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Flávio Dino: “O fascismo do século XXI é cansativo, mas não podemos descansar diante de tantas ameaças”

Durante a reunião do Fórum dos Governadores do Nordeste realizada nesta quarta-feira (25), em Natal, os representantes dos estados da região fizeram questão de defender os valores democráticos em meio às ameaças de golpe e a escalada autoritária de Jair Bolsonaro. O governador do Maranhão Flávio Dino (PSB) fez um discurso inspirador sobre o papel da política no combate às desigualdades sociais:

“De um lado temos a defesa da democracia e, do outro, o combate às desigualdades sociais. Se a política não servir para isso, ela não serve para mais nada! Se a política não for um instrumento de construção cultural, de promoção de direitos, de combate às desigualdades sociais e regionais, ela é apenas um jogo de um estamento apartado da sociedade”, defendeu Dino.

Minutos antes da intervenção do maranhense, o governador de Alagoas Renan Filho (MDB) havia feito um desabafo afirmando que, para a geração dele, o momento atual é o mais grave pelo qual passam as instituições. Flávio Dino reiterou as palavras do coleta:

“É impossível haver democracia sem direitos sociais. Nós estamos diante de uma contingência em que se entrecruzam crises sanitária, econômica, social e política, como bem sublinhou o governador Renan [de Alagoas] numa dimensão inédita para nossa geração. Ele é um pouco mais jovem que eu, mas também me insiro nesse rol daqueles que se espantam. E graças a Deus nos espantamos, estranho seria aceitarmos a anomalia”, continuou o governador do Maranhão ao incentivar os presentes a que continuem firmes na luta diária.

“É nas horas de maiores dificuldades que devemos exercer o protagonismo. Ser marinheiro em mares calmos é mais simples. Não tivemos esse destino, são mares bravios, tempestuosos e, por isso mesmo, temos que ser mais arrojados na navegação”.

Dino ainda lembrou que o uso de tecnologia e redes sociais tem tornado a luta por direitos sociais ainda mais desgastante.

“Esse encontro tem essa marca da irresignação, de não aceitar a banalização do mal, pra usar uma expressão conhecida de todos e imortalizada por Hannah Arendt. Estamos diante desse risco, até por exaustão, desse fascismo do século 21, que é cansativo! O fascismo se nutre do ódio, o do século XX também, mas o do século XXI, com uso intenso da tecnologia tem mais esse agregado, ele cansa, visa dobrar a colunas vertebrais dos cidadãos e cidadãs pelo cansaço e não podemos descansar diante de tantas ameaças. É nas horas de maiores dificuldades que devemos exercer o protagonismo. Ser marinheiro em mares calmos é mais simples. Não tivemos esse destino, são mares bravios, tempestuosos e, por isso mesmo, temos que ser mais arrojados na navegação para protegermos esse patrimônio que não nos pertence. Não é um direito, mas um dever de guardar os direitos dos cidadãos e cidadãs. O Nordeste da cultura, do turismo, da natureza hoje mostra, mais uma vez, que é o Nordeste da democracia, dos direitos sociais e do programa ‘Nordeste Acolhe’, finalizou..

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