CIDADANIA

Estudantes denunciam UnP no Procon por mudanças e reajuste das mensalidades

Após demitir mais de 100 professores ao término do semestre e promover uma série de mudanças na estrutura de alguns cursos, a direção da Universidade Potiguar terá que se explicar aos órgãos de fiscalização. O coordenador geral do Procon Cyrus Benavides notificou o reitor da UnP Gedson Nunes a comparecer dia 27 de dezembro ao órgão para dar explicações. Três queixas estão na pauta da audiência: a imposição, a partir de 2018, de nova grade curricular aos alunos que estão cursando diversas graduações e entraram na grade vigente na época; redução da carga horária em algumas disciplinas; e o reajuste abusivo nas mensalidades.

A Agência Saiba Mais enviou por email alguns questionamentos à assessoria de comunicação da UnP e aguarda retorno.

Benavides destacou na notificação que o Procon já recebeu centenas de denúncias contra a UnP sobre as mesmas reclamações. E afirmou que caso o reitor não compareça ao órgão, sofrerá as sanções previstas no artigo 56 do código do consumidor, que vão de multa à instituição até suspensão de atividade da universidade.

– Com relação ao reajuste a ser aplicado no próximo ano, deverá esta instituição esclarecer como chegou ao percentual a ser aplicado. Para tanto, deverá, na oportunidade, apresentar planilhas e demais documentos comprobatórios que entender necessários.

 

Notificação do Procon afirmam que já recebeu mais de 100 reclamações contra instituição

 

As denúncias partiram dos próprios estudantes da UnP que vêm se sentindo lesados pela universidade. Em alguns cursos, o reajuste na mensalidade chegou a R$ 500. No caso das aulas de dependência online, quando o estudante reprova, mas passa de semestre pagando no ano seguinte a disciplina que reprovou, o valor passou de R$ 1.652 para 2.152. O aluno do curso de psicologia e membro do coletivo Todas as Vozes Gustavo Morais conta que pelo novo calendário a turma dele teria apenas três dias de aulas presenciais e o restante da disciplina seria ministrada pela internet. Os alunos foram informados que o número de disciplinas vai aumentar em alguns cursos, o que pode acarretar atraso na conclusão do período acadêmico.

– Vai atrasar nossa formação, já que são seis matérias a mais. Houve um aumento abusivo da dependência da matéria online e da mensalidade, além de mudança na grade curricular sem aviso prévio. Também entra a questão da gente pagar por essas matérias que foram colocadas a mais.

Extraoficialmente, a coordenação do curso de Psicologia informou aos alunos que as matérias adaptativas que foram adicionadas à grade não terão novo custo para os estudantes, mas nas demais respostas sobre valores reajustados das mensalidades afirmou que a demanda era jurídica.

Manifestação

 Os estudantes decidiram reagir às imposições da direção da principal universidade privada do Rio Grande do Norte. Dia 13 de dezembro, um grupo de alunos realizou uma passeata contra as demissões de mais de 100 professores ao final do semestre. O desligamento dos profissionais provocou pânico entre os profissionais que ficaram. Em nota, a universidade alegou “aprimoramento na qualidade acadêmica” para justificar as demissões, mas professores exonerados entrevistados pela agência Saiba Mais relacionam os desligamentos com os efeitos das novas regras da CLT aprovadas na reforma trabalhista.

Na mesma semana das demissões na UnP, a Universidade Estácio de Sá anunciou a demissão de 2,1 mil professores em todo o país. A maioria dos docentes na UnP que perderam o emprego tinham titulação e mais de sete anos de serviços prestados à instituição.

Assim que as demissões ocorreram, Gustavo Morais reclamou da falta de diálogo entre a reitoria e corpo discente. Ele destacou que os estudantes foram prejudicados.

 – É uma situação bem complicada porque houve casos de alunos com pré-projetos que ficaram de mãos atadas, pois seusorientadores foram demitidos. Isso sem falar que quando você demite professores com titulação e contrata outros recém-formados pagando um salário menor você também perde em qualidade de ensino.

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"