DEMOCRACIA

“Essa vitimização chega a ser doentia”, diz reitor eleito do IFRN sobre processo movido por interventor

O reitor eleito do Instituto Federal do Rio Grande do Norte José Arnóbio de Araújo Filho não tem conseguido dormir direito há mais de uma semana. No dia 20 de abril, data-limite para a posse dele à frente a do IFRN, o Ministério da Educação ignorou a eleição realizada em dezembro de 2019, quando Arnóbio saiu vencedor com 48,25% dos votos, e nomeou para o cargo de “reitor Pro Tempore” o professor Josué Moreira. A intervenção do MEC caiu como uma bomba entre servidores e estudantes do IFRN.

Na segunda-feira (27), o interventor foi além ao acionar a Justiça para processar Arnóbio Araújo e o editor da agência Saiba Mais Rafael Duarte em razão de uma entrevista realizada dia 20, poucas horas depois da publicação da portaria no DOU. Além de cobrar R$ 10 mil a título de direito de imagem do reitor eleito e do jornalista, o interventor também pede que a Justiça censure a agência Saiba Mais, determinando a retirada da entrevista do ar. Leia aqui

Na ação, Moreira destaca um trecho da entrevista onde Arnóbio comenta que, não fosse a pandemia, o interventor não passaria nem na calçada do IFRN em razão das reações de professores e estudantes:

– Ele pegou um fragmento e criou um processo em cima desse fragmento. É isso o que essas pessoas fazem o tempo todo. Criam um discurso como se fosse verdade. Não é a primeira vez”, afirmou.

Sobre o processo movido pelo interventor, Arnóbio acredita que faz parte da estratégia de polarização do grupo:

– Percebo que essas pessoas querem cada vez mais politizar isso e essa polarização, essa disputa, é muito prejudicial para a Instituição. Eu não incitei violência, pelo contrário, peço a todos para quem fiquem em casa. (A ação) é mais uma afronta, uma intimidação para que a gente não vá adiante. Mas se tem uma pessoa que está sofrendo com tudo isso sou eu. Desde o início, quando parecia que não sairia a nomeação, até ser oficializado o ato, venho sofrendo muito com tudo isso. Há cinco anos tive um infarto, sou cardíaco. Tenho acordado às 2 horas, 3 horas da madrugada. Se ele diz que está sofrendo, então está sofrendo porque quer”, diz.

Arnóbio afirma que se sente envergonhado como educador por ter que passar por uma situação como a atual:

– Essa vitimização chega a ser doentia porque você quer, nesse caso, passar de vilão a vítima. Sinto vergonha, como educador, estar passando por uma situação como essa. É desolador. E ainda mais ver uma ação desse tipo”, desabafou para na sequência se solidarizar com a equipe da agência Saiba Mais, envolvida no processo:

– É um ataque muito sério à democracia, me solidarizo com vocês também. Espero que a Justiça prevaleça e reestabeleça os princípio democráticos. É isso é muito sério, não é brincadeira. As pessoas não querem perceber o quanto estão sendo prejudiciais para a instituição”, afirmou.

Como anunciou na reportagem publicada em 20 de abril, José Arnóbio de Araújo Filho entrou na Justiça para reaver o cargo. Há pelo menos três ações judiciais pedindo para que o MEC dê posse ao reitor eleito. O Ministério Público Federal também abriu investigação para apurar os motivos que levaram o Governo Federal a empossar um professor que não participou da eleição.

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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