmos direitos que os concursados. Muitas prefeituras fazem contrato só para o período de aula, os professores não têm férias remuneradas, por exemplo. Em algumas cidades do interior, não tem um único professor concursado”, preocupa-se a professora.

RESULTADO IDEB RN: ENSINO FUNDAMENTAL: (1º ao 9º anos)

Meta escolas públicas: 4,4
Nota escolas públicas: 4,7
Meta nas escolas privadas: 6,7
Nota nas escolas privadas: 6,5

ÍNDICE GERAL RN:  5,2 pontos/ META: 4,7

RESULTADO IDEB RN: ENSINO MÉDIO (1º, 2º e 3º anos)

Meta nas escolas públicas: 4,2
Nota nas escolas públicas:  3,2 (30,1% tiveram nota abaixo de 3.1)
Meta nas escolas privadas: 6,5
Nota nas escolas privadas: 5,6

ÍNDICE GERAL RN: 3,5 pontos/ META: 4,5

Enem

Se a diferença entre a média do ensino público e privado já era preocupante, essa distância tende a se acentuar nos próximos anos, com o retorno diferenciado das instituições por causa da pandemia.

Estamos muito apreensivos. Apesar das aulas não presenciais, a aprendizagem fica aquém. Com certeza esse estudante da escola pública será prejudicado por uma série de fatores: pela dificuldade de acesso às aulas, à internet e até questões de ordem econômica e familiar”, avalia Rute Régis.

Atualmente, o investimento médio por aluno na escola pública é de R$ 3 mil por ano, enquanto na privada esse valor chega a ser duas a três vezes maior, uma diferença que se reflete no bem estar do estudante na instituição e nos resultados das avaliações.

Estamos muito aquém do valor por aluno da rede privada, que tem muito mais investimento. Isso se reflete na infraestrutura, desde sala de aula com ar condicionado e quadra de esportes, à organização da escola como um todo”, comenta a professora que também é Diretora da Associação Nacional de Política e Administração da Educação/ RN.

Artigo anteriorPróximo artigo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *