CIDADANIA

Funcionários da Caixa de Assistência do Advogado podem ter furado a fila da vacina contra a Covid-19 em Natal

A presidente afastada da Caixa de Assistência dos Advogados do RN (Caarn), uma diretora e um outro funcionário foram vacinados contra a Covid-19 pela Prefeitura de Natal sem pertencerem ao grupo de prioridade. O caso veio à tona após uma investigação da Ordem dos Advogados do Brasil secção Rio Grande do Norte (OAB-RN) sobre questões administrativas da Caarn.

Em nota ao Portal G1, Monalisa Dantas, presidente afastada da Caarn, afirmou que tomou uma dose da vacina CoronaVac. Segundo Dantas, a dose que ela tomou seria descartada, pois seria parte de um frasco que foi aberto e não totalmente utilizado.

A sede da Ordem, onde também funciona a Caarn, no bairro Candelária, funciona como um dos pontos de drive-thru da vacinação contra a Covid-19.

“Como o espaço foi transformado em ponto de imunização, todas as pessoas que estavam em trabalho presencial no local foram enquadradas na Nota Técnica 02/2021 da Prefeitura de Natal e amparadas por autorização do Ministério da Saúde. Apesar disso, no meu caso, o que recebi foi uma única dose da Coronavac que seria descartada no lixo, por estar em frasco aberto que não poderia ser armazenado novamente. Eu, uma outra diretora e um porteiro recebemos a dose nessas condições”, afirmou.

“Nós da OAB fomos surpreendidos com uma denúncia feita por seis dos sete diretores de que haveria algum tipo de irregularidade lá na gestão da Caarn” contextualiza Aldo Medeiros, presidente da OAB-RN.

“No decorrer dos trabalhos, surgiu a notícia de que teria havido vacinação do Covid-19 em uma pessoa da Caixa de Assistência e nós, então, procuramos saber a respeito disso e tivemos a informação de que mais duas teriam sido vacinadas. Numa reunião interna, uma das pessoas vacinadas confessou que teria recebido a vacina, que seria uma sobra dos frascos de vacinação”, explicou.

O presidente conta ainda que a diretoria soube por meio de um blog que mais pessoas da Caarn teriam sido vacinadas. Por isso, foi expedido um ofício a prefeitura de Natal questionando se algum pedido da Caarn ou da OAB havia sido feito para vacinação, se alguém da entidade havia sido imunizada e a identificação dos possíveis atendidos. A entidade, afirma ele, tem orientação para não divulgar nomes, respeitando o princípio de direito de defesa.

Aldo Medeiros afirma que a ordem também questionou a prefeitura sobre qual o procedimento adotado para o caso de sobras da vacina.

Nesta semana, a Secretaria Municipal de Saúde havia informado ao G1 que as sobras de vacinas vinham sendo aplicadas em agentes da Secretaria de Mobilidade Urbana. O procedimento segue acordo estabelecido em audiência com o Ministério Público, indicando que a “xepa” do imunizante deveria ser utilizado em grupos contemplados pelo Plano Nacional de Imunização. O acordo estabelecia o procedimento a partir do dia 7 de maio. Contudo, segundo o Portal G1, não consta na ata da reunião com o MP um acordo formalizado sobre o assunto.

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