ENTREVISTA

Fernando Mineiro: “A vitória não é minha, mas de um movimento por justiça e democracia que extrapolou a esquerda”

Fernando Mineiro (PT) está contando as horas para assumir o mandato de deputado federal que 98.070 eleitores lhe confiaram em 2018. O Tribunal Regional Eleitoral pôs fim na sexta-feira (22) a uma novela que já se arrastava há mais dois anos. Com a confirmação do indeferimento da candidatura de Kéricles Alves Ribeiro, o Kerinho, a recontagem dos votos daquela eleição mudará a configuração da bancada federal. Sai Beto Rosado (PP) e assume o petista.

O acórdão está para ser publicado a qualquer momento no Diário Oficial e restará apenas um comunicado ao Congresso Nacional para receber o diploma em Natal e tomar posse em Brasília.

Nesta entrevista especial à agência Saiba Mais, Fernando Mineiro fala sobre o movimento criado por Justiça no Rio Grande do Norte que sensibilizou até eleitores anti-petistas e diz o que pensa sobre a eleição para a presidência da Câmara, as pautas que defenderá no Congresso e as que já fervem no plenário, a exemplo do impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro. Ele também avalia o governo Fátima, defende que o PT antecipe o debate sobre a reeleição da governadora e faz projeções sobre a Frente Ampla que pode derrotar o bolsonarismo em 2022.

Sobre a próxima eleição presidencial, Fernando Mineiro diz que apesar de gostar não acompanha futebol. Mas adianta que, se fosse o dono da bola, anteciparia uma única escalação:

“Eu daria a camisa 10 a Luiz Inácio”, diz.

Confira a entrevista:

Agência Saiba Mais: Que avaliação você faz desse processo na Justiça Eleitoral que devolveu seu mandato depois de dois anos ? E a pergunta que está todo mundo se fazendo: quando Fernando Mineiro assume a vaga na Câmara Federal ?

Fernando Mineiro: Eu fico brincando dizendo que foi mais difícil validar os votos do que conquistar os votos. A gente faz uma luta danada para conseguir quase 100 mil votos e depois a gente tem que lutar para reconhecerem esses votos. O que me reanimou nessa luta foi o movimento que se criou nessa questão. Se você reparar bem se criou no nosso Estado um movimento muito forte por Justiça e pelo respeito à urnas. Um movimento que extrapolou o PT, os setores de esquerda… extrapolou inclusive quem vota nos setores de esquerda. Cheguei a receber mensagem de pessoas que diziam que não votavam em mim nem na esquerda, mas que reconheciam o erro, o absurdo que é essa situação. Então houve um verdadeiro movimento no Estado e com o papel, inclusive, muito importante de setores da imprensa. A maioria dos principais órgãos de imprensa, quer seja os mais tradicionais ou os blogs mesmo, tiveram papel fundamental para esclarecer a população sobre isso. Tanto é que a sessão do TRE certamente foi a sessão mais acompanhada da história do Tribunal, com mais de três mil pessoas assistindo. Então foi um verdadeiro movimento. E isso graças a uma iniciativa que envolveu 51 advogados em setembro do ano passado que tiveram atuação fundamental de reposicionar e recolocar na pauta. E nossos advogados, o escritório do dr. André, que acompanha a coligação desde o início, o escritório do dr. Caio e dr. Pedro que assumiram nossa defesa aqui. Isso aumenta nossa responsabilidade. A vitória não é minha, mas desse movimento que extrapolou aqueles que votaram na gente, aquele campo que dialoga com a gente. É um bom sinal. Ganhou essa consciência de Justiça. Porque ficou tão evidente, né ?

Você não acha que também é uma resposta dessas pessoas, independente de preferências políticas ou partidárias, que já não aguentam mais sucessivas interferências do Judiciário nos processos democráticos do país, a exemplo do golpe contra a ex-presidenta Dilma e o conluio do ex-juiz Sérgio Moro com a força-tarefa da Lava Jato para perseguir o Lula ?

É porque tudo muito é demais, né ? Existe um exagero na judicialização da política, como se diz. A gente sabe que nenhum órgão ou instituição é neutro, tem suas opiniões, seus alinhamentos. Mas a sociedade vai percebendo, vai tirando as máscaras, é um longo processo. A história da sociedade vai passando por momentos de construção de referências. E as pessoas vão percebendo que esse tipo de ação ataca o cerne da questão democrática, que é a opinião das pessoas, que as pessoas expressam. Então quando um ministro lá em Brasília dá uma canetada e muda o resultado eleitoral isso interfere e muda a vida política do país. E foi o que aconteceu no meu caso especificamente. O que aconteceu aqui e gosto sempre de ressaltar. A candidatura do Kerinho foi indeferida por unanimidade. Ele recorreu e o ministro do TSE também manteve o indeferimento, isso antes da eleição. Aí depois da eleição o ministro criou a tese de erro do sistema. Se fosse em outro contexto isso teria virado um grande escândalo nacional. Foi a primeira vez que um ministro disse que o sistema eleitoral errou no Brasil. Se fosse em outra situação, distante dessa polarização, as pessoas tinham parado pra refletir sobre o que estava por trás dessa decisão. Acho que o TRE repôs as coisas no seu devido lugar, dois anos depois, perdemos todo esse tempo, digamos assim, mas acho que esse exercício virou uma lição para várias pessoas de ter que parar para olhar um pouco para o que está acontecendo no nosso Estado e no nosso país. Então foi uma decisão histórica nesse sentido, de repor a verdade dos votos.

“A vitória não é minha, mas desse movimento que extrapolou aqueles que votaram na gente, aquele campo que dialoga com a gente. É um bom sinal. Ganhou essa consciência de Justiça. Porque ficou tão evidente, né ?”

E agora, quando você assume e vai para Brasília ?

Tem os desdobramentos imediatos como está na decisão aprovada do TRE, que é a retotalização dos votos e a diplomação. Com o diploma em mãos vamos tomar posse em Brasília. Esperamos que essa semana haja esses desdobramentos. Não há razão nenhuma para que isso não seja feito, é imediato. Como aconteceu aqui mesmo nas eleições municipais, quando teve uma decisão sobre uma ação e se aplicou. A decisão é para aplicação imediata. Eu tô aguardando isso, acho que essa semana já teremos diploma e quero me apresentar nas fileira do Planalto Central junto a nossa bancada, não só do PT, mas com a bancada de esquerda, dos partidos aliados que estão nessa luta. Esperando o diploma na mão para chegar lá, mais um soldado.

Dia 1º de fevereiro é a eleição para a presidência da Câmara. Você já participa e vota ?

Estamos trabalhando para isso. A decisão é imediata. E imediata é imediata, não tem interpretação. Não tem advogado nenhum no mundo que vai interpretar diferente a palavra imediata. Imediata é imediata. Estamos aguardando. Na segunda-feira (hoje) estaremos lá aguardando e esperando meu diploma para me apresentar nas fileiras democráticas porque pra mim a questão central do Brasil hoje é a questão da defesa da democracia. Então quero ser mais um soldado da democracia.

“Quando um ministro lá em Brasília dá uma canetada e muda o resultado eleitoral isso interfere e muda a vida política do país. E foi o que aconteceu no meu caso especificamente”.

Nesses dois anos fora da Câmara Federal teve algum momento específico que você lamentou mais por não poder estar em Brasília ?

Acho que a gente lamenta sempre que vê os absurdos. Poxa, se estivesse lá eu teria votasse assim, contribuído assado. Então é uma luta permanente. Se você pensar o que aconteceu no Brasil nos últimos dois anos foram movimentos muito intensos, com impactos fortes na vida do povo brasileiro. Acho que a bandeira central do momento do Brasil é a defesa da democracia, em tudo, em toda radicalidade no sentido de amplitude, em transformar em carne o que a raiz da palavra diz. Quero somar com os deputados e deputadas. O Brasil precisa se reposicionar. E sinto que está se reconstruindo no Brasil um amplo movimento em relação à democracia com toda a sua pluralidade, suas diferenças. Mas o que une esse amplo movimento é a luta pela questão democrática. A luta pela democracia é uma viagem em vários vagões do trem. Tem alguns que vão parar, outros descer na primeira estação, na segunda, na terceira, e outros vão chegar até o final com mais afinidade. Então é um grande movimento que a gente precisa colocar nos trilhos. Com esse entendimento que são vagões plurais e precisamos construir alianças em torno da questão democrática, buscar aquilo nesse momento que unifica os que defendem mudanças para minimizar o sofrimento da população. E a partir dali modulando quais são os movimentos. A questão democrática não é um artigo de luxo. Democracia é um artigo de primeira necessidade para o povo trabalhador.

“Sinto que está se reconstruindo no Brasil um amplo movimento em relação à democracia com toda a sua pluralidade, suas diferenças”

 

Em 2018, você tinha feito um planejamento sobre as pautas e demandas que levaria para a Câmara. Era um mundo pré-pandemia. Agora, dois anos depois, e em meio a essa crise sanitária mundial, o que seu mandato vai defender no Congresso ?

