CIDADANIA

Falésia em Pipa, no RN, tem novo deslizamento 14 meses após acidente fatal

Novo deslizamento foi registrado nas falésias da Praia do Centro, em Pipa, Tibau do Sul-RN, nesta terça-feira (11), após madrugada de chuvas. A queda dos sedimentos ocorreu em local próximo do acidente que vitimou três pessoas da mesma família em outubro de 2020. Ninguém ficou ferido e a Defesa Civil sinalizou e isolou o local.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Urbanismo e Mobilidade Urbana (Semurbmo) garante que realiza fiscalização diária das falésias durante o período de maior risco de erosão, de outubro a janeiro, quando há maior atividade de impacto das ondas nessas estruturas, provocando solapamentos. O trabalho é realizado em parceria com a Polícia Militar, por meio da Companhia Independente de Proteção Ambiental.

Além disso, a Prefeitura também diz manter dois servidores na área onde aconteceu o acidente, que junto com a sinalização instalada e campanha contínua nas redes sociais, ajudam a alertar a população sobre o risco de proximidade às falésias.

O desabamento no lago de Furnas, em Capitólio (MG), com 10 vítimas, acendeu novo alerta quanto à segurança das pessoas em pontos turísticos com paredões rochosos. No Rio Grande do Norte, desde o final de 2020 as autoridades têm acompanhado esses lugares com mais atenção.

Estudos têm sido conduzidos para diagnóstico mais preciso e tomada de decisões. Prefeitura do Tibau do Sul e Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema/RN), com apoio do Ministério do Desenvolvimento Regional, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Secretaria de Segurança do RN e Defesa Civil estadual têm adotado as medidas preventivas.

Inicialmente, 40 imóveis foram identificados em áreas de risco na região da Praia de Pipa. Com a contratação de estudos de Engenharia, ao Município liberou vários empreendimentos, mediante a adoção de providências de segurança.

Situação

Atualmente, apenas um imóvel residencial está interditado na cidade em decorrência do movimento de massas das falésias. A determinação é de 5 de maio de 2021. Na mesma Portaria, a Defesa Civil ordenava também a evacuação do Ú Bistrô. De acordo com a Semurbmo, um plano de desocupação foi concluído em 17 de agosto, mas em 11 de novembro a empresa apresentou cronograma de monitoramento e risco ambiental, conseguindo permissão para permanecer aberto.

Casa interditada pela Defesa Civil, considerando risco iminente de novo desastre. Foto: Semurbmo

Segundo o coordenador Municipal de Proteção e Defesa Civil de Tibau do Sul, Mateus Tomaz, as ações da pasta são acompanhadas pela Defesa e há dois estudos maiores sendo realizados.

“Temos ativamente o Projeto Falésias, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em andamento. Paralelo a isso, a Prefeitura contratou uma empresa especializada para ‘laudo técnico de edificações’, relativo a 28 imóveis dessa região. Esse estudo começa na próxima quinta-feira (13)”, destacou.

O professor do Departamento de Geografia da UFRN, Rodrigo Freitas Amorim, coordenador do Projeto Falésias detalha que foi concluída uma etapa operacional no final do ano passado.

“O relatório final será entregue até fevereiro. A gente tem um conjunto de proposições apresentadas, discutidas com os órgãos. O contexto das falésias é complexo porque envolve União, Município e Estado. Essas ações estão sendo analisadas e checadas com cada um dos órgãos para que sejam viáveis”.

O tenente-coronel do Corpo de Bombeiros Militar e coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, Marcos Carvalho, lembra que os estudos foram iniciados no final de 2017, quando o mapeamento das áreas de risco começou a ser feito, e a corporação conseguiu recursos junto à Secretaria Nacional da Defesa Civil.

“A falésia é uma estrutura viva, reage à ação do mar, do vento, das chuvas e também à ocupação humana. Os estudos que estão sendo conduzidos, coordenados pelo professor Rodrigo, fazem a análise, cruzam novos fatores e avaliam a tensão da falésia”, relatou, ao destacar que o trabalho inclui equipamentos como LaserScan e drones.

O tenente-coronel Carvalho também lembra que o monitoramento dessas estruturas foi intensificado após a tragédia de 2020, sendo acompanhada pelo Ministério Público Federal.

Em nota, o MPF informou que acompanha ativamente a situação das falésias em Tibau do Sul e a atuação dos órgãos responsáveis pela segurança e preservação ambiental da região: “Ainda em novembro de 2020, o MPF expediu recomendação para adoção de medidas urgentes, como o isolamento e sinalização de áreas de risco, e mapeamento dos riscos de novos deslizamentos”.

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Falésias do Nordeste

Os paredões do Nordeste sofrem constante erosão e pesquisadores têm analisado problemas geotécnicos dessas formações. O professor Rodrigo Freitas, esteve nesta terça-feira (11) com equipes das universidades federais do Ceará e da Paraíba em Cabo Branco, em João Pessoa-PB, onde o processo de desgaste é ainda mais intenso.

Foto: Rodrigo de Freitas

Há cinco anos o trânsito de veículos foi parcialmente interditado na estrada entre Cabo Branco e a Ponta do Seixas. Três anos depois, mais um trecho teve que sofrer intervenção devido ao desgaste.

“Foi interditada uma via que dá acesso ao Farol e à Ponta do Seixas. O nosso trabalho envolve cooperação científica. Esse processo de erosão tem se intensificado mais e a grande questão é que são áreas ocupadas, próximo a estradas. A discussão ampla em função dessa erosão costeira vem se intensificando ao longo do tempo”, alertou o especialista.

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Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais