DEMOCRACIA

“O problema da gestão pública é nos enxergar como inimigos”, diz presidente do Conselho municipal de Assistência Social

A população em situação de vulnerabilidade social sente, há muito tempo, a ausência de políticas públicas por parte do poder executivo tanto municipal quanto estadual, em relação as ações de assistência. A pandemia agravou esse sentimento devido grande parte desse público não ter como garantir o cumprimento das orientações dadas para redução da infecção pelo coronavírus.

Faz parte desse público afetado pessoas em situação de rua, os sem teto ocupantes de prédios públicos, indivíduos de baixa renda, mulheres em situação de violência, comunidade LGBTQ+, entre outros que não possuem leis que definam ações para garantir o direito desses como cidadão.

Em entrevista ao programa ContraFluxo, o presidente do Conselho Municipal de Assistência Social de Natal Rodrigo Xavier, afirmou que há um problema na gestão de projetos direcionados a esse público. Para ele, trata-se de uma falta de interesse do poder público.

“Existem planos de assistência social, são debatidos, mas aparenta não haver interesse em continuar. Para mim, a saída é a gestão incluir dar oportunidade de trabalho as pessoas interessadas no assunto, por meio de concurso, e ouví-los para planejar junto a eles. Além de ouvir a sociedade em geral e os conselhos e centros, como o CRAS – Centro de Referência de Assistência Social – para colocar em prática”, afirmou.

Rodrigo Xavier esclareceu, ainda, que há um empecilho por parte da gestão pública, de enxergar o conselho de assistência social como inimigo. Com isso, dificulta a comunicação entre os órgãos e atrasa a aprovação de um projeto que auxiliará, de forma correta, a população em vulnerabilidade.

“O problema da gestão pública atual é nos enxergar como inimigos. Porém, a partir do momento em que superamos isso, haverá evolução. O que fazemos não é crítica, é uma ajuda para direcionamento melhor dos recursos financeiros para execução dos projetos, bem como auxiliar na gestão. O Conselho se faz de vida, de presença, e queremos quebrar esse paradigma de achar que entremos lá para brigar”, afirmou Rodrigo.

Outro problema retratado pelo presidente do conselho é a falta de informação por parte da população para que haja a cobrança adequada aos gestores. Ele afirmou que, em alguns casos, as pessoas não sabem definir o que é direitos humanos e nem designar a função do assistente social. Com isso, o processo de garantia a cidadania é dificultado:

“Há uma falta de entendimento da população. Saber que o assistente social é a pessoa “boazinha”, mas que ele está ali para garantir e cumprir o que está previsto em lei. Há pessoas que questionam qual a função do assistente social e do que se trata os direitos humanos”, pontuou.

Xavier ver como solução a aplicação desse conteúdo em provas de exame nacional, como o ENEM, pois torna-se comum o conteúdo nas escolas e provocará um debate na sociedade, explicando a função de poder judiciário, legislativo e executivo.

O programa foi exibido nesta quinta-feira (06) e está disponível no canal do Youtube.

 

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Allan Almeida
Jornalista potiguar em formação pela UFRN.

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