OPINIÃO

Estelionatários do futebol

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As pessoas acham que não, mas ainda existe muita gente inocente no futebol. Isso mesmo, até presidente de clubes tradicionais, centenários, se tornam presas fáceis. O canalha, embusteiro, sabendo disso, se achega, joga uma conversa bonita, bíblia ensebada nas mãos, se dizendo pastor, manchando o nome de pastores decentes que existem, e joga sua conversa fiada, desfia seu rosário de mentiras e aplica.

Na primeira vez, não lembro se já era “pastor” esse sem vergonha a quem me refiro. Acho que não. Tenho quase certeza  que a religião (falsa) veio depois como que para tornar mais seguros e certos os golpes a serem aplicados. Na época, entrou numa equipe semi-amadora, que disputava categorias de base e, foi a partir desse embrião de um colégio muito tradicional em Natal que ele manteve os primeiros contatos com o cartola inocente.

O dirigente, de boa índole, acredita. Ele diz que vai montar uma equipe Sub 23 top. E que em pouco tempo vai formar uma base para que o profissional não precise gastar tanto em contratações. O ideal de todo mandatário, convenhamos. Vários contratos são feitos, inclusive o do picareta. O clube fica refém do bandido travestido de treinador e de empresários de seus “craques”.

O golpe está dado. Um investimento que, em momento de crise, faz uma tremenda falta e abre mais um buraco nas contas já muito mal cuidadas da agremiação.A coisa passa da casa dos R$ 200 mil, e o resultado? Nenhum. Não tem um atleta que possa ser aproveitado, vendido, muito pelo contrário, infelizmente, os acertos feitos podem gerar, terrível, mais e mais ações na Justiça do Trabalho num curto espaço de tempo.

E não foi, creio, por falta de aviso. Nesse caso específico me refiro a um bandido conhecido que muita gente alertava, pois o dito cujo já havia dado “migué” em outras praças, e até mesmo equipes do mesmo Estado. O safado desmoralizado, ficha suja,  mas não sei, talvez com a interferência do belzebu, capeta, demo, diabo, coisa ruim, chifrudo, que anda do lado desse tipo de trambiqueiro, só pode, continua a enganar a boa fé de pessoas com um nível de inteligência, não se enganem, bem elevado. Na maioria dos casos bastava um simples telefonema, uma consulta simples em locais onde passou.

O patife, pústula, nada sabe de futebol. Se diz treinador, mas não consegue diferenciar o que seja um atacante de um defensor e nas vezes que dirigiu uma equipe profissional passou vergonha e criou confusão e constrangimento aos jogadores. Vive de decorar textos para, nas entrevistas, enganar, também, os trouxas da imprensa, e assim vai seguindo. Costuma de aproximar de inexperientes profissionais e jogar seu repetitivo papo furado na tentativa de angariar aliados e elogios.

Aqui em Natal já é bem a segunda ou terceira vez que esse estelionatário dá golpe. Já esteve em Mossoró. Como eu gostaria de dizer seu nome, sacudir um aviso contra esse bandido enganador, mas, infelizmente, esse tipo de coisa é feita sem que se deixe rastros e não posso provar o que todo mundo sabe. Eu sei, eu sei, fazendo esse tipo de texto meu leitor amigo deve estar pensando de vários “candidatos”, pois, infelizmente, o que não falta em nosso futebol são esses estelionatários do mundo da bola.

Todo esse  blá-blá-blá, conversas, tapinhas nas costas, almoços, jantares, promessas e resultado nenhum. Não consegue colocar um atleta sequer que sirva para, pelo menos, ficar na reserva na temporada que se inicia. Uma lástima! E não se enganem: ele não está só. Pelo bem do futebol, desconfie desses crápulas enfatriotados com seus paletós bolorentos e fora de moda que, com a bíblia na mão, conseguem enganar muita gente misturando, de forma exagerada, futebol e religião.

O pior, se é que ainda existe coisa mais nefasta, é que são esses mesmos pilantras que entregam de mão beijada a empresários sem caráter as melhores promessas dos clubes que eles foram contratados para prestar serviço. E a Lei Pelé continua aí, firme e forte, mantida, assegurada pela “Bancada da Bola” penalizando os clubes mais pobres do Brasil, presas fáceis para todos os tipos de safardanas.

Não generalizemos, no entanto, pois existe, também, gente boa falando de Deus e ensinando futebol.

 

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Edmo Sinedino
Edmo Sinedino é jornalista, ex-jogador de futebol e escreve aos domingos

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