OPINIÃO

Espantalhos e catrevagens da democracia fragilizada do Brazil

Os espantalhos são comumente usados, principalmente no interior dos EUA, para afugentar pássaros, principalmente os corvos, que atacam plantações de milho. Nos contos de terror, a figura do espantalho é associada ao sombrio e aterrador e causa, de fato, sustos nos mais sensíveis. Já as catrevagens são restos de construção, imprestáveis, sem serventia.

Olhando o que se passa nesse país, o que mais vemos hoje em dia são espantalhos e catrevagens espalhadas pela sociedade e representam o estágio de degenerescência civilizatório a que estamos submetidos. Pessoas de baixa índole, corruptas, mesquinhas, canalhas, cretinas, ignorantes, torpes, mentirosas formam um conjunto de ações e discursos que literalmente fazem jorrar estercos fétidos nas nossas caras.

Existe toda uma sorte de espantalhos, a começar pelo vice-presidente Mourão, uma pessoa que se apresenta “moderado” até o momento em que começa a emitir fonemas, resultando em frases e palavras que trazem toda uma carga sombria, relembrando o Golpe de 1964 como se fora uma “festa cívica”, além de manter uma fala que lastreia e respalda seu chefe, o Mandrião. Mourão, como se diz aqui no Nordeste, “se faz de inocente”, mas é tão responsável quanto seu Duce, pelas milhares de mortes que acompanhamos dia após dia.

Já as catrevagens são verdadeiros “basculhos sociais”, rejeitos humanos, cobertos de ressentimento sobre sua própria condição de inútil; recalcados, porque não aceitar sua pequenez social e culpa os outros, no caso, as esquerdas, pela sua insignificância. As catrevagens são, em média, violentas e estúpidas, e se pautam pela mentira “estilo Goebbels”, ou seja, mente-se até que ela (a mentira) se torna aceitável, pelo menos.

Aqui na Terra de Poti, a lista de espantalhos e catrevagens é longa, reúne pseudojornalistas, arremedos de intelectuais, estrumes fascistas da pior espécies, falastrões movidos a ódio, cretinos que sabotam a luta contra a pandemia e até mesmo as velhas raposas políticas, cujo cálculo é o de que ancorar-se nesse governo, lhe trará “retornos eleitorais” em 2022, ou seja, move-se pela necropolítica e aposta na morte.

Existe coisa mais desprezível do que furar a fila da vacina, nestes tempos tão sombrios? Pois aqui temos esses “fura filas” desprezíveis, tendo inclusive um deles, um vereador de Parnamirim, cujo nome sequer merece ser pronunciado, sido preso por, vejam só, montar um esquema para furar filas. O “universo” dessa fauna sombria chegar a provocar calafrios naqueles que respeitam a Constituição e são partidários da democracia representativa.

Como enfrentar essa caterva, essa súcia desqualificada que, infelizmente, detém a simpatia de boa parte dos eleitorais, bastando ver, para comprovar isso, as composições das principais Câmaras Municipais das maiores cidades do estado (Natal, Mossoró e Parnamirim), da Assembleia Legislativa, da maior parte dos nossos deputados federais e de um dos senadores? Como retirar a venda dos potiguares, que acreditam nas mentiras dessa cacária e dessa farândola anti-civilizatória?

O tempo da pandemia, hoje o tempo da nossa vida, apressa-se em nos mostrar o quanto essa saparia está destruindo lares, devastando vidas, encolhendo a economia, rasgando o tecido social e apontando para um horizonte de muitos anos em que até a nossa estimativa de vida regrediu aos anos 40. Obviamente que, devido à poderosa máquina de mentiras à disposição desses bandoleiros, é pouco provável que a informação, hoje distorcida e deformada, seja capaz de fazer com que as pessoas, mesmo aquelas que enterraram seus entes queridos ou sofrem das sequelas da pandemia, estejam dispostas a defender a civilização e a democracia.

A tragédia brasileira, caso não tenhamos a derrota dessa matilha em 2022, se prolongará por décadas, e os jovens estarão condenados a vagar de emprego em emprego, sem chance de ter a possibilidade de construir uma vida que lhe possibilitar construir-se como cidadão, será um andarilho social.

A Peste Negra gerou o Renascimento, mas isso levou 200 anos e a Gripe Espanhola, junto com a Guerra de 1914-18, deu origem ao fascismo na Itália; no nazismo alemão; no salazarismo em Portugal e no franquismo espanhol, além das pequenas, mas brutais ditaduras de extrema-direita, que se espalharam pelo Velho Continente, e cujo eco chega aos nossos dias.

Por quanto tempo ainda caminharemos para trás? Aonde chegaremos?

 

 

 

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