DEMOCRACIA

Estudantes ocupam reitoria da UFRN e homenageiam ativista LGBT

Era noite de sexta-feira (14) quando um grupo formado por 45 pessoas se deslocou do ato da greve geral, na BR-101, em Natal, e foi até o campus universitário para ocupar a reitoria da UFRN. A Ocupação Leilane Assunção, como foi batizada pelos estudantes, tinha cerca de dez pessoas na manhã desta segunda-feira (17), quando a reportagem da agência Saiba Mais chegou ao local. Segundo um dos manifestantes que dormiu numa das barracas abertas no pátio da reitoria, o movimento é rotatório e ultrapassa o número de 50 pessoas:

A maioria é universitário, mas aqui tem a sociedade civil também. Movimentos sociais, através da comunidade LGBT e Negra e também movimentos culturais nos dão apoio”, informa um estudante da UFRN que prefere não ser identificado.

Em meio às barracas, as faixas deixam bem claro a pauta do movimento estudantil: contra a reforma da previdência e os cortes na educação pública. “Que a universidade se pinte de gente”, “Vendo a universidade pública” “Pela favelização da UFRN” e “Sua aposentadoria corre perigo” são alguns dos cartazes expostos pela comunidade universitária que transita tranquilamente na reitoria:

A gente não parou as atividades da Reitoria. A gente não está aqui para fazer esse enfrentamento de fechar e de parar, mas queremos gerar um acúmulo de forças para fazer evoluir o debate em defesa da educação e reforma da previdência”, justificou outro estudante da UFRN terá o nome preservado.

Além de política, o local é um espaço de debate social e cultural. (Foto: Renato Batista)

“A ocupação é um grito de resistência”

Segundo os ocupantes, o movimento surgiu para dar continuidade ao calendário em defesa da educação e o espaço público é, a partir de agora, um local de articulação política por tempo indeterminado. Os estudantes dizem que vão esperar as próximas ações do governo para tomar uma decisão sobre a continuidade da ocupação.

E não apenas de jovens estudantes é formado o grupo que se mantém ali na luta. Juvêncio Hemetério, diretor do Sindicato dos Bancários, passou a manhã desta segunda-feira na Ocupação Leilane Assunção, levando mantimentos para os que ficam.

Nós revolvemos apoiar a greve, tanto politicamente, quanto materialmente, pois entendemos que a reivindicarão é justa. Uma luta justa contra a reforma da previdência e contra os cortes da educação. Essa ocupação é na verdade um grito de resistência contra esses ataques a educação pública e de qualidade”, afirmou.

Além das doações, os estudantes também passam de casa em casa nos bairros próximos a UFRN para, além de pedir ajuda, mobilizar os moradores sobre as reivindicações do movimento.

A Ocupação Leilane Assunção tem uma programação ativa com atividades sociais e culturais. Nesta segunda-feira (17) será organizado oficina de pintura e de teatro, e durante a manhã teve uma roda de conversa sobre ‘Capitalismo, anticapitalizar e organização popular’. Na terça-feira (18) tem batalha de rap e atividades ligadas à saúde com estudantes da própria universidade. Além disso, outras atividades estão sendo organizadas para os próximos dias.

Segundo os estudantes, mais de 50 pessoas se revezam no local. (Foto: Renato Batista)

Os gestores da UFRN vão se reunir durante a tarde desta segunda-feira (17) para tratar sobre a ocupação. Apesar de ainda não ter uma posição oficial da universidade, a assessoria de comunicação da UFRN adiantou que qualquer que seja a decisão do colegiado o mais importante é a proteção da integridade dos estudantes.

O professor Edmílson Lopes, da pro-reitoria de Assuntos Estudantis, será o mediador direto com os alunos. Ele também foi responsável pelos diálogos nas últimas ocupações ocorridas na UFRN, como em 2016.

Quem foi Leilane Assunção

Leilane Assunção era uma ativista em defesa dos Direitos Humanos. Primeira professora universitária transexual do país, era formada em História e tinha doutorado em Ciências Sociais pela UFRN. Feminista, Leilane morreu em 13 de novembro de 2018, aos 37 anos de idade, em decorrência de uma infecção provocada por um fungo.

Entre as lutas travadas por Leilane estava a causa LGBT e a descriminalização e legalização das drogas. A historiadora defendia que só a liberalização de todas as drogas poderia fazer frente e combater o tráfico e reduzir a mortalidade de pobres e negros nas periferias brasileiras.

Leilane Assunção era colunista da agência Saiba Mais e escrevia todas as quintas-feiras sobre temas relacionados aos Direitos Humanos.

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