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Fátima Bezerra: “Defesa irrenunciável da democracia e liberdade”

A governadora do Rio Grande do Norte Fátima Bezerra (PT) não usou meias palavras no domingo (31) para afirmar o óbvio: que a deposição do ex-presidente João Goulart em 1964 foi um golpe de Estado que violou e violentou a democracia brasileira.

Na homenagem a um dos militantes potiguares mortos pela ditadura militar em 1973, Fátima rebatizou de “Emmanuel Bezerra dos Santos” a Casa do Estudante, trincheira estudantil na luta contra os militares. Na ocasião, ela também anunciou que o espaço será a sede da Secretaria de Estado das Mulheres, da Juventude, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, além de seguir funcionando como abrigo para estudantes pobres, especialmente aqueles vindos do interior. É desejo do governo também criar no local um memorial da Juventude.

Sobre o período de exceção de que Emmanuel Bezerra dos Santos foi vítima junto com outros militantes do Rio Grande do Norte e de outros estados do país, a governadora lembrou das barbaridades praticadas pelo próprio Estado:

– Devemos abominar a violência e as violações perpetradas pelo Estado, que cassou direitos individuais, coletivos e políticos; que abusou da integridade física e psíquica de milhares de pessoas; que perseguiu, prendeu, torturou, exilou e matou cidadãos e cidadãs. Crimes esses que – muitos deles – ainda carecem de elucidação e reconhecimento por parte do Estado.

Fátima Bezerra destacou ainda que o Governo vem discutindo com outras entidades da sociedade civil formas de ocupação da Casa, que se tornará uma espécie de Central de Direitos Humanos e de programas sociais relacionados à mesma área.

– Um grupo de trabalho, coordenado pela Secretaria de Educação, vem dialogando com as entidades estudantis e com a OAB, e seguirá pensando a ocupação desse espaço. Aqui teremos iniciativas voltadas para educação, para cultura, para inclusão social e para o empoderamento das populações que vivem em situação de vulnerabilidade social. O Grupo de Trabalho seguirá os seus trabalhos, em diálogo transparente e aberto com a sociedade civil, com vistas a recuperarmos esse equipamento e oferecermos, através dele, as políticas de juventude, de mulheres, de igualdade racial e de direitos humanos que a nossa população tanto precisa”, citou.

O ato de anúncio e homenagem emocionou o público. A governadora destacou “a defesa irrenunciável da democracia e liberdade como valores sagrados do processo civilizatório:

– Eu e o vice-governador Antenor Roberto temos clareza do papel que a história nos reserva de defesa irrenunciável da Democracia e Liberdade como valores sagrados do processo civilizatório. O ato de hoje (domingo) onde celebramos a democracia e a vida, homenageando os que lutaram contra o arbítrio e as atrocidades do golpe civil militar de 64 através do jovem idealista e corajoso Emmanuel Bezerra, faz parte de um dos momentos mais simbólicos do nosso governo. Em nome do nosso vice-governador Antenor Roberto, do secretário-chefe da Casa Civil Raimundo Alves, dos nossos secretários Fernando Mineiro, Arméli Brennand e Getúlio Ferreira, minha gratidão a todos que construíram e participaram. Haveremos de dar à Casa do Estudante a destinação que a juventude e o povo potiguar merecem. Além de acolher os estudantes que realmente precisem de moradia, vamos transformá-la na Casa da Cidadania Potiguar, promovendo direitos e dignidade. Por fim, confesso que o meu coração de professora pulsou muito forte hoje. De emoção, justiça e esperança.

A homenagem à Emmanuel Bezerra foi estendida às outras vítimas da ditadura militar no Rio Grande do Norte, a exemplo de Anatália de Souza; Djalma Maranhão; José Silton Pinheiro; Luiz Ignácio Maranhão Filho; Lígia Maria Salgado Nóbrega, Virgílio Gomes da Silva e Édson Nevez Quaresma;

 

 

 

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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