CIDADANIA

“Evo, amigo, o Brasil está contigo”, entoa multidão na Paulista

Por Leonardo Wexell Severo / Comunica Sul

Mais de dez mil manifestantes marcharam pela avenida Paulista neste domingo (17) contra o golpe na Bolívia e em defesa do retorno da democracia e do presidente Evo Morales ao país andino. Evo e seu vice, Álvaro García Linera, encontram-se asilados no México, de onde têm denunciado toda a barbárie promovida pelos golpistas.

Identificados como “instrumentos do governo norte-americano” para pôr fim ao “processo de mudanças” em curso desde 2006, a autoproclamada presidenta Jeanine Añez, o fascista Luis Camacho e o candidato derrotado e ex-presidente Carlos Mesa foram rechaçados como “inimigos do povo”.

Boliviana pede o fim do golpe no país andino (foto: Elineudo Meira/ComunicaSul)

“Evo, amigo, o Brasil está contigo”, “Añez, golpista, fora da Bolívia” e “Camacho e Mesa, queremos suas cabeças”, foram algumas das palavras de ordem entoadas ao longo da marcha que saiu do MASP e foi até a Consolação, em meio ao tremular de um mar de bandeiras da Bolívia, Whipalas (símbolo da participação e do avanço indígena na sociedade e na nacionalidade boliviana) e também do Brasil.

“A Whipala é uma bandeira milenar, um símbolo pátrio que foi queimado pelos fascistas que deram o golpe de Estado para demonstrar que tudo podem. Estão errados, porque nosso povo tem tomado as ruas mesmo sendo perseguido, tem enfrentado as balas da repressão e sendo assassinado, mas vem elevando a voz e não calará até a renúncia da senhora Añez”, declarou Gualberto Mamani, da Organização da Juventude Boliviana. Trabalhador da área da costura, Mamani destacou que a massiva participação da comunidade boliviana na “marcha pacífica” amplia a pressão para que “Evo volte para pacificar o país”. Na sua avaliação, “tem sido um lixo o comportamento da imprensa” do seu país, “mentindo ou ocultando os fatos, dando respaldo aos crimes dos golpistas”.

Mais de 10 mil pessoas participaram do ato na avenida Paulista, em São Paulo (foto: Elineudo Meira/ComunicaSul)

“Exigimos a renúncia de Añez”, exigiu o manifestante Gruter Toledo

Também trabalhador da costura, o jovem Gruter Toledo levantava um cartaz com os dizeres “Añez assassina”. “Racista, ela está mandando matar nossos irmãos indígenas, nossos irmãos camponeses, porque acha que o Estado deve estar a serviço de uma pequena minoria. Estamos mobilizados exigindo sua renúncia”, acrescentou.

A participação de muitas famílias de bolivianos, com crianças de mãos dadas ou sendo levadas nos ombros pelos pais, estampava a autoestima recuperada por Evo, que entre outras conquistas erradicou o analfabetismo, nacionalizou os hidrocarbonetos, redistribuindo renda e recursos para o desenvolvimento, a educação e a saúde públicas. Uma participação de um significado que emocionava a todos os manifestantes.

O evento foi convocado por organizações da comunidade boliviana, com apoio do Comitê Brasileiro de Solidariedade ao Povo Boliviano e Contra o Golpe.

 

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