TRANSPARÊNCIA

Estudo avalia que 350 mil trabalhadores da área da saúde podem estar sob risco de contaminação no Nordeste

Por Vilma Torres da Agecom/UFRN

O Observatório do Nordeste para Análise Sociodemográfica da Covid-19 (ONAS-Covid19) da UFRN publicou uma análise demográfica traçando o perfil dos profissionais de saúde no Nordeste. O estudo é assinado pelas professoras do programa de pós-graduação em Demografia da UFRN Jordana Cristina de Jesus, Luana Junqueira Dias Myrrha e Karina Cardoso Meira, e chama a atenção para um universo de mais de 350 mil trabalhadores de serviços de saúde que podem estar sob risco de contaminação na pandemia da Covid-19.

Os profissionais de saúde expostos ao vírus não se resumem a médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas e assistentes sociais. Há uma série de outras ocupações essenciais igualmente expostas aos doentes nas unidades de saúde e que precisam de atenção e proteção especial, como recepcionistas, auxiliares de serviços gerais, copeiros, almoxarifes, auxiliar de lavanderia e limpeza, cozinheiros, coletores de resíduos, arquivistas, técnicos em nutrição, entre outras inúmeras funções.

O que o estudo do ONAS-Covid19 fez foi mapear o tamanho deste grupo e analisar que profissionais estariam em maior risco. Os dados foram subsidiados pela Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2017, que identifica os trabalhadores vinculados a estabelecimentos de atividades de atenção à saúde que compreendem “atividades de hospitais gerais ou especializados, hospitais psiquiátricos, centros de medicina preventiva, consultórios médicos e dentários, clínicas médicas e outras atividades ambulatoriais”.

De acordo com a RAIS, no Nordeste existem 350 mil trabalhadores vinculados a algum estabelecimento de atenção à saúde humana, tanto público como privado. A maior oferta desses trabalhadores está em Sergipe, onde há 998 trabalhadores no setor de saúde para cada 100 mil moradores. A menor disponibilidade está no Maranhão, com apenas 359 trabalhadores para o mesmo montante populacional. O Rio Grande do Norte tem o terceiro menor número na região, com 491 profissionais.

Mapa 1 – Número de trabalhadores com vínculo ativo a algum estabelecimento de atenção à saúde humana a cada 100 mil habitantes, Nordeste, 2017 (350 mil trabalhadores). Fonte: RAIS, 2017.

Ainda de acordo com a análise dos dados fornecidos pela RAIS, os trabalhadores estão distribuídos por 852 municípios distintos, sendo que cerca de 171 mil estão concentrados em apenas cinco capitais: Salvador (BA), Recife (PE), Fortaleza (CE), Teresina (PI) e Aracaju (SE). O estudo da ONAS-Covid19 ainda considera que 63,7% (221 mil profissionais do total de 350 mil) estão realizando atividades que os expõe diretamente ao risco de contaminação, conforme o gráfico abaixo:

Gráfico 1 – Distribuição dos trabalhadores em exposição direta à possibilidade de contágio pela Covid-19 por tipo de ocupação (221 mil trabalhadores). Fonte: RAIS, 2017.
As mulheres representam um grupo majoritário de 78% dos profissionais expostos ao risco e metade delas concentra-se na faixa etária dos 30 aos 42 anos. As mulheres com mais de 60 anos, considerada uma faixa etária de alto risco para a Covid-19, formam um grupo de 5.033 mulheres, distribuídas nas mais diversas atividades de cuidado com a saúde. O estudo chama a atenção para o fato de que, sendo mulheres, estas tendem a ser também a acumular a responsabilidade pelo cuidado com suas famílias.

O estudo completo pode ser acessado neste link.

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