OPINIÃO

Eu não tenho vergonha!

Eu não tenho vergonha de dizer que sou admirador de Cuba. Por quê teria? Classifico Fidel Castro e Ernesto Guevara Serna heróis sim de uma revolução que livrou a Ilha das garras do bandido Fulgêncio Baptista, aliado, escravo, borra-botas, sabujo dos EUA e que fazia do seu país uma latrina dos ianques, vergonha da América Central.

Aliás, nunca teria vergonha de dizer abertamente, de peito estufado, que prefiro mil vezes Hugo Chavez e todos os “ditadores sanguinários” inimigos dos EUA, aos “democratas” JFK, Henry Kissinger (superpoderoroso secretário), Ronald Reagan, Richard Nixon, George Bush pai e filho e esse demente do topete, Donald Trump, aberração que só perde, talvez por conta de uma assessoria menos ruim, para seu fã dos trópicos, o inominável, repulsivo Jair Bolsonaro.

Eu não tenho vergonha de dizer que sou, sim, defensor de um sistema de governo que, mesmo sofrendo um embargo criminoso, semelhante ao holocausto, conseguiu se erguer, se manter, transformando-se numa potência mundial na saúde, esporte e educação, referência na medicina de base que tem conquistas que países como os próprios EUA nunca conseguiram, tais como a vacina para a Meningite Tipo B, tratamento do “pé diabético”, vitiligo e psoríase, além dos casos de cura da cegueira e tendo sido o primeiro no mundo a eliminar a transmissão do vírus HIV da mãe para o filho e também pioneiro na criação de uma vacina preventiva no combate ao câncer de pulmão.

Eu não tenho vergonha de dizer que sou fã de um país, que mesmo diante da incansável perseguição, dos males de sanções criminosas, mesmo assim, consegue uma taxa de desemprego zero, fome zero e não ter nenhuma criança abandonada, dormindo na rua e que, apesar de tudo,  atua em 67 países do mundo com um “exército de jaleco branco”, como classificava Fidel, para ajudar a minorar o sofrimento, numa verdadeira cruzada humanitária, enquanto que “admirados e democráticos” EUA mandam armas e espiões.

Em não tenho vergonha de dizer que tenho inveja de Cuba. Bem sei que os alienados globais, “trumpais” e a turma que sonha em passar as férias em Miami estão furiosos comigo, capaz de até já terem encerrado a leitura do texto com um palavrão. Devagar aí sarneyzistas, colloridos, FHCcistas (já parece com fascistas né?), aecistas e bolsominions! Calma aí! Eu sei, eu sei dos problemas de Cuba. Vocês se chocam com os carros velhos, falam das putas, da miséria, repetem e repetem as histórias de fugas, dos paredões, das perseguições mas eu conheço as dificuldades econômicas sociais e sou até capaz de acreditar, mas desconfiando, como toda a imprensa ianque sempre destaca, que existe dois sistemas de saúde – dos turistas e mandatários e o do pobre povo -, sei sim da ausência de democracia, de liberdade, da reclamação de muitos, dos salários baixíssimos, dos que sonham em morar, também, assim como vocês, em Miami;  sei tudo isso, é inerente ao ser humano insensível, materialista e egocêntrico. Imagine se ia ser diferente em Cuba. Mas te garanto: os que têm orgulho da terra da Conga, Jazz, Salsa, Mambo, Rumba, Timba, Trova e são em muito maior número.

Eu não tenho vergonha de dizer que admiro o comunismo de Cuba. Teria, claro, imenso constrangimento de defender, isso sim,  a “democracia” do país de Hiroshima e Nagasaki, da covarde, insana guerra do Vietnã, do senador Joseph McCarthy, da implantação de todas as criminosas ditaduras militares da América do Sul – da sua luta constante contra as nossas legítimas democracias -da invasão do Panamá, das armas químicas (de araque do Qatar), do criador da Aikaida, de Osama Bin Laden, da guerra do Afeganistão, dos crimes em Honduras, Líbia, Egito, das alianças e apoio a Israel com sua vergonhosa Faixa de Gaza, do país da torturas e absurdos de Guantámano e de todas as intromissões desde os tempos da suja Guerra Fria que, para eles, está claro,  nunca acaba. Enfim, teria muita vergonha de fazer apologia a um sistema de governo que se sustenta na espionagem e na ganância de se apoderar das riquezas alheias.

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Edmo Sinedino
Edmo Sinedino é jornalista, ex-jogador de futebol e escreve aos domingos