OPINIÃO

Eu e Giane: quase BFFs

Faz já alguns anos que as tias da minha filha, Marina, mantêm uma boa amizade com um cara que sempre admirei como pessoa, além do artista: o Gianechini. Lembro de umas férias em que Marina, então com cerca de 10 anos, acabou conhecendo-o, meio que por acidente, quando foi com a família do pai para Costa do Sauípe.

Não existe nenhum registro dela com Giane, por mais que eu tivesse implorado a ela para fazer. Acho que porque Marina, na verdade, não simpatizava muito com o Fred, personagem meio mau caráter da novela Passione, que ele fazia na época. Ou simplesmente por timidez, característica que herdou de mim, infelizmente, e que às vezes nos faz parecer até mesmo um pouco antipáticas, o que não somos, absolutamente.

Depois desse primeiro encontro, aconteceu de Giane estar em Natal para apresentar uma peça de teatro. Morávamos perto do Teatro Alberto Maranhão e a peça de fato pareceu interessante (e foi mesmo). Fomos então eu, Marina, uma amiga minha e a filha dela. Assistimos e eu lembrei de avisar às tias de Marina que estávamos indo assistir à peça do amigo delas.

Era inclusive o dia do aniversário dele, e um coral havia feito uma surpresa maravilhosa ao encerrar a peça, em homenagem ao moço. Pois não foi que ao final da apresentação, uma das tias dela por parte de pai, Verena, insistiu que a gente ficasse para dar uma palavrinha com ele? Ao sair, vi a fila enorme de gente com a mesma esperança de conseguir conhecer os artistas da peça, e disse à tia de Marina que não teríamos como entrar.

O que eu não imaginei foi que ela resolveu falar com Giane, que informou à produção para ir nos buscar lá fora, na porta. Para isso, a minha ex-cunhada acabou dando meu nome completo. E vocês podem imaginar como fiquei ao ouvir o produtor gritar meu nome pedindo para que entrasse.

Engolindo a timidez, eu, com Marina, minha amiga e a filha dela, que estávamos ao final da imensa fila, desfilei seguida pelos olhares matadores de inveja dirigidos a nós pelos que ali aguardavam, mas continuei, sem olhar para trás, até passar pela porta e andar em direção ao palco, onde o elenco da peça se encontrava.

Uma atriz perguntou se nós éramos do coral e pareceu um tanto aborrecida por não sermos. Quase minto dizendo que éramos, para ver se ela me tratava melhor. Mas o Gianechini foi muito gentil e disse logo que se tratava da sobrinha de uma grande amiga (se referindo à Marina, claro). Finalmente fizemos o tão esperado registro desse encontro e… mais nada.
Fiquei tão envergonhada por: 1. ter ficado para falar com o elenco, como uma fã alucinada; 2. ter furado a longa fila dos fãs alucinados; 3. Não ser do coral que fez a homenagem ao Giane; que só pensava em como sair dali o mais depressa possível, e não fui capaz de proferir uma palavra.

Muito tempo depois, por coincidência na mesma época do aniversário dele, em novembro de 2019, eu e Marina, já com 16 anos, fizemos uma viagem pra ela conhecer o Rio de Janeiro num feriadão em que, por acaso, Verena, uma das minhas ex-cunhadas BFFs de Giane, estava também na cidade maravilhosa.

Nos hospedamos no Leblon, na casa da viúva do meu tio avô, Doreli, de quem estou morta de saudades nesses tempos de pandemia. E não é que a tia da Marina também estava hospedada no mesmo bairro? “Ahhhh, eu também tô no Leblon. Vem aqui me ver. Me avisa quando chegar. Tô na casa de Giane. Te passo o endereço!”

Tentei fingir normalidade, mas fiquei super empolgada com aquela coincidência. Já imaginei todo um diálogo que jamais teria coragem de iniciar, mas que nos tornaria BFFs também! Rsrsrs. E assim que cheguei na casa de Doreli fiz contato para ver se dava mesmo pra gente passar lá naquela noite, já que ainda estávamos saindo pra jantar com Doreli e o filho dela, meu primo Ricky. A tia da Marina disse que tudo bem, que o Giane ainda não havia voltado do Projac.

Jantamos num lugar lindo, na cobertura do Hotel Praia de Ipanema, e seguimos para o apartamento do Giane, sem a menor noção de como agir ao chegar lá. “É só dizer que vai para a cobertura, Carol!”, simplificou a minha ex-cunhada, como se fosse simples. Gaguejando, informei ao porteiro que eu, minha filha, minha tia avó e meu primo estávamos subindo para a cobertura.

Ao que ele respondeu ok, mas avisou: “você sabe quem mora lá, né?” – e eu, tentando não parecer uma fã alucinada, respondi calmamente que estava indo encontrar a tia da minha filha, que estava hospedada lá, o que não deixava de ser verdade. Ele reiterou então, como se eu não soubesse, que era o apartamento do Gianechini. Mas liberou a subida sem qualquer pedido de senha ou confirmação por interfone.

Seguindo as instruções, entramos no elevador e apertamos o último andar. Ao chegar lá, a porta do elevador se abre rapidamente e quem era o recepcionista? O próprio Gianechini que acabara de chegar do Projac e, a julgar pela respiração ofegante, havia subido pelas escadas, e parecia não fazer ideia de que receberia nossa visita.

A tempo de evitar qualquer constrangimento, minha ex-cunhada abriu a porta do apartamento e nos deu as boas-vindas, apresentando a trupe ao BFF dela, o fantástico Giane, que mesmo surpreso cumprimentou a todos rapidamente, indo direto pro banho. Sim gente! É isso mesmo que vocês estão lendo: eu poderia resumir essa visita em “eu estive na casa de Giane enquanto ele tomava banho”, fazendo essa crônica parecer muito mais interessante do que realmente é.

Mas o fato é que pouco contato tivemos com o rapaz, afinal já chegamos um tanto tarde lá e não queria atrapalhar. De toda forma, foi ótimo rever a tia da Marina, que ainda fez a gentileza de apresentar toda a parte social da cobertura pra gente.

Antes que eu pensasse em aguardar que Giane terminasse o banho para que finalmente tivéssemos aquela conversa boa que nos tornaria BFF também, percebi, logo após o pequeno tour pela casa, que a minha filha, Marina, havia pisado num presentinho deixado no terraço por um dos cachorrinhos do Giane.

E percebi isso da pior forma possível: ao sentarmos no sofá da sala, o tênis do pé direito dela deslizou suavemente no tapete branco tingindo-o de um marrom característico, o que agravou a minha timidez e me fez tomar uma rápida decisão de deixar o recinto, antes que alguém descobrisse o ocorrido e deixasse Marina também ultra envergonhada pela imensa gafe.

Ao sairmos do apartamento, a piada estava pronta: quanto deveria valer, para um fã alucinado do ator, aquele tênis da minha filha, lambuzado do cocô do cachorro do Giane? Quando expliquei o motivo da apressada despedida, rimos o resto da noite.

Foi só mais uma tentativa frustrada de começar minha quase amizade com Gianechini… rsrsrs

Desde então, inexplicavelmente, tenho sonhado batendo altos papos com ele, volta e meia aparece também a Maitê Proença dando em cima dele nesse sonho, não sei por que cargas d’água. Sei que ao menos nos meus sonhos eu e Giane somos BFFs!

Artigo anteriorPróximo artigo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *