CIDADANIA

Família faz manifestação e pede júri popular para suspeitos de envolvimento no caso Gabriel

Está marcada para a próxima terça (19) uma manifestação com panfletagem, às 16h, pela memória de Giovanne Gabriel. O jovem tinha apenas 18 anos quando foi assassinado ao sair para visitar a namorada em junho do ano passado. O ato público com amigos e familiares de Gabriel ocorre um dia antes da primeira audiência na qual os suspeitos de envolvimento no caso serão ouvidos.

“Como o processo segue em segredo de justiça, não sabemos se eles serão ouvidos separadamente ou todos juntos. Queremos sensibilizar as pessoas para que esse tipo de crime não se repita, não aconteça com mais ninguém. É preciso que haja punição para esse tipo de conduta”, desabafa o tio de Gabriel, Francisco Dias.

A família ainda vive o luto até hoje. Alguns familiares até notaram que pessoas próximas ficaram com um certo receio e se afastaram por causa da suspeita de envolvimento da polícia militar no crime. Gabriel foi visto pela última vez no dia 5 de junho de 2020 quando saiu de casa de bicicleta, no bairro Guarapes, para visitar a namorada, em Parnamirim. Depois de intensa mobilização da família, que chegou a encontrar as sandálias e a bicicleta do jovem em uma área de vegetação em Parnamirim, o corpo de Gabriel foi encontrado nove dias depois, num terreno baldio em São José de Mipibu.

Segundo a Polícia Civil, Gabriel foi confundido com um assaltante que havia roubado um carro no dia do desaparecimento do jovem. Enquanto seguia para a casa da namorada, ele foi abordado duas vezes pela Polícia Militar; uma pelos policiais do 3º Batalhão, sendo liberado logo em seguida, e outra por policiais do 8º Batalhão.

O corpo de Gabriel foi encontrado no dia 14 de junho, com as mãos amarradas por braceletes de plástico e perfurações no crânio. No dia seguinte, amigos e familiares fizeram um protesto com faixas e cartazes que tinham entre os dizeres, a frase “Vidas Negras Importam”, numa referência à prática de racismo e aos crimes cometidos contra pessoas de periferia por sua aparência. Gabriel ainda não tinha concluído o ensino médio, mas estava à procura de emprego para trabalhar durante o dia e estudar à noite. Entre os planos, estava o casamento com a namorada. Ele também queria seguir a carreira militar e sonhava em ser DJ.

“As pessoas que cometeram esse crime são covardes. Merecem ser presos e pagar pelo que fizeram. Parece que até hoje a ficha não caiu pra gente. Às vezes fico sem acreditar que isso continua acontecendo. Estamos tentando seguir a vida, mas não é fácil. Eu fico pensando toda hora, todo minuto, entender o que está se passando, porque isso aconteceu com a gente. Somos de uma família humilde, mas de gente boa, trabalhadora, nunca fizemos nada de errado”, relata Geová Gomes, pai de Gabriel.

Os pais de Gabriel tiveram acompanhamento psicológico conseguido através de escritório popular e o Governo do Estado chegou a oferecer proteção à família, mas o recurso foi dispensado porque a família não achou necessário. Ao todo, quatro policiais militares foram presos por suspeita de envolvimento na morte de Gabriel, eles estavam lotados no destacamento de Goianinha. Para o pai do jovem, o que restou foram os dias de luta e a lembrança de um menino carinhoso.

“Gabriel era um menino muito meigo, me beijava e abraçava na frente dos outros. Ele queria trabalhar, terminar os estudos e casar com a namorada. Ele era um menino com sonhos, que acabaram sendo interrompidos”, lamenta o pai inconformado com a perda do filho.

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