OPINIÃO

Esquece nosso amor, vê se esquece…

Não sei muito bem como e quando comecei a sentir seu distanciamento repentino, que agora eu cogito inúmeros motivos para acontecer assim, e tenho consciência (essa merda que não deveria existir) do quanto alguns deles podem se transformar em culpas eternas, que devo acrescentar à minha infinita bagagem repleta delas.

Mas a hora não é de dor ou de mágoas, ainda que o título da crônica pareça sugerir o contrário, já que inspirado em um Cartola triste. Se assim lhe parece, é só porque também é triste qualquer despedida (quisera tivesse como ser de outro jeito; mas de outro jeito, não seria despedida, não é mesmo? Seria continuação…Com direito a reticências, claro…), em especial se o que se viveu foi bom e valeu, o que eu, pelo menos, considero que foi.

Sei que deve estar pensando que escrevi agora, logo após nossa conversa, essa crônica de improviso, no “calor do momento”, como costuma usar de desculpa ultimamente quem vive em Brasília, que tá quente pra caralho, de fato. Sendo que ela foi escrita friamente, dias antes dessa anunciada frustração de minhas vontades (pra dizer a verdade, numa terça insana, 14 de setembro, quase fim do meu inferno astral), que já esperava sua decisão fatalista de desistir da gente, como se eu não valesse o esforço que sei que valho.

Mesmo que assim eu me confesse triste, na real só quero lhe dizer o quanto fui feliz esses poucos meses, o quanto pude sentir novamente um frio na barriga típico de uma paixão adolescente idiota e intensa como não se pode ser (mas quem liga pra limites aos 18 anos?). E só me cabe então agradecer por me fazer rir do vento de novo, por me enxergar vestindo amarelo num dia em que estava de preto, por admirar o que faço e escrevo, por ver música, e ritmo, e pele, e desejo, na gente.

E lembro agora que você achava graça quando eu agradecia o “gozo nosso de cada dia”, embora os seguidores da religião que ameaçamos fundar, dos “orgasmos múltiplos dos últimos dias”, entendam perfeitamente essa oração diária e necessária para manter as bases de nossa fé na porra-louquice dessa vida, que não espera nada da gente a não ser nunca temer vivê-la plenamente.

Mas se esse receio em algum momento lhe tomou, seja por medo do que eu sentia e demostrava, porque nem sei ser de outra maneira, seja por apenas não conseguir sentir do mesmo jeito, é porque era pra ser assim simplesmente. “Não se pode acrescentar nada ao que já foi muito bom, porque estraga”, me disse uma vez um filósofo de botequim maravilhoso, a quem respeito.

Portanto, entretanto, contudo, todavia, embora, e uma outra ruma de conjunções coordenativas adversativas, que espero caiam na sua prova de concurso, mesmo que você me prefira sem batom, eu vou ficar feliz em voltar a usar desmedidamente o meu tradicional e inexorável batom vermelho, que me faz talvez parecer vestir amarelo vez em quando, ainda que usando preto.

No mais, obrigada, obrigada e obrigada!

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