CIDADANIA

“Eu estou muito emocionado com toda o afeto”, diz Aroeira sobre ações virtuais

A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição. O texto pode parecer estranho ao atual cenário de hostilidade à imprensa e aos seus profissionais, que são também ataques à democracia e às liberdades, mas está no artigo 220 da Constituição Federal.

Contrariando o respeito ou o conhecimento à lei suprema no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem protagonizado sistemáticos ataques a profissionais jornalistas e à livre expressão. Nesta segunda-feira (14), foi a vez de Renato Aroeira.

O governo não ficou contente com a crítica feita pelo chargista e publicada após Bolsonaro sugerir, durante uma live, que seus apoiadores entrassem em hospitais de campanha e filmassem a situação, sugerindo que a lotação das Unidades de Terapias Intensivas informada pelos Estados e municípios e noticiados pela imprensa não existe.

A sátira mostra uma cruz vermelha, símbolo universal para serviços de saúde, com as pontas pintadas de preto, formando uma suástica nazista. Ao lado, uma caricatura do presidente segura uma lata de tinta preta, e diz: “Bora invadir outro?”.

Com aval do presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Justiça, André Medonça, solicitou, com base na Lei de Segurança Nacional, a abertura de um inquérito sobre uma postagem do jornalista Ricardo Noblat, que compartilhava a charge sobre Bolsonaro, e do próprio autor da sátira.

O pedido cita o artigo 26, que prevê a pena de reclusão de um a quatro anos para quem caluniar ou difamar o presidente da República, do Senado, da Câmara ou do Supremo Tribunal Federal. Práticas, na verdade, que tem pesado sobre o próprio Bolsonaro, seus ministros e apoiadores. O presidente tem incentivado e participado da realização de manifestações que pedem o fechamento do Congresso e da Suprema Corte, e atacam jornalistas e o papel da imprensa.

#SomosTodosAroeira

A postagem do ministro com anúncio do pedido de investigação à Polícia Federal e à Procuradoria Geral da República gerou reações de diversos setores. Artistas, escritores, jornalistas, cientistas e professores formaram uma rede de solidariedade ao chargista.

“Eu estou muito emocionado com toda essa solidariedade, com todo o afeto. Soube de uma ideia que os chargistas todos estão tendo, que é absolutamente genial. Estão todos desenhando a minha charge do jeito que eu fiz, com seus estilos, e assinando o nome de cada um. Ou seja, vão ter que processar todo mundo pela mesma charge”, disse Aroeira em áudio que tem circulado na internet.

O próprio cartunista publicou uma nova charge nesta terça-feira criticando o que considera censura do governo.

A campanha #SomosTodosAroeira foi lançada nas redes sociais e um abaixo assinado virtual já conseguiu mais de 37 mil assinaturas até o começo da noite desta terça-feira. “Vendo aqui o abaixo-assinado que estão fazendo, estou emocionadíssimo. Eu estou cercado de afeto e cercado de artistas”, afirmou o chargista.

Para assinar o documento clique aqui.

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