ENTREVISTA

“Estamos iniciando a ressurreição da cultura do Rio Grande do Norte”, diz Crispiniano sobre reabertura de prédios públicos

O governo estadual reabriu a Pinacoteca Potiguar no último sábado (4) e anunciou uma sequência de reinaugurações de outros equipamentos públicos, o que o diretor-geral da Fundação José Augusto, Crispiano Neto, chamou de “ressurreição da cultura no Rio Grande do Norte”. Ainda neste mês de dezembro serão entregues Biblioteca Câmara Cascudo, Teatro Alberto Maranhão e Forte dos Reis Magos.

Em 2021, o Governo já colocou novamente em funcionamento a Escola de Dança do Teatro Alberto Maranhão (Edtam), além de uma extensão dela no município de Caicó, e o Espaço Cultural João Paulo II, o Papódromo. O Museu da Rampa está previsto para abrir as portas em maio de 2022, no aniversário de Augusto Severo, homenageando a aviação brasileira e lembrando a participação da capital potiguar na Segunda Guerra Mundial.

“A cultura nunca morre. Ela sobreviveu às piores ditaduras, às piores censuras, repressões, descasos, desprezos, perseguições. Mas em um momento de republicanismo como esse que a gente vive, nós precisamos ter uma infraestrutura à altura da capacidade de criação dos artistas. Os artistas criam mesmo nas catacumbas, mas é preciso que essa produção flua do artista para o público e que o público possa usufruir da sua cidadania cultural”, destacou o Crispiniano em entrevista ao Programa Balbúrdia desta segunda-feira (6).

De acordo com o gestor cultural, com a maioria dos equipamentos de cultura fechados, o estado passava por um tempo de destruição.

“Pegamos Biblioteca Câmara Cascudo fechada há 9 anos, Forte dos Reis Magos há 7 anos, o Papódromo há quase 10. Museu Rampa há mais ou menos 20. Escola de Dança fechada há 5 anos, a Pinacoteca e reabrir tudo isso não é nada fácil. Obras abandonadas com dinheiro em caixa. O dinheiro estava escutando a conversa, mas não tinha a conversa”, lamentou.

Durante o programa, Cripiniano revelou alguns detalhes sobre reformas e ocupações desses lugares, respondeu a críticas e falou ainda sobre a retomada dos editais de fomento à cultura no governo Fátima.
A respeito do cenário nacional, criticou a atuação do secretário especial de Cultura, Mário Frias. “Esse cara consegue ser pior que Weintraub [ex-ministro da Educação]”, disse, completando que o governo Bolsonaro desqualificou a cultura ao transformar o Ministério em Secretaria – primeiro ligada ao Ministério da cidadania e agora do Turismo.

“Existe uma área de conexão entre o turismo e a cultura. Têm que ter uma parceria muito grande, mas você não pode fazer cultura pra turista. Tem que fazer cultura para o povo e isso vai ser bom para o turismo. O turista gosta do que é bom para o povo do local”, opinou.

Veja o Programa Balbúrdia:

 

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