TRABALHO

“Eu acordo todos os dias já devendo 100 reais”, desabafa motorista por aplicativo em Natal

Os motoristas por aplicativo de mobilidade urbana realizaram duas manifestações num período de um semana em Natal para cobrar medidas de segurança do poder público. O estopim foi o espancamento de um colega por bandidos disfarçados de passageiros, dia 13 de agosto, na Zona Norte de Natal. A vítima ficou internada no hospital Walfredo Gurgel e teve o veículo levado pelos marginais.

A proteção à vida do trabalhador tem sido pauta de discussão na sociedade há alguns anos, principalmente em relação aos motoristas e entregadores por aplicativo. Isso porque as empresas proprietárias do serviço não estabelecem vínculos empregatícios. Além disso, não há política pública que dê assistência aos profissionais desse setor.

Em entrevista ao programa ContraFluxo, o motorista Judson Saturnino declarou que a insegurança e incerteza do retorno para casa é um sentimento diário na sua rotina de trabalho. Ele declarou que é preciso que haja segurança não só para o motorista, mas para toda sociedade.

“Fomos até a governadoria, alguns representantes falaram com o secretário da segurança sobre nossas reivindicações. Queremos segurança no nosso trabalho, mas é preciso ter medidas que melhorem a segurança em geral. Hoje não podemos ir à padaria que podemos ser assaltados”, afirmou o motorista.

Judson aproveitou ainda para criticar o modelo de monetização dos trabalhadores por aplicativo. Em relação ao serviço que presta, ele declarou que a taxa mínima de uma corrida é de R$ 5,40. No entanto, desse valor há um desconto percentual feito pela empresa proprietária do aplicativo:

“O motorista acorda todos os dias já devendo 100 reais. Isso já colocando os custos de combustível e com o aluguel do carro, para os que não tem carro particular. Dá tarifa mínima, o motorista fica com aproximadamente R$ 4,50. Se eu fizer 10 corridas por esse valor eu consigo R$ 45. O motorista que diz que trabalha 8 horas por dia não consegue se sustentar”, desabafou.

Ele vê semelhança entre as pautas dos entregadores de delivery por aplicativo e os motoristas. As duas categorias são submetidas a condições trabalhistas desumanas.

“Nós trabalhamos muito e ganhamos poucos. Além de sair de casa e sem ter a certeza se vamos voltar. Os entregadores ainda ficam expostos ao sol, à chuva e precisam fazer o serviço sem sequer ser assegurado”, declarou.

O trabalho afirmou que, após a pandemia, a pauta relacionada à taxa do aplicativo será uma das prioridades do movimento. Saturnino ainda adiantou que os escritórios locais das plataformas como Uber, 99 e Taxi 99 serão alvos de protestos.

Outra pauta levantada pelo trabalhador é referente a gênero. Ele declarou que para uma mulher que presta o serviço de motorista a situação pode ser ainda mais grave devido ao perigo constante que passam no dia a dia de sua profissão.

Assista a entrevista na íntegra com o motorista por aplicativo Judson Saturnino no Youtube.

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Allan Almeida
Jornalista potiguar em formação pela UFRN.

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