CULTURA

Filme estrelado por atriz potiguar é premiado em Cannes; Sideral não vence, mas faz história

A premiação do festival de Cannes, realizada neste sábado (17), na cidade francesa homônima, consagrou na categoria curta-metragem o filme “All the Crows in the World”, dirigido por Tang Yi, de Hong Kong.

A expectativa brasileira recaía, no gênero de curtas, sobre dois filmes: o potiguar Sideral, de Carlos Segundo, e Céu de Agosto, de Jasmin Tennuci.

Estrelado pela potiguar Badu Morais, “Céu de Agosto” conquistou menção-honrosa do júri especial. O filme é uma co-produção Brasil-Estados Unidos e conta a história de uma jovem grávida preocupada com a saúde de seu bebê, no dia em que uma grande nuvem de fumaça escureceu a cidade de São Paulo.

Recentemente, ao jornal Potiguar Notícias, Badu falou da expectativa com o festival e das dificuldades no início da carreira:

– Eu saí de Parnamirim, com um sonho cravado no peito de um filho debaixo do braço. Quando eu era criança recriava cenas de novela, sozinha com minhas bonecas. Eu cresci sabendo o que eu queria, embora muitas vezes, chorei e ainda choro pela dificuldade de ser artista no nosso país hoje. Céu de Agosto é meu segundo trabalho no cinema, e o curta vai para Cannes. Eu chorei, passou um filme na mente, tantos nãos na vida, tantas lágrimas”, desabafou

Badu Morais também participa do longa-metragem “Agreste”, com direção de Sérgio Roizenblit, filmado em 2019 e que tem previsão de estreia para 2022. Ela também integra o elenco de “A Mãe”, com direção de Cristiano Burlan, e no curta-metragem “Dreno”, de Humberto Giancristófaro.

A atriz potiguar trabalha profissionalmente desde 2006 e participou do elenco de diversos espetáculos teatrais e musicais, destaque para o musical “Cangaceiras, as guerreiras do sertão”, texto de Newton Moreno, ganhador do APCA, de melhor dramaturgia e considerado o melhor espetáculo musical de 2019 pelas críticas.

Sideral foi aplaudido de pé

Embora não tenha levado o prêmio especial do júri, parte da equipe de Sideral, que esteve em Cannes, se emocionou com a receptividade do público. Após a exibição para a plateia francesa, o filme potiguar foi aplaudido de pé.

O curta filmado e produzido no Rio Grande do Norte fez história como o primeiro filme potiguar à concorrer à Palma de Ouro no festival de cinema mais prestigiado do mundo.

Rodado nas cidades de Natal, Ceará-Mirim e Parnamirim, trata-se de uma ficção que se desenvolve no futuro, quando é lançado o primeiro foguete tripulado brasileiro na base aérea de Natal.

Sideral é uma coprodução internacional entre as empresas brasileiras Casa da Praia Filmes e O Sopro do Tempo e a francesa Les Valseurs, repetindo a parceria de outro trabalho dirigido por Carlos Segundo, o longa Fendas, lançado em 2019 no FID Marseille, com previsão de estreia comercial na França no final de julho de 2021.

Veja os vencedores da 74ª edição do festiva de Cannes

Julia Ducournau é diretora do Titane, longa-metragem que levou a Palma de Ouro no festival de Cannes

Palma de Ouro

Titane – Julia Ducournau

Grande Prêmio

Hytti Nº 6 – Juho Kuosmanen

Ghahreman – Asghar Farhadi

Ator

Caleb Landry Jones – Nitram

Atriz

Renate Reinsve – Verdens Verste Menneske

Prêmio do Júri

Memoria – Apichatpong Weerasethakul (Tailândia)

Ha’Berech (Ahed’s Knee) – Nadav Lapid (Israel)

Diretor

Leos Carax – Annette

Roteiro

Hamaguchi Ryusuke e Takamasa Oe – Drive My Car

Outros prêmios do Festival de Cannes em 2021

Camera d’Or

Murina – Antoneta Alamat Kusijanovic

Palma de Ouro de curta-metragens

Tian Xia Wu Ya (All The Crows In The World) – Tang Yi

Menção Especial entre curta-metragens

Céu de Agosto – Jasmin Tenucci

Palma de Ouro honorária

Marco Bellocchio

 

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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