Vamos ter que, informados por aquilo que sempre lutei, as bandeiras específicas que sempre defendi e defendo, vamos ter que fazer os ajuste para esse tempo que vivemos agora. Quando digo que a questão central é a luta pela democracia, defender a vacina para todos é uma luta democrática. Defender a renda mínima é uma luta democrática. Defender os pequenos empreendimentos, pequenos negócios, pequenas empresas é uma luta democrática. Nesse momento, a palavra sinônimo da democracia são todas as bandeiras mais prementes do povo. A luta pela vacina é urgente, o que não significa lutar só para ter mais vacina, mas pela saúde, ciência e tecnologia. É lutar para ter mais investimentos nessa área tão estratégica, apoiar um verdadeiro levante com nossos cientistas e nossas cientistas. Dizer: olha, essas pessoas é que são responsáveis pela saída da atual crise sanitária. Lutar pela vacina é lutar pela centralidade da ciência e da tecnologia no Brasil, os mecanismos para fazer isso. Lutar pela questão da renda é lutar pelo acesso ao direito mínimo de alimentação, de condições de vida da população. Por isso a palavra que fecha isso é a democracia. São muitas urgências no Brasil. Se a Câmara Federal não se posicionar nesse sentido não vamos conseguir minimizar os efeitos dessa crise. E uma crise só se enfrenta de uma maneira global mais estruturante se você tiver os mecanismos do poder Executivo na mão, mas o poder Legislativo tem um papel fundamental. Como a questão de enfrentar a crise sanitária, a crise econômica, a crise fiscal no Brasil. Então são bandeiras que quero me somar, dar minha contribuição, achar parcerias para poder me somar com essas vozes. Então você não vai inventar bandeiras, mas tirar as bandeiras do armário. Você vai adaptá-las, reconhecer aqueles e aquelas que levantam as mesmas bandeiras que você.

Alguns políticos e analistas políticos estão afirimando que a aliança que está se formando em torno da candidatura do deputado Baleia Rossi (MDB-SP) para a presidência da Câmara é um ensaio para a Frente Ampla que pode ser construída para derrotar o bolsonarismo em 2022. Concorda com essa visão ?

Acho que não tem uma relação direta entre a eleição para a Mesa Diretora da Câmara com 2022. Acho que tem uma relação direta com a luta pela democracia, mas com 2022 não. Qual é a questão da Mesa da Câmara ? Há um espaço institucional garantido pelo seu percentual de votos, o PT é a maior bancada da Câmara Federal. Pelas regras democráticas o PT tem um papel fundamental na Mesa e se consolida através de composições. Se eu estiver lá, quero estar, votarei nessa posição, uma aliança para dentro do Parlamento com aqueles pontos que foram elencados pelo PT, PCdoB, Rede, um debate que está tendo na sociedade. Isso não se confunde com posições políticas de blocos A ou B. Já é claro para a sociedade qual é a diferença que o PT, PCdoB, PSB, Rede tem em relação aos demais partidos… todo mundo sabe disso. Então se apoia (partidos de outros setores) não é porque apagaram a história deles, mas é porque tem uma pactuação mínima, um programa mínimo daqui para frente. Não é daqui para trás, até porque se fosse não estaríamos apoiando. Daqui para frente é o que nos interessa. Qual a garantia que isso vai ser efetivado ? Disputa política, correlação de forças, movimento da sociedade. Política não é um acerto que você faz e está tudo resolvido. Você pode até combinar, mas se não tiver o acompanhamento da sociedade não vai acontecer nada. Quando eu estiver lá, vou me somar a esse movimento. Mas não tem a ver com 2022. É uma ação para um espaço estrito de um dos Poderes fundamentais do Brasil que, aliás, vem fazendo um papel muito importante. Então o Congresso Nacional, pelo sim, pelo não, pelo bem e pelo mal, tem feito um papel importante. Por exemplo, a votação do Fundeb. Teve um movimento da sociedade, mas um movimento interno também. Parlamento é isso, esse espaço da mediação. Essa aliança é para garantir a condução política da Câmara Federal num ano fundamental de crise.

“A questão democrática não é um artigo de luxo. Democracia é um artigo de primeira necessidade para o povo trabalhador”.

O governador do Maranhão Flávio Dino (PCdoB) disse no sábado que se a esquerda não sentar com quem pensa diferente não terá chances de vencer em 2022. Há setores do campo progressista que defendem uma frente ampla com partidos da Direita. Qual é o desenho dessa Frente Ampla para você ? Quem cabe nesse grupo e qual é o limite dessa aliança ?

Primeiro que não existe uma pré-definição no PT que modelo de frente vamos adotar. Não só no PT como em toda a esquerda. Nesse debate não está definido qual o caminho. Segundo, que está claro: nenhuma força política no Brasil tem maioria, sob nenhum espectro. A direita também não tem maioria sozinha e a ultra-direita, sozinha, também não tem maioria. É lógico que a ultra-direita conservadora, representada pelos Bolsonaros, e eu faço questão de colocar no plural porque são muitos e estão em todos os lugares: na presidência, no judiciário, no legislativo, no meio empresarial, na favela… e eles também não tem maioria. Nenhuma força política tem maioria. E tem uma boa parte da população que é indefinida. Na história contemporânea brasileira, é nesse momento que o setor conservador tem mais força. Inclusive, nunca teve tanta força como agora, nesse período pós-1985. Tem um grande peso, como não tinha antes. E, por outro lado, os setores da esquerda tem seu peso. O PT tem um peso muito importante, mas sozinho não ganha as eleições. Então vamos ter que escolher: vamos participar das eleições de 2022 para mostrar o que a gente tem ou para mudar a correlação de força? Se for pra mostrar o que a gente tem, a gente sai sozinho e é isso mesmo. Eu sou defensor de fazer movimentos para fortalecer o polo progressista do Brasil. Mas isso vai se dar em cima de um programa, não em cima de nomes nesse momento. Até porque se for em cima de nomes a gente um craque, né ? Que é o Luiz Inácio. Se você for escalar um time, você tem o Lula para jogar, não vai escalar ele não ? Ou vai chamar o Júnior Baiano pra jogar ?

“Quando digo que a questão central é a luta pela democracia, defender a vacina para todos é uma luta democrática”.

Mas o Lula está impedido hoje, né ?

Sim, mas foi o juiz que impediu, né ? E está claro que é um juiz ladrão, né ? Então vamos ver o que vai acontecer daqui pra lá. Se as partidas forem apitadas pelo mesmo juiz… então… tem uma série de “se”, de condicionantes, tem que esperar o final. Se eu for colocar no início da caminhada o que eu quero no final não vou caminhar com ninguém. Claro que eu quero o Lula, entendeu ?

Então, só pra ficar claro, entre essas condicionantes o PT ainda aguarda o julgamento no STF sobre a suspeição do ex-juiz Sérgio Moro que pode anular os processos contra o Lula e deixá-lo apto para participar das eleições…

Rafael, eu estou falando de mim. Do time que eu escolheria. Você acha que dá para falar sobre eleição no Brasil sem falar no nome do Lula ? Apagar o nome do Lula da história é uma insanidade. Agora a posição que ele vai assumir no jogo decisivo que reflete para a Copa do Mundo é outra discussão. O meu desejo é dar a camisa 10 pra ele, mas Lula joga em várias posições. Aliás, o Lula joga bem tanto na ponta direita como na ponta esquerda, você não sabe disso ? (risos) É um craque, não adianta. Não tem como pensar a Copa do Brasil de 2022 sem pensar no Lula em campo. Em qual posição eu não sei. O meu desejo é dar a camisa 10 para ele. Porque o Lula é uma mistura de Pelé, Maradona e Messi … eu acho isso. Mas acho equivocado você ser o dono da bola e querer que o cara jogue nessa posição. Não dá, né ? Acho que temos que montar um time bom e outros times também tem seus craques. Tem alguns Júnior Baiano por aí que nós vamos ter que aceitar no time. Acho fundamental a gente reconhecer isso. Não acompanho muito de futebol, mas acho bom falar bom sobre isso. Não é apenas um, não é jogo de botão. Não é habilidade individual, é um time. Então precisamos montar a melhor seleção política democrática do Brasil para enfrentar o obscurantismo, pra mim a centralidade é essa da disputa. Se a gente tiver capacidade pra fazer esse debate, respeitando as posições, vamos montar um grande time. E Luiz Inácio vai ter uma posição definida.

“São muitas urgências no Brasil. Se a Câmara Federal não se posicionar nesse sentido não vamos conseguir minimizar os efeitos dessa crise”.

Os pedidos de impeachment do Bolsonaro já aparecem nas ruas e também estão pautados na imprensa, inclusive na imprensa corporativa. O presidente da Câmara Rodrigo Maia sentou sobre 61 pedidos. Você acha possível tirar o Bolsonaro da presidência antes de 2022 ?

Não tem como tirar de uma maneira isolada. E não vamos esperar que ninguém, de forma isolada, vá pautar isso. Vai pautar se tiver movimento de massa, se tiver movimento em todos os setores da sociedade. A imprensa divulgou porque mudou a imprensa. Aconteceram inúmeras carreatas em todas as grandes cidades do país. E isso foi pouco noticiado, tal qual como nas Diretas já! Mas porque soubemos hoje pela imprensa ? Porque se criou uma nova imprensa a partir das novas tecnologias, uma imprensa não alinhada com a imprensa tradicional. Então hoje você tem uma capilaridade. Tem outro movimento que desequilibra, se tiver na pauta da sociedade. O Congresso não é uma ilha, representa o Brasil. Tem aquela maioria no Congresso porque tem a maioria na sociedade. O Congresso é a caixa de ressonância da sociedade. Se aqui tiver um movimento forte na sociedade vai repercutir no Congresso. O papel do parlamentar, da maneira que exerço e como exerci meus mandatos, é articular os dois movimentos: fazer bem a luta institucional e também na base da sociedade. Dialogando com os sindicatos, movimentos sociais, buscando unidade no parlamento. Meu papel é casar esses dois movimentos. Sempre fiz política a partir de um tripé: espaço institucional, sociedade e o partido. É isso que me move na política.

“Vamos ter que escolher: vamos participar das eleições de 2022 para mostrar o que a gente tem ou para mudar a correlação de força? Se for pra mostrar o que a gente tem, a gente sai sozinho e é isso mesmo. Eu sou defensor de fazer movimentos para fortalecer o polo progressista do Brasil. Mas isso vai se dar em cima de um programa, não em cima de nomes nesse momento”

Para fechar a questão do impeachment: para você, então, Bolsonaro cometeu crimes de responsabilidade, ou seja, já deu motivos para a abertura de processos de impeachment contra ele.

São tantos que não deveria nem estar mais na presidência. Bolsonaro está lá porque, infelizmente, a maioria da sociedade o levou, mas todo mundo sabe quem é o Bolsonaro. Está fazendo o que ele prometeu. E ganharam os Bolsonaros. Ele é o resultado da perversidade ter saído do armário. Mas não adianta só eu saber disso ou apenas um terço da sociedade saber disso. A maioria precisa saber. Esse momento é de disputa político cultural. Precisamos criar uma nova maioria no Brasil. Tivemos um período de 2002 até 2015 que a gente conseguiu, nesse meio tempo, criar uma maioria na sociedade e depois perdemos essa maioria. Agora se trata de construir uma maioria democrática da sociedade, a luta é acirrada. Os setores conservadores tiveram um momento importante em 2014. A Dilma ganhou, mas não podemos esquecer que os setores conservadores não aceitaram os resultados das urnas. Guardadas as devidas proporções, o que o Trump fez agora nos EUA de não aceitar o resultado das urnas o Aécio Neves também fez em 2014. E acharam uma quinta coluna que foi o Temer. Então estamos aí há sete anos nessa disputa. Em 2014 fechou-se um ciclo no Brasil. Já 2018 foi a consolidação de quem foi vitorioso politicamente e culturalmente em 2016. E no meio dessa rodada tem as rodadas municipais.

Sobre as eleições municipais, parte da imprensa tradicional afirmou que a população disse “não” à polarização Bolsonaro versus PT, insistindo na tese de que os dois representam extremos. Na sua visão, qual foi o recado das urnas em 2020 ?

Quem pensa dessa maneira pensa de uma maneira binária. O ódio ao PT não é ódio ao PT. Esse ódio é às ideias progressistas, à liberdade, à justiça. O PT está no foco porque é o maior partido de esquerda. Para quem gosta de fazer essa leitura binária do mundo, vamos pegar São Paulo. Se você pegar a votação (Guilherme) Boulos (PSOL-SP) é a mesma votação que o Haddad teve. O que significa isso ? Então não é o ódio ao PT. Se fosse o PZ com as ideias do PT o ódio era ao PZ. A polarização é permanente na sociedade. Existem opiniões na história dos países que se polarizam. Então essa leitura é pobre. Em vez de tentar fazer uma leitura do real movimento da sociedade querem enquadrar o movimento da sociedade na sua opinião. Você acha que as ideias progressistas terão futuro ou sucesso com o PT fora do processo eleitoral de 2022 ? Então é um debate binário e que foi muito alimentado.

“Bolsonaro é o resultado da perversidade ter saído do armário. Mas não adianta só eu saber disso ou apenas um terço da sociedade saber disso. A maioria precisa saber”.

E qual foi o recado das urnas ?

Mostra uma consolidação do PT e da direita que busca fazer um movimento fora do Bolsonaro. Há um deslocamento do setor conservador, que precisou vestir a camisa do Bolsonaro… nas eleições municipais Bolsonaro não os representou tanto. Mas ele segue muito forte. Agora há estudos mostrando que a determinação do eleitorado é uma quando há eleição municipal e outra quando é estadual ou federal. Até o governo Fernando Henrique havia uma federalização dos votos. Você chegava no interior, o cara estava amarrado, de cabo a rabo. A eleição do Lula em 2002 quebra isso… e em 2006 houve uma liberdade maior do eleitorado, uma autonomia que não existia antes. O peso do líder político local diminuiu após a eleição do Lula.

Pela primeira vez o Rio Grande do Norte tem dois ministros de Estado no governo Federal: Rogério Marinho e Fábio Faria. E tem chamado a atenção na conduta dos dois a deselegância e o pouco respeito à institucionalidade. Em alguns eventos do Governo Federal no RN não há sequer um comunicado ao governo estadual. A governadora Fátima também é tratada com desrespeito e desdém, especialmente por Faria. Como você tem visto a atuação desses dos ministros ?

Sem nenhuma surpresa. Isso retrata o tamanho deles. Todo mundo sabe porque eles assumiram os ministérios. Você acha que os dois assumiram por méritos de gestão, conhecimento, de serviços prestados à população do Estado ? Não foi nada disso. Não tenho nenhuma surpresa nesse tipo de atitude deles. Só acho ruim porque quem perde é a sociedade, pois eles poderiam estar lá nesses momentos cumprindo papeis institucionais, fazendo parcerias com o Governo do Estado para prestar ações em favor da sociedade que, parafraseando o mestre Galileu Galilei, “diminuam o cansaço da existência humana”, entendeu ? Poderiam estar lá fazendo parcerias que potencializassem, para apressar as ações… ninguém administra o Brasil, um estado como um nosso, sem construir parcerias, mas eu não tenho nenhuma surpresa com esse tipo de atitude. São eles, é o retrato deles, é o que eles são. Usam os cargos mais para fazer uma disputa eleitoral menor do que para alavancar o desenvolvimento do nosso Estado. Não tenho nenhuma surpresa com isso. Pelo pouco que conheço deles já me dá muita condição de avaliar que é isso mesmo que eles fazem.

Nesses dois anos você assumiu a secretaria especial de Metas e Gestão para Projetos do governo estadual, inclusive a condução do Pacto pela Vida e a articulação com os municípios. Que avaliação você faz da primeira metade do Governo Fátima?

Avaliação positiva. Se você prestar a atenção nosso governo pegou uma bomba sem tamanho, difícil, e tem conseguido dar resposta para tirar o Estado da crise que ele vive há muitos anos, buscando reestruturar a máquina administrativa, enfrentando temas difíceis como a reforma da Previdência, tentando reorganizar a máquina internamente para responder as demandas e dar conta minimamente das necessidades da população. E no meio de tudo isso, dessa situação grave do Estado, temos a pandemia. E de uma maneira muito firme nossa governadora e nosso vice-governador criaram uma condução coletiva de enfrentamento à pandemia. Um dos poucos estados brasileiros com todo o Governo envolvido no combate à pandemia. Nunca se viu uma governadora dialogar tanto com os demais Poderes e contar com a parceria desses Poderes. A governadora fazia reuniões semanais com a assembleia legislativa, MP, TCE, MPF, TJ, para discutir questões centrais e mostrou capacidade de formar parcerias muito importante. E por isso o impacto da pandemia ainda é seguro no Estado do Rio Grande do Norte. Nenhum Estado teve tantas reuniões com prefeitas e prefeitos do Estado como a Fátima fez, como no Pacto pela Vida, que mostrou que o papel da Segurança não é apenas de repressão, tem um papel fundamental no enfrentamento à crise sanitária. Foi uma concepção da governadora. O Estado que mais distribuiu máscaras no país foi o Rio Grande do Norte. Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Secretaria de Ação Social e Controladoria participando de enfrentamento à crise sanitária, onde você viu isso ? Então foi muito além da saúde. E olha, escreve isso: a saúde do Rio Grande do Norte é outra se comparada ao período anterior à pandemia. Vou nem repetir os dados que todo mundo sabe, foi a maior pactuação com as prefeituras. Se você pegar para além dos números você vai ver as parcerias. As regionais… tem essas coisas muito importantes. E em meio à disputa política, essa ideologização da vida. A governadora mostrou uma capacidade enorme de administrar muitos conflitos, de articulação. Em meio à pressão do setor econômico, ela teve a capacidade de ouvir e de não tomar decisões sozinha. Minha avaliação é muito positiva.

Para além da pandemia, o Governo vem conseguindo pagar, por etapas, as quatro folhas em aberto deixadas pela gestão do ex-governador Robinson Faria. Pagou duas e iniciou a terceira. Qual é o impacto político e econômico dessa medida ?  

Brinco assim: Fátima conta moedas, mas também fica cobrando a melhor aplicação desses recursos. Agora tem uma coisa: pagar servidor não é corporativismo. Servidor tem direito, mas além disso, num estado como o nosso, onde a economia depende da renda pública, o dinheiro que chega na mão do servidor não vai para a poupança ou para a especulação financeira. Sabe para onde vai ? Para a bodega da esquina no outro dia. No final de 2019, quando pagamos uma das folhas atrasadas, fui levar meu carro para trocar a lâmpada do farol e tinha uma fila enorme. De repente, um cara atrás do balcão veio na minha direção e disse: Mineiro, faz anos que minha loja não ficava cheia desse jeito. Agradeço aí a vocês, agradeça à governadora. Então no outro dia o cara põe o dinheiro na rua. Ninguém está fazendo luxo com dinheiro que recebe. Gira a economia. O pagamento atrasado do servidor ajuda a manter a economia, ajuda a diminuir a crise. Porque ele gasta na bodega, na feira… e isso explica, evidentemente junto com outros recursos, a retomada ou a não queda da economia. Os segundos beneficiados por pagar o servidor são as empresas, que giram o recurso e que alimentação a economia… outro dia um cara veio falar comigo: “mas só faz pagar o servidor”. E você acha só ? E quando expliquei pra ele, que se o Governo não pagasse ele estaria quebrado, ele voltou atrás. Empresário tem que agradecer o Governo por pagar os atrasados. E tem essa ideologização contra os servidores públicos. Tem muito empresário contra o servidor público, mas não se toca que boa parte da renda dele vem da renda pública. Um terço da renda do nosso Estado é renda pública, o peso é muito grande. As mudanças na legislação tributária são fundamentais para não fugir as empresas do nosso Estado. Passamos décadas com legislações que nos prejudicaram. Então o Governo Fátima é isso: um governo que arruma a casa e dá resposta às ações.

“Ninguém está fazendo luxo com dinheiro que recebe. Gira a economia. O pagamento atrasado do servidor ajuda a manter a economia, ajuda a diminuir a crise. Porque ele gasta na bodega, na feira…”

Há uma diferença clara da condução o Governo do Estado em relação à prefeitura de Natal. O prefeito Álvaro Dias boicotou vários decretos estaduais e vem defendendo medicamentos sem comprovação científico no combate a covid-19. Isso foi preponderante para a reeleição dele no 1º turno ?

São coisas que pesaram, mas de modo geral, houve um aumento nos índices de reeleição na administrações municipais. O percentual de reeleições foram superiores aos anos anteriores. A pandemia tirou do cenário outras vozes e deixou só as vozes da situação. E nesse momento crucial a governadora ficou sem poder fazer propaganda institucional, não tinha narrativa sobre as ações. Agora, vamos comparar as ações: as ações do Governo do Estado são estruturantes na saúde. Você lembra que quando o Governo decidiu fazer o hospital de Campanha, e chegou a lançar um edital, virou um debate político ideológico grande. E por uma série de razões não aconteceu o hospital. Eu achei foi bom. Até porque a governadora Fátima falou imediatamente: o mais importante não é fazer um hospital de campanha, mas reestruturar a nossa rede. E os investimentos feitos para enfrentar a pandemia na rede pública estadual não se encerram nem terminam no enfrentamento à pandemia. Essa é a principal diferença entre uma gestão e outra. Então nós temos uma rede estruturada hoje. A saúde fez um grande trabalho coordenada pelo nosso Cipriano. Hoje nós temos uma rede pública estruturada. Esse esforço coletivo comandado pela governadora Fatima estruturou a rede. Vai mudar a realidade da saúde do Estado, e quando isso muda, a vida do povo também muda. E o governo ficou só atacando a pandemia ? Não. O Governo também atacou o represamento de cirurgias e uma série de outras ações.

Você citou as boas ações do Governo até aqui. Mas o que, na sua avaliação, também precisa melhorar daqui para frente ?

Acho que precisamos dar respostas mais rápidas à sociedade, precisamos modernizar a máquina. Trocamos os pneus da bicicleta com a bicicleta andando. Hoje temos os pneus melhores, não estamos ladeira abaixo, estamos numa estrada reta, mas precisamos consolidar a integração, que é uma mudança de cultura. Não é fácil trabalhar integrado.

A governadora Fátima tem adversários para 2020 ? Se tem, quem seriam esses adversários na sua opinião ?

Ninguém disputa eleição sozinho, né ? Eleição não é W.O. Claro que tem adversários, mas tem também muito o que mostrar, o Governo está fazendo muita coisa. Precisamos tratar com muita tranquilidade a disputa. Lógico que tem adversário. Seria muita arrogância dizer o contrário. E acho também que ninguém é morto em política. Aliás, ressurreição em política é um fato recorrente. Os exemplos de ressurreição na política são muitos, muito maiores que nas religiões.

A vitória da governadora Fátima em 2018 é fruto também de uma aliança que envolveu outros partidos para além do campo progressista. Esse debate já começou a ser feito internamento para 2022 ?

Reforçando o que eu já disse: Fátima tem adversários e acho que o PT precisa colocar desde já, como tarefa fundamental e prioritária, o processo eleitoral de 2022. Não é tarefa do Governo nesse momento, é tarefa do PT. Já discutir o que quer, projeto, debate, é para a cúpula partidária. Alianças… formação de chapa para deputado estadual, federal. Não está marcada eleição ? Então não podemos nos preparar em junho de 2022, temos que nos preparar agora. A governadora está tomada pelos conflitos e as demandas inerentes ao cargo. Agora o PT tem que priorizar de uma forma absoluta. O PT tem que acompanhar o impeachment do Bolsonaro como tarefa fundamental e a questão de 2022, fazer política e já abrir um leque de debates sobre isso. Formação das chapas… e incorporar aliados e aliadas. Temos que sentar com o PCdoB, entender isso e quero registrar: não somos um governo do PT, somos um governo que tem o PCdoB como aliado fundamental, num entrosamento também raro. O entrosamento entre Fátima e Antenor é um equilíbrio de mãos dadas, não é para inglês ver, convivo internamente e sei disso. Temos que sentar PT e PCdoB e pensar 2022. O que eu puder contribuir eu farei. Para pensar 2022, fora do Governo, obviamente.

“Então não podemos nos preparar em junho de 2022, temos que nos preparar agora. A governadora está tomada pelos conflitos e as demandas inerentes ao cargo. Agora o PT tem que priorizar de uma forma absoluta. O PT tem que acompanhar o impeachment do Bolsonaro como tarefa fundamental e a questão de 2022, fazer política e já abrir um leque de debates sobre isso”.

Na aliança vitoriosa de 2018 também participaram partidos de fora do campo da esquerda, como parte do PSDB…

Com os aliados também. Temos um quadro complexo também. Temos alianças dentro do Parlamento com partidos que não são a nossa base de aliança tradicional. Temos que enfrentar esse debate, o PT tem que enfrentar esse debate. O PSDB, por exemplo. Temos a contribuição do Ezequiel Ferreira, Raimundo Fernandes, que são do PSDB. O apoio desses dois parlamentares é fundamental para o Governo. Mas ao mesmo tempo temos opositores no PSDB, como Tomba, Gustavo (Carvalho)… temos que pensar 2022 também fazendo esse cotejamento das nossas alianças no Parlamento. Isso não quer dizer que a gente vai definir de princípio alianças eleitoral… temos que entender esse jogo, essas questões. Hoje o Governo tem PT e PCdoB tem numa aliança vitoriosa, mas outros partidos fazem parte da nossa aliança administrativa estadual. Não vou me furtar em falar sobre isso.

Essa aliança administrativa forte com Ezequiel, por exemplo, pode se repetir eleitoralmente em 2022 ?

Não é que pode nem que não pode, não trato as coisas assim. Mas tem que ser levado em consideração a aliança  administrativa que fazemos hoje. É um debate importante. Pensar 2022, necessariamente, tem que ser avaliado a pluralidade da nossa aliança administrativa. Temos uma aliança administrativa que vai além da aliança PT/PCdoB. Então, como é que isso vai ficar em 2022 ? A própria Fátima foi eleita senadora e depois governadora em alianças informais muito maiores do que as alianças formais feitas de 2014 e 2018. Temos que levar em consideração a aliança administrativa e as disputas municipais, então é um trabalho grandioso que o PT tem que se preparar e vai se preparar. Antes da pandemia, a gente dizia que depois do carnaval começava a discutir. Como não tem carnaval esse ano vamos começar logo.

“Pensar 2022, necessariamente, tem que ser avaliado a pluralidade da nossa aliança administrativa. Temos uma aliança administrativa que vai além da aliança PT/PCdoB”.

O ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (PDT) esteve muito próximo do PT, especialmente durante os governos Lula e Dilma. Te surpreendeu a guinada dele em direção ao bolsonarismo no 2º turno das eleições em 2018 ?

Não foi só aqui. Tem setores do PDT que por ativismo ou por omissão reforçaram o bolsonarismo. Ele aqui foi por ativismo. Então na disputa do 2º turno das eleições ele foi o principal porta-voz do Bolsonaro. Assim como agora, nas eleições municipais, o Álvaro Dias foi o principal porta-voz do bolsonarismo. Agora eu acho que os ideais que sustentam o Bolsonaro foram vitoriosos em 2020. Os candidatos carimbados do bolsonarismo tiveram votações pequenas, mas as ideias que sustentam o bolsonarismo foram vitoriosas. Se você pegar a eleição de Recife, os historiadores que analisarem o resultado eleitoral daqui a alguns anos vão dizer: uma disputa entre dois partidos do campo progressista. Mas não foi assim que aconteceu. Os elementos do bolsonarismo caíram em campo no 2º turno e foram decisivos para a eleição do candidato (João Campos). As mesmas armas, com tudo o que teve direito, a relação com o setor evangélico, a campanha suja, a relação com o setor evangélico conservador… Estamos vivendo esse momento no Brasil. E nós na esquerda temos que buscar uma maneira de dialogar com esse setor, esse conservadorismo exacerbado. Precisamos avançar uma discussão com o setor evangélico na política. É um setor que foi inoculado com o veneno anti-esquerda, que vai além do PT. As armas que usaram contra o Boulos, contra a Manuela foram as mesmas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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