OPINIÃO

Esqueçam o “eleitor de Bolsonaro”: o foco é a campanha, não vingança

Já escrevi sobre esse tema tantas vezes, aqui neste Saiba Mais e em minhas redes sociais que já devo estar chateando e entediando leitores e leitoras. Mas, em início de ano eleitoral, com uma campanha presidencial que promete ser acirrada e desleal (nem me venham com a conversa que Lula está eleito) e a necessidade de tirar do poder esse desgoverno fascista, ser repetitivo às vezes é necessário.

Leio e ouço muito amigos e amigas criticarem a situação atual (o genocida, falta de vacinas, inflação etc) e em vez de voltarem energia contra o despresidente, optarem por atingir quem o colocou lá, ou seja, “os eleitores de Bolsonaro”. Esse é um prisma equivocado de ver a realidade e a política. Vamos por partes:

1) No primeiro ano de governo e com todos ainda no calor do que foi a campanha é normal que o rancor faça parte da análise política. Contudo, passados mais de três anos de um governo, não existe mais “eleitores de Bolsonaro”, estes o foram em 2018, estamos em 2022, quem votou no genocida pode não faze-lo mais, portanto, é errado, pouco inteligente e politicamente um gol contra trata-los ainda assim. São pessoas que votaram em Bolsonaro e pronto. Muitas se arrependeram e pronto, não votarão mais nele. É o que precisamos em 2022, que não votem nele. Não precisamos de chibatadas e execração públicas de quem votou no “mito”; precisamos tira-lo do poder. Para isso precisamos dos votos dos arrependidos.

2) E esses arrependidos são muitos. Bolsonaro foi eleito no segundo turno com 55,13% dos votos válidos. No primeiro turno, teve 46,03%. Hoje em qualquer pesquisa, Bolsonaro mesmo com o poder na mão não tem mais de 25% das intenções de voto. Não precisa ser matemático ou estatístico para perceber que milhões de pessoas que votaram em Bolsonaro em 2018 não pretendem repetir o voto. São, portanto, ex-eleitores de Bolsonaro. Não é preciso fustiga-los ou lembra-los a cada instante que eles votaram em um monstro. Basta que não votem mais e que consigam mais votos para tira-lo do poder.

Em suma, não se faz política nem se derrota fascismo olhando para o retrovisor nem policiando o que se fez no verão passado. Stalin, Roosevelt e Churchill em Yalta que o digam. E Lula, gênio político, sabe disso. Não está interessado em quem votou ou não ou quem apoiou Bolsonaro em 2018. Lula quer ser eleito e governar, e para isso sabe que tem que contar com ex-apoiadores e eleitores de Jair.

Em tempo: Pesquisas sérias apontam que um grande número de eleitores de Lula entre 2002 e 2014 acabou votando em Bolsonaro em 2018 e agora pretende votar novamente em Lula em 2022. Pois é, a política é coisa complicada, assim como a vida. Retomaremos em outro texto a este tema.

Clique para ajudar a Agência Saiba Mais Clique para ajudar a Agência Saiba Mais
Artigo anteriorPróximo artigo