TRANSPARÊNCIA

Fabricante diz que ivermectina não funciona para covid-19 e instituições que defendem uso se calam no RN

Não há qualquer evidência científica de que a ivermectina funcione como tratamento “precoce” ou auxiliar no combate à covid-19. A afirmação, dessa vez, partiu da própria fabricante da medicação que, em Natal, tem ferrenhos defensores para tratamento “preventivo” do novo coronavírus.

No comunicado, divulgado nesta quinta (4), a farmacêutica Merck afirmou que os pesquisadores da empresa seguem analisando todos os estudos disponíveis e aqueles que vêm sendo realizados em caráter de urgência por causa da pandemia. Mas que, por enquanto, não há qualquer evidência científica de efeito positivo nos pacientes com covid-19.

A ivermectina é um vermífugo utilizado no tratamento de sarna e piolho, além de outros vermes, parasitas e ácaros. Ainda de acordo com o fabricante, não há segurança nos dados analisados para que sejam receitadas doses acima daquelas autorizadas pelas Agências Reguladoras dos países. Na nota divulgada pela Merck, foram levantados três pontos principais:

  1. Não há base científica para um potencial efeito terapêutico contra a covid-19 em estudos pré-clínicos;
  2. Não há evidência significativa de atividade clínica ou eficácia clínica em pacientes com a doença, e ;
  3. Há uma preocupante ausência de dados seguros na maioria dos estudos.

Em Natal, o prefeito Álvaro Dias, que chegou a dizer que estava protegido por ter tomado ivermectina ao desistir de furar a fila de vacinação para a covid-19, não se pronunciou sobre o assunto. Na capital, a Secretaria Municipal de Saúde comprou um milhão de comprimidos de ivermectina para distribuição em massa à população, mas nunca foi divulgado quanto foi gasto na compra dos comprimidos.

O presidente do Comitê Científico do Município, o médico Fernando Suassuna, além do deputado estadual Albert Dickson (PROS) também são defensores do uso de ivermectina para tratamento “precoce” do novo coronavírus. A Associação Médica do Rio Grande do Norte chegou a fazer uma coletiva de imprensa para reafirmar a eficiência da ivermectina para tratar a covid, apesar da falta de evidências científicas. Na ocasião, o presidente da AMRN chegou a dizer que a categoria estava sofrendo críticas por utilizar a medicação e que a questão estava sendo politizada.

Em maio de 2020, o Conselho Regional de Medicina (CRM) emitiu um protocolo de intenções que passou a ser adotado pela Prefeitura de Natal. Nele, está previsto que os médicos têm liberdade para prescrição de medicações, sob o amparo da ciência. Na época, mais de 200 médicos assinaram nota pedindo que o Cremern suspendesse o protocolo, o que não aconteceu.

Posicionamentos

A Sociedade Brasileira de Infectologia emitiu comunicado em dezembro de 2020 afirmando que não recomendava qualquer tratamento precoce com o uso de cloroquina, hidroxicloroquina ou ivermectina;

A Associação Médica Brasileira afirmou que as melhores evidências científicas demonstram que nenhuma medicação tem eficácia na prevenção ou no “tratamento precoce” para a COVID-19 até o presente momento;

Nós tentamos contato com a Prefeitura de Natal, mas não obtivemos retorno até a publicação da matéria;

A assessoria do Conselho Regional de Medicina nos atendeu, porém o presidente não emitiu uma posição sobre o comunicado da fabricante da ivermectina;

O deputado Albert Dickson emitiu a seguinte nota:

A Merck não produz mais a Ivermectina. Ela foi quebrada a patente ha mais de dez anos devido o próprio desinteresse da própria merck que pensava que a ivermectina só era usada para matar piolho e não tinha valor financeiro na época . Daí liberou a patente para quem quisesse produzir. Diante dos resultados promissores atuais da Ivermctina , inclusive de pesquisas mundiais  de revistas como a  The lancet. Ela viu que fez um mal negócio. Hoje a ivermectina faz parte mundialmente do tratamento do covid. Inclusive essa semana foi liberada no Japão , África do Sul e parte da Europa e EUA. Eu particularmente atendo e atendi milhares com resultados pra la de maravilhosos. Quem quiser não usar não usa. Temos que parar de politizar. E pensar na vida do paciente. Arrependimento faz parte de todo negócio.

A Agência Saiba Mais não conseguiu falar com a presidência da Associação Médica do Rio Grande do Norte, mas nos foi informado, por telefone, que haverá uma coletiva de imprensa na próxima semana para apresentação de resultados científicos que comprovam a eficácia da ivermectina no tratamento para covid-19.

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