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Espetáculo Jacy reabre atividades da Casa da Ribeira após um ano e meio de pandemia

“A experiência teatral só acontece de forma plena no presencial”, defende o ator e diretor Henrique Fontes, do Grupo Carmim, que acaba de anunciar a reestreia do espetáculo “Jacy” para a reabertura oficial da Casa da Ribeira. A peça será apresentada nos dias 7 e 8 de agosto, às 19h. Com a limitação de público para até 80% da capacidade e medidas sanitárias, só será possível alocar até 104 pessoas por sessão.

Em “Jacy”, somos apresentados à vida de uma potiguar nascida em Ceará-Mirim, na década de 1920. Ela vive Natal no período da Segunda Guerra Mundial e se apaixona por um dos muitos soldados americanos enviados à capital. Depois, segue para o Rio de Janeiro, onde acompanha os fatos da Ditatura Militar no Brasil. Com isso, a peça vai de temas como a vanguarda das mulheres e a política coronelista no Brasil ao abandono de idosos e a falsa ideia de progresso.

A história mescla fatos reais com possibilidades criadas a partir dos pertences de uma mulher identificada como Jacy, que perdeu uma frasqueira recheada de objetos pessoais. A maleta foi encontrada por Henrique e a curiosidade despertada sobre aquela pessoa deu origem ao espetáculo que nasceu em 2013, na Casa, e que já rodou 22 estados do país.

 

Alegria e revolta no retorno ao palco

“Estamos muito emocionados, [o momento] mexe com muitos sentimentos”, diz Fontes sobre a reestreia. Ele desabafa que há um misto de alegria pelo retorno e revolta pelo atual contexto político e pandêmico brasileiro. O país já registra 546 mil mortos pela doença e o diretor reclama que muitas mortes poderiam ter sido evitadas ser houvesse “um governo decente”.

O ator também explica que não houve, nem antes, durante ou é esperado para o pós-pandemia, uma estruturação que possibilite um retorno adequado para as atividades culturais.

“Tivemos a lei Aldir Blanc, uma conquista da classe no Congresso Nacional que possibilitou recursos mas não propôs uma reestruturação para a pandemia e o pós-pandemia”, explica, demarcando que a falta de políticas públicas voltadas para o setor reforçam uma característica do país de “deixar de lado” os artistas. “Nós só somos vistos na hora da festa”, define.

Mesmo assim, ele argumenta que o teatro, principalmente, nunca parou e o Brasil foi um dos poucos países, segundo ele, a desenvolver uma forma de apresentação teatral online. Contudo, para o diretor, a experiência de contato com o público na encenação de histórias é prioritariamente presencial, seja no palco, nas ruas, ou qualquer outro espaço com atores e público.

Quando foi decretada a pandemia de coronavírus, em março de 2020, Jacy estava prestes a estrear no Rio de Janeiro (RJ), no Teatro Sesi-Firjan. A primeira apresentação estava marcada para 26 de março daquele ano, mas nunca aconteceu. Mesmo assim, até hoje o cartaz está na fachada do lugar. “É a temporada mais longa em um teatro cuja peça nunca foi apresentada”, diz o diretor. Foto: Cedida.

O quadro de melhora no RN traz uma segurança mínima para o retorno, explica. A ocupação dos leitos de UTI para Covid estava em 47,9%, até a noite desta quinta-feira, 22, segundo o Regula RN. De acordo com o RN +Vacina, pelo menos 1,4 milhão de potiguares já receberam pelo menos a primeira dose da vacina e mais de 532 mil já estão com as duas doses de imunizantes contra a Covid-19 aplicadas.

O diretor conta que, em menos de 24h do anúncio do Espetáculo, metade dos ingressos já haviam sido vendidos. “As pessoas querem, confiam, sabem que vamos acomodá-las da forma correta, todos os procedimentos de segurança sanitária”, garante.

Para assistir o espetáculo, será exigido uso de máscaras PFF2 ou Descartáveis de tripla proteção. Não sendo permitida a entrada com máscaras exclusivamente de pano. Os ingressos para Jacy estão disponíveis aqui ao preço de R$50,00, garantindo 50% da quantidade disponível no valor de meia-entrada (10% a mais do que exigido pela Lei 12.933/2013).

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