DEMOCRACIA

Famílias sem teto que ocupam terreno baldio no Planalto recebem apoio em ato de solidariedade

Diferentes partidos políticos, parlamentares e centrais sindicais de reuniram em um ato de solidariedade às cerca de 300 pessoas que ocupam, atualmente, um terreno baldio no bairro do Planalto, em Natal. A proposta é criar uma rede de apoio para dar suporte às famílias, que se encontram em situação de fragilidade social e econômica.

“Não sabemos o que vem pela frente. A Prefeitura de Natal ainda não abriu diálogo com a gente, todos os dias passa um carro da guarda municipal, da Semurb (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo) ou da prefeitura, tira fotos, mas não desce ninguém pra falar com a gente”, avalia Matheus Araújo, Coordenador do Movimento de Luta nos Bairros Vilas e Favelas (MLB).

As primeiras famílias chegaram ao terreno no dia 5 de julho e até deste domingo (11), um total de 200 fazem parte da ocupação, batizada com o nome de Valdete Guerra, uma das principais lideranças do MLB no Rio Grande do Norte que morreu há dez anos, vítima de um câncer. Até agora, 80 barracos foram erguidos no local.

Já montamos uma cozinha coletiva e continuamos fazendo a limpeza do terreno aos poucos, porque estava muito sujo, inclusive com entulhos. É um terreno que estava abandonado há mais de 30 anos. Vamos montando conforme chegam as doações para a compra de lonas”, conta Matheus.

O mesmo terreno já havia sido ocupado por outras famílias durante, aproximadamente, sete anos. Elas formaram a Comunidade Monte Celeste e conquistaram a casa própria no condomínio Vivendas do Planalto. Na época, a Prefeitura da capital anunciou que faria uma lagoa de captação no local, mas o projeto nunca foi executado.

A deputada federal Natália Bonavides (PT) que, juntamente com os vereadores Pedro Gorki (PCdoB) e Brisa Bracchi (PT), participou do ato de solidariedade na ocupação do Planalto, protocolou na última terça (6) um requerimento solicitando informação, na Câmara dos Deputados, para que o Ministério da Cidadania explique porque milhares de famílias, muitas delas do Rio Grande do Norte, identificadas pelo Ministério como em situação de extrema pobreza, não estão recebendo nem o Bolsa Família, nem o Auxílio Emergencial.

“A ocupação Valdete Guerra, organizada pelo MLB/ RN, é um espaço de resistência ocupado por mais de 200 famílias em uma área que estava completamente abandonada há décadas. O ato em defesa da ocupação é uma forma de legitimar a luta do povo por moradia. Em meio a uma pandemia e com este Governo Federal que já matou mais de 533 mil brasileiros e brasileiras e que deixou milhões na miséria, apoiar a luta por moradia digna é nossa tarefa. Esses trabalhadores nos ensinam que não há alternativa a não ser a luta quando há tamanha omissão da prefeitura em garantir uma política habitacional digna e omissão de Bolsonaro em garantir um auxílio emergencial justo”, declarou Natália, em apoio à ocupação.

“São 200 famílias que estão construindo a luta por um futuro diferente para todas as crianças que estão naquela Ocupação. Não poderia deixar de me somar, tanto enquanto militante, mas também de colocar o nosso mandato à disposição. Essas famílias podem contar com a nossa força, com a nossa resistência para caminhar lado a lado nesses tempos difíceis e para gente derrubar Bolsonaro e construir um novo dia“, comentou Brisa.

Lideranças políticas como o vereador Pedro Gorki (PCdoB), a deputada federal Natália Bonavides (PT) e a vereadora Brisa Bracchi (PT), participaram do ato de solidariedade I Foto: cedida
Fotos: cedidas

 

 

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