DEMOCRACIA

“Estavam invadindo, não era ocupação”, afirma PM sobre ação contra a comuna do MST no RN

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Ao contrário do que informou o vice-governador do Estado Antenor Roberto, o comando da Polícia Militar assumiu que foi acionada oficialmente pela prefeitura de São Gonçalo do Amarante para desocupar uma área de proteção ambiental localizada na BR-406, onde estavam acampados membros do MST.

Em contato com a agência Saiba Mais, Antenor Roberto disse que a ação contra a ocupação havia sido feita por policiais militares sem o consentimento do Comando da PM.

Questionado se não haveria necessidade de uma ordem judicial para efetuar a desocupação, o assessor de comunicação da PM, tenente coronel Franco, informou à reportagem que, na visão da PM, não seria necessário. Ele também negou que tenha havido truculência por parte dos policiais militares que estavam na operação:

– Não precisa de ordem judicial, nós cumprimos uma solicitação por parte da prefeitura de São Gonçalo do Amarante. Era uma área de proteção, tem uma nascente ali. Também não houve truculência. Mas se na movimentação disseram que agredimos alguma pessoa, não tem problema. Podem ir na Corregedoria, na Ouvidoria que a gente apura. Mas não houve registro de contenção aos membros do MST, que nem estavam identificados e por isso não sabíamos que eram do MST. Mas a polícia não podia deixar de agir, a gente age de ofício.

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Apesar do tenente coronel declarar que os acampados não estavam identificados como membros do MST, havia uma bandeira do movimento hasteada na frente da ocupação, às margens da BR-406.

O MST denunciou um ataque da PM por volta das 19h da sexta-feira na Comuna Urbana localizada às margens da BR-406, próximo ao bairro de Igapó, em Natal (RN). Segundo nota divulgada pelo movimento, “pelo menos 10 viaturas da polícia militar fizeram uso da força para queimar e destruir objetos pertencentes às famílias, inclusive retirando e queimando a bandeira do movimento”. Aproximadamente 200 famílias moram na ocupação. Leia aqui

Embora haja informações desencontradas sobre a propriedade do terreno, o tenente coronel Franco confirmou que o nome da área de preservação foi batizada de Olho D’Água.

– Fizemos com o apoio da Companhia Ambiental. Não era uma desocupação, estavam invadindo. Somente fomos quando acionados pela prefeitura de São Gonçalo… não houve violência, foi tentado uma composição”, disse.

O assessor de comunicação da PM destacou que existem muitos terrenos sendo ocupados de forma irregular no Estado.

– Semana passada fizemos uma desocupação em Pipa e lá era ainda mais grave porque invadiram, acabaram com a mata e já estavam vendendo os lotes. É uma coisa que a gente sempre faz, temos o cuidado maior do mundo, mas é área de proteção ambiental”, concluiu.

O vice-governador informou que no início da próxima semana vai se reunir com a secretaria de Segurança Pública e o Comando da Polícia Militar para definir um protocolo de mediação de conflitos com os movimentos sociais.

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