CIDADANIA

Família acusa condomínio de expulsá-la por discriminação a criança com autismo

Nesta semana do Natal, o arquiteto Miqueias Andrade concluiu a mudança do apartamento onde vivia desde março com a família e acusa o Condomínio Esplanada dos Jardins 2, na Coophab, em Parnamirim, de preconceito contra o filho que está dentro do espectro do autismo. Ele divulgou um vídeo pedindo ajuda para denunciar o caso. “Tem gente que é intolerante. A gente pede socorro, isso não pode existir”.

A Agência Saiba Mais tentou contato com a empresa administradora do condomínio, Servnet, que informou estar em recesso natalino e retornará com as atividades na segunda-feira (28).

É comum que crianças típicas brinquem, gritem e façam barulho. É comum que crianças com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) brinquem, gritem e façam barulho. O modo como cada uma faz isso, independente do seu quadro neurológico, é diferente. Mas muita gente não entende ou não aceita as diferenças.

Miqueias é pai de Marcos, de 13, e Davi, de 6 anos. Conhecendo o comportamento do caçula, que tem TEA e surdez parcial, a família, que conta também com a enfermeira Edilene, elaborou um laudo técnico para avisar aos novos vizinhos e ao condomínio sobre a possibilidade de barulho.

“Expliquei a cada um e deixei registrado no livro que se houvesse algum impacto sonoro, se acontecesse algum incômodo, poderiam ligar pra mim, que eu conteria meu filho. Três dias depois chegou a primeira notificação por barulho, dizendo que tinham ouvido pisada forte e arrastado de móveis”, lamenta Miqueias, dizendo que logo após esse episódio começaram a chegar as multas, “uma atrás da outra”.

“Mandaram uma carta-resposta do documento que enviei e nessa carta falavam sobre ‘tutela de animais’. No momento eu fiquei tão transtornado. Mas pensei que deve ter sido um Ctrl+C – Ctrl+V em algum modelo ou documento anterior”.

Post no Instagram de Miqueias Andrade em 8 de setembro

O pai relata que o síndico não mora no local e resolveu ir até o apartamento do subsíndico, que lhe destratou, dizendo que a casa dele não era escritório. Segundo o ex-condômino, a visita foi tratada como uma grave infração durante reunião realizada posteriormente.

Depois ainda vieram multas por outros motivos, incluindo acusação de que ele estaria com uma fábrica de móveis de pallets.

“Em plena pandemia, como muita gente, eu queria trazer para dentro de casa um pouco de natureza para meus filhos e minha esposa. Eu peguei algumas madeiras pra fazer nichos de jardim suspenso pra minha varanda e me acusaram de empreender dentro do apartamento”, narra o arquiteto. “O transtorno que esse povo ocasionou na minha família é sem medidas”, diz, avisando que dará entrada em novo processo judicial, tendo o primeiro sido arquivado.

Diante das sucessivas multas, o proprietário pediu que a família deixasse o imóvel. E na ocasião da mudança, Andrade diz ter sofrido assédio moral: “A gente ia sair numa boa quando recebeu a notificação. Mas durante a mudança vieram aqui me assediar moralmente e nesse dia até me exaltei, falei alto. Alguns condôminos ficaram do meu lado”.

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Isabela Santos
Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais