OPINIÃO

Foi o Estado

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Essa frase estava pichada em um edifício na Universidade do México em protesto contra as mortes dos 43 estudantes em Axotzinapa. Aqui no Brasil, poderíamos estampá-las em muros, paredes e edifícios por toda a parte.

Poderíamos pichá-la nas ruas e vielas de Paraisópolis onde o Estado assassinou 9 adolescentes e jovens em uma abordagem completamente desastrosa em uma festa da periferia. Segundo um coronel da polícia paulista comandada por João Dória, a polícia tem protocolos rígidos para agir nessas situações, quando o repórter lembra que, em pouco mais de um ano, outras duas abordagens semelhantes deram muito errado nas periferia paulistas. Nas redes sociais, a população contesta veementemente a história oficial contada pelas fontes oficiais.

Acontece que a versão dessa história contada pela mídia não dá espaço equilibrado para esses ponto de vista conflitantes cheguem aos leitores, ouvintes e telespectadores. As vítimas do Estado, depois de massacradas fisicamente, são mais uma vez massacradas pelo aparato estatal que calcula friamente a melhor narrativa para apresentar culpados e não responsabilizar ninguém de alta patente.

A audiência midiática, altamente condicionada nos “ismos” estruturais que nos fazem brasileiros, vão ter muita dificuldade para escutar as versões de Paraisópolis, afirmadas por pretos, pobres, jovens, mulheres, lgbts, funkeiros. Os olhos e ouvidos dos brasileiros estão prontos para a versão oficial, estão prontos para criminalizar as vítimas, estão prontos para não ter empatia pelos que, acreditam, são diferentes deles. A mídia elitista, forjada nos mesmos “ismos” estruturais, apenas confirma o que os espectadores já queriam acreditar.

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Seria bem diferente se fosse num bairro de classe média ou numa festa da elite. Mas a polícia não invade baile funk de rico.

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Jornalista, produtor e aprendiz de fotógrafo

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