OPINIÃO

feminismo

Eveline Sin escreve às quartas-feiras na agência Saiba Mais
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ainda não tinha falado sobre essa história. um grande incômodo na verdade. há um tempo ouvi de uma mulher feminista: “agora todo mundo é feminista”, num tom irônico, até rancoroso. fiquei um pouco chocada e respondi: miga, pena, ainda não, mas estou esperando ansiosa chegar esse agora. depois não fiquei mais chocada. fiquei foi triste mesmo. não é porque você entrou em uma luta muito antes, que novas pessoas não podem somar a ela. feminismo não é exclusividade. porque a morte não é exclusiva. o estupro. a invasão. o tapa na cara não é exclusivo. estamos todas dentro de uma grande embarcação assistindo nossos afogamentos. nossos próprios mergulhos na falta de ar. por isso o feminismo precisa ser pop sim. feminismo não é aquela música que o novo nome da mpb cantou pra você e que se todo mundo conhecer a tal música ela perde a graça. ou aquele restaurante com chão batido lá no sertão do brasil, que serve uma comida incrível, mas que só você pode comer, porque senão também perde a graça. ou aquele livro único de tal autor que só você e mais 100 pessoas conhecem. parem com essa loucura por exclusividade. só eu tenho. só eu sei. só eu sou. o “é meu”. é meu? feminismo é outra coisa. coisa séria. precisa ser plural. tingir mais peles. precisa ser falado lado a lado e precisa ser gritado. precisa virar moda. que todas vistam sua roupa de liberdade. precisa ser de toda mulher. de toda sociedade.

segunda, 13 de novembro, estive com minhas duas filhas no ato contra pec 181, na avenida paulista. fiquei pensando, não à toa é 181, foram 18 contra 1. a mulher. muitas vezes, antes e durante o ato, falei pra elas porque estávamos ali. elas só têm 2 anos e 5 meses, mas desde bebês conversamos muito sobre seus corpos e seus direitos. e assim vamos continuar. elas vão continuar. e seguirão construindo o mundo de respeito que precisamos.

teus olhos pintando

os prédios ao redor

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cortavam a brasa

de um céu de ontem

enquanto acendia

no meu corpo

selvagem e franco

todas as vozes

que deitei

em teu peito

e no dia que o feminismo for pop será nosso novo agora. futuro real.

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Eveline Sin é artista, poeta e grafiteira. Escreve às quartas-feiras.

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